O ano é 1879. A jovem Felicie sonha em ser uma bailarina, no entanto, as condições não são as mais favoráveis, afinal, a menina vive em um orfanato na França. Porém, decidida a alcançar os objetivos, a órfã conta com a ajuda do amigo Victor – um aspirante a inventor – para fugir da região rural da Bretanha e seguir em direção à Opera de Paris. Esta é a sinopse da animação franco-canadense “A Bailarina”, que chega aos cinemas brasileiros em 26 de janeiro, após fazer sucesso no circuito europeu e americano no último natal.
A princípio, a trama pode parecer simplória e semelhante a muitas outras já exibidas nas sessões vespertinas de filmes, porém o diferencial está na maneira como a história é conduzida. Em um ano no qual as produções cinematográficas voltadas para o público infantil foram dominadas por animais falantes – como “Pets – A Vida Secreta dos Bichos”, “Zootopia – Essa Cidade É O Bicho” e “Procurando Dory” – e criaturas indefinidas – como “Os Minions” –, um longa protagonizado por uma jovem fora dos padrões aceitáveis da época – lembrando que o filme se passa no século XIX – em busca de um sonho ganha destaque.
O roteiro de Carol Noble e Eric Summer cumpre muito bem a tarefa de desenvolver a “Jornada do Herói” – que, há alguns anos, vem sendo esquecida em meio a tantas distopias adolescentes que dominaram o cinema mundial no último decênio e visam apenas o lucro em detrimento do enredo. Em “A Bailarina”, Noble e Summer conseguem fazer com que o público se interesse em acompanhar a caminhada de Felicie desde a sua fuga do orfanato, passando pela chegada ao Grand Opera, o belíssimo laço de amizade com a zeladora da academia, as aulas de balé – onde Felicie é a aluna menos preparada –, e as audições para a próxima montagem da escola, até o final.
Além disso, um ponto alto do filme está na direção – geralmente, pouco lembrada por público e crítica em animações –, porém, tratando-se de uma produção cujo pano de fundo é a dança – em especial o balé clássico –, as coreografias devem ser bem trabalhadas e detalhadas, e os diretores Eric Summers e Éric Warin cumprem esta tarefa de forma habilidosa, com performances capazes de impressionar o público. Outro destaque de “A Bailarina” está na interpretação dos atores que dão voz às personagens – especialmente, o trabalho impecável das novas promessas de Hollywood, Elle Fanning (“Felicie”, que, o Brasil, é dublada pelo prodígio da televisão nacional Mel Maia) e Dane DeHann (“Victor”).
É claro que por ser um filme voltado para o público infantil e que envolve uma “competição” – as audições para a próxima peça –, certas características e clichês que ambos os gêneros estão presentes, mas não é nada que atrapalhe o desenvolvimento do longa. A “rival” muito mais preparada está presente, personificada na jovem Camille – dublada pela nova “America’s Sweetheart”, Maddie Ziegler –, e a “Mensagem de Fundo Moral” também. Aliás, este último é o ponto mais rico do enredo, pois tudo o que a trama quer dizer é “Sonhe grande e vá atrás dos seus sonhos”, fazendo com que “A Bailarina” seja um filme não apenas para crianças, mas para todo tipo de público.
Daniel Deroza– 4º Período

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