É preciso muita fé para gostar dessa trama…

569261-jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxOs anos passam, mas o fardo de adaptar histórias de videogames no cinema continua sendo um peso no sapato das produtoras. É verdade que algumas vezes – mesmo que raramente – dá certo. É verdade, também, que os filmes inspirados em quadrinhos sofreram com esse mesmo peso no início da transição. Mas nada justifica a pressa que a maioria das empresas tem em querer resumir anos de informações bem desenvolvidas nos games, em 2 horas na telona. E parece que foi exatamente isso que a Ubisoft tentou fazer com “Assassin’s Creed”.

A empresa, mundialmente conhecida por jogos como “Just Dance”, “Far Cry”, “Watch Dogs” e outros, não soube trabalhar sua melhor franquia nos cinemas. A intenção inicial, divulgada para a mídia, até era boa. Contratar Justin Kurzel para dirigir a obra foi uma ótima ideia, uma vez que isso faria com que além de trazer boas indicações de elenco, o longa teria uma linguagem própria do diretor, famoso por trabalhar em “Macbeth: Ambição e Guerra”. Apostar em uma história um pouco diferente dos games também foi um acerto ideológico, mas – na prática – o que se viu foi um produto completamente comercial e raso, que nem de perto aproveitou o potencial que tinha.

Contextualizando, ‘Cal’, ou Callum Lynch (Michael Fassbender), é um assassino condenado à morte escolhido pela Abstergo Industries para participar de uma experiência, que se baseia no teste do Animus, uma máquina que permite fazer com que seu usuário explore a memória genética dos antecessores, nesse caso a pessoa em questão é Aguilar de Nerha, um assassino espanhol do século XV que luta contra a tirania da Ordem dos Templários e quer encontrar a Maçã do Éden para impedir que os ditadores a destruam, o que acabaria com o livre-arbítrio do mundo.

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Como dito, a premissa é muito boa. Complexa e com a possibilidade de fazer diversas referências históricas, essa trama poderia ser mais bem explorada. Poderia, mas não foi. Para não falar que tudo foi ruim, o primeiro ato do filme empolga. Enquanto tudo está sendo apresentado ao público, o trabalho é bem feito. Mas depois dos 30 minutos iniciais, as coisas começam a desandar.

Depois de mostrar quem são os Assassinos, os Templários e qual o objetivo final, começa o segundo ato, que deveria aprofundar mais o expectador nos fatos apresentados inicialmente e responder todas as dúvidas básicas sobre o universo da trama, mas que na prática não explica nada. Os fatos são simplesmente jogados na tela, sem nenhum porquê. Sem nenhuma desculpa. Com isso, as coisas ficam tão superficiais, que passam a ser descartáveis e não cria nenhum vínculo com quem está assistindo.

O final do filme é o que mais da pena (desgosto/raiva). Com respostas rápidas e sem empolgação, a cena de encerramento chega a ser ridícula, desafia o nível de inteligência do expectador e fecha a história com um gostinho de “ainda bem que acabou”.

Depois de analisar a, fraca, história, é hora de falar das outras partes técnicas. A fotografia de Kurzel é muito boa. O toque poético que o diretor dá à obra chega a impressionar e soma pontos positivos. Assim como a atuação do elenco principal, composto pelo assassino Cal Lynch (Michael Fassbender) e pela Dr. Sofia (Marion Cotillard), que fizeram um bom trabalho, mesmo com o roteiro fraco.

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Seguindo falando sobre os pontos positivos, as cenas de combate também são bem gravadas e empolgantes. Na verdade, quase tudo o que se passa no período do século XV é bom, o problema é quando a trama vem para o presente, é ai que os pontos negativos já citados começam a aparecer. A produção também merece palmas por ter adaptado muito bem a Espanha Renascentista.

Mesmo com esses pontos positivos, os negativos ainda pesam mais na balança, bem mais. Talvez se a obra não fosse tão apressada, o contexto histórico pudesse ser mais bem explorado. Talvez se os elementos principais fossem mais bem explicados, o público leigo sentiria mais empatia. Talvez se o filme não fosse a adaptação de uma franquia famosa de games, não seria tão criticado e ia ser julgado apenas como um filme comum de ação. São muitos “talvezes” que poderiam ter sido feitos, mas não foram. Então a comparação com um filme de “Sessão da Tarde” é justo, assim como as baixíssimas notas da crítica especializada. Uma pena para a arte cinematográfica, mas indiferente para os grandes empresários, que vão faturar mesmo assim.


Iago Moreira- 6º Período

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