Jornalista que sobreviveu a tragédia da Chapecoense em 2016 morreu na noite desta terça-feira (26) de mal súbito
Rafael Henzel, 45 anos, teve um infarto na noite desta terça-feira (26) enquanto jogava uma partida de futebol com os amigos em Chapecó. O jornalista teve um infarto e na mesma hora foi levado ao hospital regional mais próximo ainda com sinais de vida, mas não resistiu, segundo o Globo Esporte.
O profissional trabalhava na Rádio Oeste Capital, seu trabalho mais recente, onde ingressou um ano depois da tragédia com o voo da Chapecoense. O radialista deixa esposa e um filho de 10 anos. Um ano após o acidente, Rafael lançou um livro sobre a vida, “Viva como se estivesse de partida”. O velório foi aberto ao público na manhã desta quarta-feira (27), em local próximo à Arena Condá. A família de Rafael autorizou a doação dos demais órgãos, pois estavam em bom estado para transplante, segundo G1.

Repercussão da morte
Sidney Reinhold, radialista na Cultura FM, em Timbó, Santa Catarina, também comentarista esportivo e técnico de atletismo adaptado, já estava em contato com Rafael, pois os dois iriam narrar uma partida da Chapecoense no dia 14 de abril. “Rafael é uma pessoa que transmitia uma energia muito positiva. Solícito, de bem com a vida e muito bem humorado. Realmente dava para ver que ele amava não somente o rádio, mas, principalmente, a vida no meio esportivo. Lugar que fez muitas amizades. Era muito querido e admirado por sua paixão pelo futebol, em especial à Chapecoense, mas também por levar, através da rádio, um forma bem peculiar de transmissão e comentários esportivos, com transmissões vivas, muita emoção, levando o público ao delírio pelas ondas do rádio. Uma pessoa carinhosa. Vai deixar muita saudade e uma lacuna na rádio catarinense”, relata Sidney.
O jornalista esportivo Lédio Carmona também comentou a morte do colega de profissão. “Rafael Henzel afagou meu coração várias vezes depois do acidente em Medellin. Sempre dizia que não houve sofrimento a bordo, que o ambiente era alegre e que o pânico não aconteceu. No fundo, um super-herói. Escapou da tragédia e com seus relatos trazia um pouco de paz e conforto para quem perdeu alguém naquele acidente maldito. Hoje, sem dizer adeus, Henzel se foi enquanto jogava futebol em Chapecó. Escapou entre amigos. Morreu entre amigos”.
Flávio Reitz, atleta paralímpico de Itajaí, Santa Catarina, comenta sobre a morte do jornalista. “É uma perda muito grande, pela história jornalística dele. Um ser humano de grande importância na área e também por conta de toda a história que circunda o acidente e a sobrevivência. É realmente uma pena, a gente fica consternado, o estado todo está em luto”.
Mônica Nunes, doutoranda em comunicação social pela UERJ e professora de radiojornalismo na UVA, também expressa seus sentimentos pela perda de um ícone do jornalismo esportivo. “É lamentável, uma grande perda, ele que conseguiu se salvar daquele acidente da Chapecoense, falecer dessa forma tão inesperada. A vida é realmente um sopro e a gente percebe que do nada as pessoas estão aqui, mas daqui a pouco, desaparecem. Acho que é uma grande perda para o radiojornalismo esportivo. Que ele descanse em paz”.
Muitos jornalistas e amigos próximos a Rafael se posicionaram em suas redes sociais devido a morte do jornalista, inclusive dois dos sobreviventes da tragédia da Chapecoense, os jogadores Alan Ruschel e Jakson Follmann.


Priscilla Romana – 7° Período

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