Por Larissa Martins
Em continuação a ‘morrer de rancor e continuar vivendo’, posso afirmar, para quem estava curioso, que sim, ele leu a crônica. Não houve resposta, como já era esperado por mim. Ele não se importa com o meu sofrimento. Percebo, hoje, que o garoto pelo qual me encantei foi um personagem bem construído. Ao menos, a venda foi retirada dos meus olhos.
Me pergunto se ele gostou do garoto manufaturado para me conquistar: uma pessoa ambiciosa, cujos sonhos eram similares aos meus. Um “artista angustiado”, que, no entanto, não produz nenhuma arte, pois, para isso, é necessário ter coração, algo que ele não tem. Me agarrei ao potencial dele, enquanto não enxerguei o meu próprio. Eu, que esperava receber um poema, hoje, escrevo crônicas sobre ele, minha fonte de inspiração. Queria ser Afrodite, me tornei Nêmesis.
Por muito tempo, eu observei a forma carinhosa sob a qual ele tratava as outras pessoas. Um “príncipe” em ascensão, soube manter a máscara até ganhar uma falsa coroa. Eu soube que, agora, a gentileza é selecionada aos poucos que podem oferecer alguma vantagem. Tornou-se uma questão de tempo até que todos enxerguem quem ele realmente é.
No Dia dos Namorados, me presenteei com um cordão banhado a ouro, do tom da minha pele. “Coragem” está inscrito nele, uma joia muito simbólica. Depois de arrancar a minha mordaça, me senti mais leve. Ele sempre será uma pessoa infeliz. Depositei minha confiança e lealdade em uma cobra, fria e venenosa. Esperava ajudá-lo, mas ele me levou para o abismo junto com ele. Apesar disso, sei que minhas raízes são fortes, como uma oliveira.
O menino que dizia me adorar nunca me viu como uma amiga. Para ele, eu era somente uma boneca que estava disponível, facilmente descartável. Um “corpo muito bonito” que se recusou a realizar suas fantasias obscuras. Uma meta para preencher sua coleção imaginária de garotas conquistadas.
No Carnaval, me fantasiei de Rainha de Copas, ele disse que eu estava linda. Mal sabia que seria eu a decapitá-lo.
Foto de capa: Reprodução/Beyoncé (“Sorry”)
Crônica por Larissa Martins, com edição de texto de João Agner.
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Estou orgulhosa de você, Larissa! Sua escrita é emotiva e incisiva.
muito obrigada ❤