Cinema

Uma luta dentro e fora dos ringues

050851.jpg-r_1920_1080-f_jpg-q_x-xxyxxNos últimos anos o cinema brasileiro não tem surpreendido o público, mas parece que a tentativa de mudar esse quadro está sendo relevante. Um exemplo dessa nova tendência é o filme “Mais forte que o mundo – A história de José Aldo”, que estreia nesta quinta (16). A dramatização traz a cinebiografia do lutador amazonense que se tornou o primeiro campeão do peso-pena do UFC.

O filme tem no elenco artistas como José Loreto, no papel de José Aldo; Cléo Pires, como Viviane Aldo; Jackson Antunes, como Seu Zé; Claudia Ohana, como Rocilene; Paloma Bernardi, como Luiza; Milhen Cortaz, como Dedé Pederneiras; e Rômulo Arantes como o Fernandinho.

Mesmo não conhecendo muito o MMA, o diretor Fábio Poyart (“2 Coelhos” e “Presságios de um crime”) foi chamado pela Paris Filmes para produzir um filme sobre um lutador. “Até aquele momento não tinha um José Aldo, foi tudo meio que uma pesquisa no Google. Comecei a procurar sobre a história dele, falei ‘Cara, é esse cara’. Ele não era nem tão famoso na época. Mas eu me empolguei com a história dele, merecia ser contada”, conta o, também, roteirista do longa.

Fábio, que tem como assinatura efeitos de câmera lenta dão um tom dramático para as cenas, retrata no material de divulgação da peça, o ‘ritmo intenso’ do filme e mesmo sendo muito fidedigno, teve que acrescentar uma pitada de fingimento. “O equilíbrio do que é ficcional e o que é real foi muito desafiador para escrever o filme. Agora, aproveitei e dei um upgrade no José Aldo, ele ficou ‘bonitão’ na pele do José Loreto”, relata o diretor, em meio a risadas.

O filme apresenta muitas cenas de lutas e treinos intensos, dignas de um lutador de MMA. Isso acrescenta um tom de originalidade na obra, se comparado aos outros longas do cinema atual, principalmente o brasileiro que vêm sofrendo uma difícil caracterização no mercado cinematográfico devido aos diversos clichês apresentados nos filmes. Percebe-se que foi preciso muita preparação e ensaio para que cada take tivesse vida. “Têm muita câmera lenta, é uma assinatura minha que eu teto levar para os filmes. Mas a briga no bar, por exemplo, demoramos três dias para conseguir fazer. Ação é uma parte muito chata de se fazer, chato para quem faz, legal para quem vê”, afirma o Fábio.

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O roteiro muito bem trabalho e original, apresenta toda a trajetória do campeão José Aldo que saiu da periferia de Manaus rumo ao Rio para finalmente se estabelecer como um dos maiores nomes brasileiros do MMA. O lutador foi campeão peso pena do UFC. Depois de tudo escrito, o atleta conferiu script e gostou muito do que viu. “Ele me deu uma carta branca, o restante da história, o coração, deixei todo autêntico e verdadeiro perante a trajetória dele”, revela o Fábio Poyart.

A escolha dos atores foi essencial para colocar a história nas telonas. José Loreto por sua vez conseguiu capturar toda a essência do lutador, conseguindo – assim – passar toda a superação e sofrimento para o público.  No filme, Aldo passa por uma situação totalmente adversa do amazonas, com o objetivo de ganhar o mundo e até mesmo com um certo ódio na bagagem, que é o mesmo que ele coloca em suas lutas, fazendo com que isso sirva de uma mola propulsora de uma certa forma.

“Eu descobri a fúria dentro de mim interpretando esse personagem mais linda da minha carreira até hoje. Eu só tenho a agradecer ao Aldo por ser essa inspiração não só para mim, mas para muita gente. É lindo ver a forma como ele trata a vida, uma história dura, que faria qualquer um desistir e ele mostrou que persistência realmente leva qualquer um a alcançar seus objetivos”, diz José Loreto.

A dramaturgia tende a prender o público e acaba retratando problemas relacionado ao cotidiano de muitas pessoas como: álcool e violência doméstica. Fazendo com que as outras apresentações não passem desapercebidas, como a emoção que a atriz Claudia Ohana e Jackson Antunes transmitem para o telespectador. É realmente de impressionar.

Fica nítido os momentos de ficção da trama, mas nada que fuja da realidade vivida pelo lutador.  “Todo mundo sonha um dia em ter sua história retratada em um filme, ou em um livro e graças a deus escolheram a mim. É um orgulho, uma emoção enorme em vê tudo o que eu vivi sendo passado para as pessoas”, conta, emocionado, o lutador José Aldo.

Em meio a tantas repetições de filmes nacional, “Mais forte que o mundo – história de José Aldo” tem tudo para ser um diferencial e a originalidade do roteiro pode ser essencial para alavancar e tirar todos aqueles clichês que o mercado cinematográfico brasileiro têm apresentado ultimamente.


Brigida Brito– 7 período.

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