Cinema

Potencial desperdiçado

038061-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxTodos que conhecem um pouco da arte sabem que existem roteiros cinematográficos que quase sempre dão certo com o grande público. Uma verdadeira fórmula de escrita apelativa que tem o segredo do sucesso. Pensando nisso, o diretor David Frankel e o escritor Allan Loeb fizeram o filme “Beleza Oculta”. Todavia mesmo contando com um elenco de peso, o longa peca pelo exagero de se reafirmar e se torna previsível e cansativo.

Contextualizando, Howard (Will Smith) é sócio majoritário de uma agência publicitária de wall street. O empresário é conhecido por ser um dos homens mais felizes e motivadores do local. Todavia, depois de uma tragédia, ele entra em depressão e, com isso, acaba levando a empresa para o mesmo caminho. Pensando em salvar a companhia, Whit (Edward Norton), Claire (Kate Winslet) e Simon (Michael Peña) descobrem que o chefe está mandando cartas para entidades (morte, amor e tempo) e contratam atores para armar uma espécie de armadilha para provar que ele estava enlouquecendo e, assim, tirar a empresa de seu nome.

Brigitte (Helen Mirren) foi a escolhida para interpretar morte, Amy (Keira Knightley) o amor e Raffi (Jacob Latimore) o tempo. Até ai a premissa mostra potencial, o problema é quando o roteiro cria sub tramas genéricas, com as quais a relação desses atores escolhidos casa exatamente com a vida pessoal de cada recrutador. Outro erro grotesco é a necessidade de se reassumir o discurso motivacional do longa. Por diversas vezes, o diretor bate na mesma tecla, fazendo com que o espectador fique com o sentimento de: “eu já sei disso, não precisa repetir”.

Essa fórmula de roteiro genérica, que só tem o intuito de emocionar quem está vendo é quase um insulto para quem criou expectativa acerca do tema abordado. Em tempos como os atuais, a depressão é uma doença que merecia ser tratada com mais seriedade. Ainda mais em um longa com grandes atores, que dá ainda mais visibilidade para este mal. Falando do elenco pomposo, o diretor não aproveitou a capacidade individual de cada um, o que tornou as atuações bem medianas. A única que se destaca um pouco é a de Will Smith, que faz a melhor cena do filme, já no final do último ato. No fim das contas, “Beleza Oculta” é um filme apelativo que só existe para fazer o espectador chorar.


Iago Moreira- 7º Período

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