Janis Joplin foi uma das figuras mais emblemáticas da virada dos anos 1960 e 1970. Com sua voz rasgada de cantora de blues e visual hippie, morreu aos 27 anos. Uma de suas últimas marcas, em 1970, foi, coincidentemente, no Carnaval no Rio de Janeiro. Este é o tema do documentário “Janis: Amores de Carnaval, Memórias de Ricky Ferreira e Convidados”, da diretora Ana Isabel Cunha, que teve sua estreia no Festival de Cinema do Rio, que acontece entre 3 e 13 de outubro.
O longa tem como fio condutor os relatos de Ricky Ferreira, fotógrafo que hospedou Janis em seu apartamento em Copacabana. A artista veio ao Brasil para um detox de heroína e conhecer o Carnaval carioca. Ricky conheceu Janis na praia, em frente ao Copacabana Palace, célebre hotel em que a cantora havia sido expulsa por ficar nua na piscina. Além de conduzir toda a narrativa documental, ele sustenta o trabalho com entrevistas e depoimentos emocionantes. Alguns outros personagens que encontraram ou conhecem a história de Joplin foram Alcione, Baby do Brasil e Walter Casagrande, que não tem a mesma relevância narrativa.

A cantora, que havia lançado “I Got Dem Ol’ Kozmic Blues Again Mama!” no ano anterior, fez de tudo em terras cariocas. Bebeu, fumou, namorou, curtiu o Carnaval , foi barrada do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Eventos e lugares elitizados assim não eram a cara de Janis. Um exemplo disso, além de seu convite à se retirar do Palace, foi sua presença em botequins, bebendo foguinho paulista e cantando para prostitutas e marinheiros. “Ela é a rainha do underground”, como disse Alcione lembrando da fala de Serguei sobre a diva do blues rock. Janis, de fato, era uma outsider.
Em certos momentos, enquanto não mostra o que Ricky tem a dizer enquanto testemunha ocular, o filme roda em círculos. Apesar de 76 minutos de duração, cenas sobre o quanto Janis bebia são repetitivas. O abuso de substâncias era algo que todo mundo conhecia da história de Joplin. Junto das repetições, há a graça de que ela estava sempre bebendo, ou pegando no sono com um cigarro aceso. “É uma figura”. Perto do fim do longa, isso é deixado de lado, abruptamente, por um relato de Casagrande sobre a diferença entre um dependente químico e um usuário, que ressalta a tristeza do vício.

No entanto, “Janis – Amores de Carnaval”, acerta na honestidade do que aconteceu na passagem de Joplin pelo Rio de Janeiro. Há poucos registros em fotos da artista americana pelas terras cariocas, e nada em vídeo. Toda essa sua passagem foi regada por mistérios em biografias e relatos até o momento. Porém, seu impacto é tão significativo, que cria imagens caleidoscópicas do que foi Janis Joplin, e como o Rio impactou sua vida. A artista faleceu 8 meses depois de sua passagem aos 27 anos.
Confira o trailer de “Janis – Amores de Carnaval, Memórias de Ricky Ferreira e Convidados”, que integra o circuito da 26ª edição do Festival do Rio:
Foto de capa: Ricky Ferreira
Crítica de Vinicius Corrêa, com edição de texto de João Agner
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