O FBI e um criminoso juntos em único objetivo, eliminar um inimigo comum: a máfia italiana. Nesta quinta-feira (12), a Warner Bros leva aos cinemas o filme “Aliança do Crime”, que conta a história sobre o mais temido gângster dos EUA, James “Whitey” Bulger. Líder da Winter Hill Gang, uma organização criminosa que controlava a extorsão e o tráfico em Boston. Jimmy Bulger – como é conhecido na região – é a própria imagem do mal, frio, calculista e impiedoso com os inimigos.
O drama conta a história verdadeira desta união inusitada que acabou saindo do controle, ao permitir que Whitey descumprisse leis de estado, a fim de consolidar seu poder.
O resultado?
Ele se tornou um dos gangsteres mais cruéis e poderosos da história de Boston.
Apesar de estarem em lados opostos, a relação de Whitey com seu irmão, Billy (Benedict Cumberbach), presidente do Senado de Massachusetts, e o agente do FBI John Connolly é forte e muito bem explorada no roteiro. Os três cresceram juntos na região de Southie, parte mais pobre da cidade de Boston. Isso fez com que eles aprendessem outros códigos, muito além daqueles que só estão presentes no papel. Os códigos da rua, isto é, lições morais que aprenderam quando pequenos.
Connolly propõe a seu chefe do FBI, Charles McGuire (Kevin Bacon), que Jimmy Bulger, vire informante para ajudar no extermínio da máfia italiana na cidade – o que é um objetivo comum entre eles. Surpreendentemente, o FBI concorda. Essa aliança acaba favorecendo somente ao Jimmy, que usa a nova “arma” para combater a concorrência, caso parecido com a história de Raymond Reddington, protagonista da série norte-americana “The Blacklist”.
Scott Cooper – que também dirigiu filmes como “Coração Louco” (2009) e “Tudo por Justiça” (2013) – fez um trabalho discreto, mas preciso. O roteiro de Mark Mallouk e Jez Butterworth é baseado no livro “Black Mass” dos repórteres Dick Lehr e Gerard O’Neill, do The Boston Globe, poderia ser um pouco mais enxuto na hora de incrementar os personagens e fatos. O filme é bom, mas se não fosse pelas belíssimas atuações de Joel Edgerton, Benedict Cumberbatch e – principalmente – Johnny Depp, a obra não seria tão comentada.
É preciso voltar alguns anos para lembrar a última atuação marcante de Johnny. Os filmes mais recentes do ator não atingiram as expectativas do público e uma pergunta pairou sobre o cenário cinematográfico: será que o ator se tornará uma espécie de Nicolas Cage 2.0? –Ainda não.
Toda a preocupação de Depp em conversar com o verdadeiro James “Whitey” Bulger, para interpreta-lo de forma mais humana e adquirir seus trejeitos deu certo. Depois de assistir a Aliança do Crime, o público pode comemorar e dizer: “Bem-vindo de volta, o Oscar é logo ali.”
Brigida Brito – 6º período
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