O debate entre os candidatos à presidência dos Estados Unidos da América (EUA) ocorrerá na próxima terça-feira (10), às 22 horas, conforme o horário de Brasília. O evento está sendo organizado pela ABC News e será realizado no National Constitution Center, localizado na Filadélfia. Esta será a primeira oportunidade em que o ex-presidente Donald Trump, do Partido Republicano, e a atual vice-presidente Kamala Harris, do Partido Democrata, se enfrentarão e discutirão sobre diversos tópicos estruturais, como por exemplo, economia, desigualdades, saúde e imigração.
O acontecimento pode ser mais um item a se agregar na série de episódios que já entraram para a história ao longo dos últimos meses neste contexto das eleições norte-americanas de 2024. A Agência UVA preparou um resumo sobre os fatos que vêm marcando a disputa pelo comando da Casa Branca.
O debate entre Biden e Trump
Na noite do dia 27 de junho, o Presidente dos EUA, Joe Biden, do Partido Democrata, e o ex-presidente Donald Trump deram a largada na corrida pela Casa Branca ao realizarem o primeiro debate da disputa. Após este evento, as pesquisas de opinião apontavam uma ligeira vantagem ao ex-chefe do Poder Executivo.
Na ocasião, muitas críticas foram direcionadas à idade dos políticos, uma vez que Biden, de 81 anos, e Trump, de 78 anos, eram os dois candidatos à presidência mais velhos da história do país. Além disso, o desempenho do atual mandatário foi alvo de questionamentos que levantaram preocupações ao redor do mundo sobre a sua aptidão.
À medida que cresciam as repercussões do debate, a pressão alertou ambas as campanhas. Em evento com apoiadores na Carolina do Norte, ainda na sexta-feira (28 de junho), Biden rebateu as críticas.
“Não caminho tão facilmente como antes. Não falo tão facilmente como antes, não debato tão bem como antes, mas eu sei o que sei: sei como dizer a verdade. Sei distinguir o certo do errado”, alegou o presidente norte-americano.
O chefe da Casa Branca ainda acrescentou que tinha capacidade de reagir na disputa. Vale lembrar que ele mesmo havia derrotado Trump, então presidente, nas eleições de 2020.
“Eu sei o que milhões de americanos sabem. Quando a gente é derrubado, a gente se levanta de novo”, enfatizou o político.
No entanto, conforme o tempo se passava, a campanha de reeleição de Joe Biden declinou fortemente nas pesquisas. Diferentes alas do Partido Democrata e setores da sociedade começaram a pedir pela desistência da candidatura do presidente. Enquanto isso, a campanha de Trump crescia em constante ascensão e ainda abriria uma vantagem maior nas pesquisas de opinião.
O atentado contra Trump
Durante a tarde de 13 de julho, Donald Trump sofreu atentado enquanto discursava em comício na Pensilvânia. Com o disparo de tiros no local, o ex-presidente acabou sendo atingido de raspão na orelha, mas não obteve lesões mais graves. Na sequência, ele foi escoltado por uma equipe de agentes federais e retirado do palco.
Trump também reagiu imediatamente à situação e mesmo tendo que deixar o local às pressas, levantou o braço com o punho cerrado, além de encorajar os seus próprios apoiadores que estavam presentes.
“Lute! Lute! Lute”, manifestou o ex-chefe de Estado enquanto era retirado do palco em que sofreu o atentado.
Ainda na cena do crime, uma pessoa que estava na plateia do comício morreu, e outras duas foram socorridas em estado grave. O Serviço Secreto dos Estados Unidos também confirmou que o autor dos disparos foi morto. Ele foi identificado como Thomas Matthew Crooks, de 20 anos. o Federal Bureau of Investigation (FBI), que pode ser traduzido como Departamento Federal de Investigação, segue averiguando uma tentativa de assassinato contra Trump. As autoridades também disseram não haver novas ameaças após o atentado.
A história dos EUA é marcada por violência política. Ao longo do tempo, quatro dos 45 presidentes em exercício foram mortos: Abraham Lincoln, em 1865; James A. Garfield, em 1881; William McKinley, em 1901; John F. Kennedy, em 1963. Além destes, três foram feridos em tentativas de assassinato, sendo o caso citado de Trump neste ano; Ronald Reagan ainda cumprindo o mandato, em 1981; Theodore Roosevelt já fora do cargo, em 1912.
Depois deste episódio, uma série de figuras públicas ao redor do mundo, incluindo o presidente norte-americano Joe Biden, demonstraram solidariedade ao empresário e político Republicano. Trump, por sua vez, concentrou seu retorno à aparição pública dias depois na convenção do partido, que ocorreu entre os dias 16 de julho e 19 de julho.
No evento em questão, o ex-presidente estava com um curativo na orelha direita e foi oficializado como o candidato do Partido Republicano nas eleições presidenciais que acontecerão em 5 de novembro de 2024. Para completar a chapa, ele anunciou o nome do senador J. D. Vance como postulante a vice-presidente. Trump só realizou seu discurso no encerramento da última noite, onde expôs sua visão para governar o país ao criticar o atual governo e listar uma série de medidas que quer implantar com a volta ao poder.
“Estou concorrendo para ser presidente de toda a América, não de metade da América”, declarou o ex-presidente ao aceitar formalmente a indicação do Partido Republicano.
A desistência de Biden
O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou a desistência de sua candidatura à reeleição no dia 21 de julho, por meio de uma carta publicada nas redes sociais. Desta maneira, o atual mandatário alterou a dinâmica da corrida eleitoral a menos de quatro meses do pleito. Por consequência, a decisão de Biden abriu o caminho para outra pessoa do Partido Democrata poder encarar o desafio da corrida até a Casa Branca.

(Foto: Reprodução/Instagram)
Desde o fim de junho, época na qual ocorreu o debate entre os então candidatos, uma série de apelos para o atual chefe de Estado se afastar da disputa e até preocupações sobre a sua capacidade mental cresciam cada vez mais. Ao mesmo tempo, Biden foi perdendo apoio dentro do próprio partido visto que diferentes congressistas democratas solicitaram que o presidente abandonasse a ideia de buscar a reeleição. Algumas figuras públicas também passaram a questionar a habilidade do político de tentar uma vitória sobre Trump, apesar do resultado favorável quatro anos antes.
O presidente estadunidense, por sua vez, tentava reagir além de demonstrar força e perspicácia. No entanto, diversas gafes foram cometidas por ele nesse intervalo de quase um mês, como por exemplo, o momento pelo qual recebeu a visita do presidente ucraniano Volodymyr Zelenski em evento da OTAN em Washington e o chamou pelo nome do presidente russo.
“Senhoras e senhores, presidente Putin”, anunciou Biden.
Ao perceber o erro cometido alguns segundos depois, o chefe de Estado norte-americano voltou ao microfone e se corrigiu. Vale lembrar que Putin é inimigo político de Zelensky. Além disso, a Ucrânia está em guerra contra a Rússia desde que foi invadida pelos russos, em 2022.
“Ele vai derrotar o presidente Putin. Presidente Zelensky… você é muito melhor”, voltou a dizer o estadunidense ao corrigir a fala anterior.
A pressão sobre o candidato democrata se intensificava à medida que os dias passavam e isso refletia nos valores arrecadados destinados à sua campanha. Depois da repercussão do atentado a Donald Trump e das consequências que este episódio geraram no campo político, o cenário ficou amplamente desfavorável ao atual mandatário que, logo em seguida, foi diagnosticado com Covid-19 no dia 17 de julho e teve que se afastar. Assim, os últimos dias da campanha à reeleição não puderam contar com o presidente que teve que faltar compromissos na agenda e ficava cada vez mais isolado, vendo antigos aliados o aconselhando a desistir da disputa.
Com isso, em 21 de julho, o presidente dos EUA anunciou que estava desistindo de disputar a corrida eleitoral e demonstrou apoio à indicação do nome da vice-presidente, Kamala Harris, para entrar no seu lugar e representar o Partido Democrata nas eleições presidenciais.
“Foi a maior honra da minha vida servir como seu Presidente. E, embora tenha sido minha intenção buscar a reeleição, acredito que seja do interesse do meu partido e do país que eu me afaste e me concentre exclusivamente no cumprimento de minhas obrigações como presidente pelo restante do meu mandato”, dizia parte da carta publicada por Biden nos seus perfis em diferentes redes sociais.
Kamala Harris oficializada como a candidata pelo Partido Democrata
A vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, foi oficializada em 6 de agosto como a candidata do Partido Democrata à presidência. Para compor a chapa que definitivamente concorrerá nas eleições do país, ela escolheu o nome do governador de Minnesota, Tim Waltz, como candidato a vice.
A decisão foi divulgada depois de votação que teve duração de cinco dias e foi feita entre os delegados do partido de maneira remota. Na ocasião, Kamala obteve o apoio de 4. 567 membros, ou seja, 99% do total.
O Partido Democrata agiu de forma rápida para definir as alterações na chapa presidencial e encontrou união em torno do nome da atual vice-presidente. À proporção que o tempo passava, Kamala Harris vinha ganhando o apoio de diversas lideranças e figuras simbólicas relacionadas ao partido. Outro efeito que pode explicar isso foi a energia que a líder política trouxe para a campanha que chegou a quebrar recordes de arrecadação.
Na Convenção Nacional Democrata, que aconteceu entre os dias 19 e 22 de agosto, diferentes pessoas subiram ao palco para manifestar apoio a campanha de Harris e reforçar oposição a candidatura de Trump. Joe Biden, que ocupará a Casa Branca até janeiro de 2025, voltou a fazer aparição pública no evento do partido e encerrou a primeira noite da convenção discursando. Nos dias restantes, os destaques ficaram para as falas dos ex-presidentes do país, Barack Obama e Bill Clinton, além da ex-primeira dama, Michelle Obama. Encerrando a última noite, Kamala enfim discursou e aceitou formalmente a nomeação do partido cumprindo a tradição do processo.
“Em nome de todos cujas histórias só poderiam ter sido escritas na nação mais grandiosa na Terra, eu aceito sua nomeação para ser Presidente dos Estados Unidos da América”, disse a atual vice-presidente.
Neste contexto, no dia 5 de novembro de 2024 acontecem as eleições presidenciais nos EUA. O vencedor entre Kamala Harris e Donald Trump terá a missão de governar o país ao longo de um mandato de quatro anos e deve assumir o controle da Casa Branca no dia 20 de janeiro de 2025, sucedendo a gestão de Joe Biden.
Foto de capa: Reprodução/Pexels
Reportagem de Gustavo Pinheiro, com edição de texto de Gabriel Ribeiro
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