#Rio2016: Golfe

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Golfista Daniel Stapaff durante evento-teste no Rio

O golfe surgiu na Escócia durante a Idade Média. No Brasil, chegou junto com engenheiros ingleses e escoceses, responsáveis pela construção da Estrada de Ferro Santos – Jundiaí. Depois de muita conversa, esses profissionais convenceram os monges do Mosteiro de São Bento a cederem parte do terreno deles para a criação do primeiro campo totalmente dedicado a esse esporte no país.

Nas Olimpíadas, foi disputado nas edições de 1900 e 1904. Entretanto, perdeu o posto de modalidade olímpica por falta de interesse do público e também pela discordância sobre o método de jogo. Mais de um século depois, contudo, o golfe volta aos Jogos Rio 2016, no formato stroke play. Segundo Daniel Stapff (6º colocado no Ranking BR), o retorno do esporte é algo incrível para a evolução da prática. “A divulgação para pessoas que nunca tiveram contato com a modalidade vai aumentar muito e o mundo vai poder conhecer um pouco mais sobre esse jogo maravilhoso e desafiador”, comenta o atleta.

Daniel começou a jogar golfe aos 14 anos, idade considerada um pouco tardia segundo ele. “A maioria dos jogadores de ponta começou antes mesmo dos cinco anos, então eu sempre tive que correr atrás desse tempo perdido” completa o atleta, que no início da ia ao campo de golfe arrastado pelo pai, chegando ao ponto de torcer para chover aos sábados, para que o passeio fosse cancelado.

Mas a vitória em um torneio para iniciantes no Clube Curitibano fez com que a vontade de treinar aumentasse. A partir deste ponto, o jogador começou a ganhar destaque em eventos de nível nacional, até que foi convidado pela Confederação Brasileira para representar o país no Sul-americano pré-juvenil de golfe em 2005. “Foi assim que decidi que era isso que queria fazer da minha vida. Intensifiquei meus treinamentos e tracei o objetivo de um dia me profissionalizar”, completa o jogador.


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Praticamente com a mesma idade – aos 12 anos – Miram Nagl também iniciou sua jornada no mundo do golfe durante uma viagem com a família à Tunísia. A decisão de tornar o esporte sua profissão, entretanto, veio apenas na universidade. “Percebi que jogava bem e foi relativamente fácil para mim”, conta a atleta.

A rotina de treinos dos atletas é bem puxada. Quando não está disputando torneio, Daniel vai ao campo seis dias por semana: seis horas praticando todas as áreas do golfe e mais duas horas de academia, que incluem levantamento de pesos, trabalhos de coordenação e exercícios específicos do esporte e alongamentos. Este último também é parte importante nos treinos de Miriam, que foca em praticar a velocidade nos quadris. “Também trabalho muito em frente ao espelho (…) Quanto mais um atleta se dedica, mais ele recebe em retorno”, confessa a golfista.

A rotina sacrificante e as dificuldades no esporte já fizeram ambos pensarem em desistir da carreira. Com Daniel, a crise mais séria de todas foi em 2014, após um torneio disputado no Peru. Porém, já na busca por um outro emprego, ele foi surpreendido com uma proposta de patrocínio da YKP Soluções e Informática. “Foi o incentivo que eu precisava para seguir correndo atrás dos meus objetivos. Ainda temos esse contrato e o patrocínio da YKP é fundamental para meu jogo”, finaliza o jogador.

Já Miriam acabou sofrendo um acidente de ski no início de 2007. Ela rompeu o ligamento cruzado anterior e perdeu a turnê nos Estados Unidos. “Eu pensava frequentemente: ‘é isso, acabou’. Mas graças ao meu treinador, consegui encontrar a motivação novamente e dei a volta por cima. Eu espero que, esse ano, eu possa dizer que minha participação nos Jogos Olímpicos foi o grande momento da minha carreira”, completa a atleta.

Altos impostos dificultam crescimento

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Miriam Nagl em torneio internacional

No Brasil, o desenvolvimento do golfe esbarra em alguns obstáculos. Ricardo Melo, comentarista da ESPN, explica que o esporte vem, de fato, crescendo. Em dez anos, a Confederação Brasileira atingiu o número de 25 mil credenciados e novos campos foram construídos, somando um total de 200 no país. Mas alguns pontos complicam a prática.

A audiência nas transmissões da ESPN é razoável para o esporte, mas ainda falta maior divulgação por parte da mídia. Outro grande problema são os altos impostos sobre os equipamentos. Como o Brasil não produz o material necessário, tudo é importado. Um kit com um nível ‘aceitável’ de jogo, que nos Estados Unidos custa $500 (R$1.765,00), aqui sai por cerca de R$3.000 e acaba sendo considerado um supérfluo de luxo. “O golfe precisa de investimento e deve ser utilizado como maneira educativa. Por não ter juiz, é um esporte que exige muita honestidade”, explica Ricardo.

Os Jogos Olímpicos de 2016 acendem uma chama de esperança para a modalidade. Por ser país sede, o Brasil já tem vaga garantida e, se depender de Daniel Stapff, será muito bem representado. “O fato de os Jogos serem no Rio traz um gosto ainda mais especial para nós, brasileiros. Ainda acredito que posso representar o Brasil em 2016 e todos os dias corro atrás desse objetivo”, comenta o atleta.

Para Miriam, que hoje está classificada para as Olimpíadas, durante o evento o golfe vai atingir pessoas que nunca viram a modalidade pela TV. “Espero que alguns jovens brasileiros e brasileiras gostem e comecem a seguir esse esporte” opina a golfista, que completa falando que por outro lado essa nova geração só poderá evoluir se a confederação der a poio a eles.

 


Nathalia Araújo – 7º período

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