T
rês narrativas que acontecem paralelamente, tendo como ligação temática a arte e o sexo. Michelle (Mariana Ximenes), modelo que sonha em ser escritora, mas é reconhecida apenas pela sua beleza, Emma (Alison Pill), criadora de bonecas sexuais hiperrealistas que busca padrões estéticos perfeitos e Edward (Gael García Bernal), um diretor de cinema cheio de si que, durante a produção de um filme, se depara com problemas sexuais.
“Zoom – Realidade Virtual” se desenvolve em uma mistura de live action com animação. Cada uma das histórias se desenvolve de forma aparentemente independente, com sua própria linguagem e seus próprios personagens. Contudo, as três se conectam de forma bem curiosa. Cada protagonista tem o destino decidido e criado pelo outro.
A forma como o longa é apresentado é interessante e criativa, com diálogos metalinguísticos entre as vidas de Michelle, Emma e Edward. Porém, peca na falta de uma boa história a ser contada, o que acaba ficando evidente no decorrer do filme. No terço final da produção, os acontecimentos se tornam um tanto mirabolantes, o roteiro parece se perder e não se conectar com o resto da obra.
O público, de fato, vai escolher sua trama favorita. A mais divertida e eficiente – provavelmente por ser uma animação e também pela atuação de Bernal – é a de Edward. Já as histórias das duas mulheres trazem uma leve reflexão sobre os padrões de beleza aos quais o público feminino é submetido nos dias de hoje e em relação a superficialidade com a qual as pessoas são tratadas.
Aliás, o diretor Pedro Morelli faz um esboço de discussão sobre a busca humana pela perfeição que, muitas vezes, quando ou se atingida, não traz felicidade. Mas o debate é apenas uma ideia não aprofundada. Talvez, se fosse, Morelli teria encontrado a sua “boa história” a ser contada.
No fim das contas, “Zoom” rende boas risadas. A obra faz valer a pena o preço do ingresso, mas talvez não o da pipoca.
Nathalia Araujo – 7º período

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