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Autora de “Os Instrumentos Mortais” adianta que personagens brasileiros podem ter mais destaque em seus livros

A autora esteve presente na Bienal do Livro para conversar com os fãs da saga.

Neste sábado (02), a autora da saga “Os Instrumentos Mortais” esteve presente em uma sala lotada de fãs na edição que celebra 40 anos de Bienal do Livro, que ocorre no Riocentro, na Barra da Tijuca. Em uma conversa com o influenciador digital de conteúdo literário Alec Costa, a escritora de fantasia respondeu as perguntas dos leitores e se dispôs a uma sessão de autógrafos reservada a 500 pessoas.

A sala ‘Palavra-Chave’ estava lotada de fãs da autora naturalizada como norte-americana. (Foto: Larissa Martins/Agência UVA)

A saga “Os Instrumentos Mortais” é composta por seis livros, lançados entre 2007 a 2014, sendo que o primeiro, “Cidade dos Ossos”, foi adaptado para os cinemas em 2013. Em 2016, a história foi transformada em série da Netflix, que consta com três temporadas. Na trama, a protagonista Clary Fray descobre que tem sangue angelical e se torna parte de uma raça de caçadores de demônios, os shadowhunters.

O entrevistador Alec Costa fazia as perguntas em português, enquanto a autora Cassandra Claire recebia a tradução simultânea em inglês. Para os ouvintes, a Bienal disponibilizou fones de ouvido com a tradução, para que todos fossem capazes de entender a autora naturalizada como norte-americana. Também haviam intérpretes para a população surda.

“Quando os jovens leitores crescem com os seus livros, você se sente parte da vida deles”, reflete a escritora, que marcou a adolescência dos fãs.

Alec disse que escolheu esse nome artístico baseado em um dos personagens de ‘Os Instrumentos Mortais’, Alec Lightwood, pois foi a primeira vez que o jovem da Baixada Fluminense viu uma pessoa LGBTQUIA+ ser representada na ficção de forma afortunada. Cassandra respondeu que “se o meu personagem está feliz sendo quem ele é, então você também pode”.

“Nós lemos para saber que não estamos sozinhos”, pondera a autora, que é conhecida pela diversidade de seus personagens.

O influenciador digital perguntou a Cassandra qual foi a principal mudança que ela observou no mercado editorial durante seus anos de atividade. A escritora diz que, há 17 anos atrás, quando ela ingressou no gênero young adult, as editoras eram muito mais restritas. Ela precisava deixar claro que haveriam personagens gays, trans e neurodivergentes na história, pois havia uma resistência a diversidade. “Agora, nos Estados Unidos, vemos que meus livros estão sendo banidos na Flórida e no Texas”, evidencia Cassandra.

“Temos que continuar escrevendo e indo para frente. Precisamos deixar esses livros para quem precisa deles”, ressalta Cassandra Clare.

A escritora afirma que a confiança em seu próprio trabalho cresceu à medida que outros autores também começaram a escrever personagens diversos, como transgêneros e autistas, logo, ela sentiu que podia expandir os limites. “Todo mundo pode ser um shadowhunter“, destaca Cassandra.

À esquerda, o influenciador digital Alec Costa, e à direita, a escritora renomada Cassandra Clare. (Foto: Larissa Martins/Agência UVA)

Alec ainda questionou como a autora faz para pesar os dilemas humanos encontrados pelos personagens, que são anjos que salvam o mundo. Cassandra afirmou que, na ficção de fantasia, é essencial que o público se identifique com as questões dos personagens. Caso contrário, a história não é convincente.

No final da entrevista, Alec pergunta se existe a possibilidade de ver algum personagem brasileiro tendo algum destaque. Cassandra responde que “esperamos que sim, mas precisa haver mais pesquisa para que eu não cometa nenhum erro”. A escritora conclui a conversa dizendo que não vai contar nenhum spoiler.

Foto de capa: Larissa Martins/Agência UVA

Reportagem de Larissa Martins, com edição de texto de João Agner.

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