Você já ouviu falar na cidade de Sicário? Ela é um dos principais centros de cartel de drogas mexicano da vida real, e é nela mesma que se passa o novo longa-metragem policial da Paris Filmes. Com o lançamento marcado para dia 22 de outubro e um elenco de atores e atrizes premiados e nomeados ao Globo de Ouro e ao Oscar, este suspense traz críticas sociais e questionamentos morais em cada um de seus 120 minutos de ação.
Em “Sicário: Terra de Ninguém”, Kate Macer (Emily Blunt) é uma policial responsável, que age de acordo com a lei e trata de casos de sequestro, sendo o mais recente, um dos mais perturbadores que ela já presenciou em toda sua carreira. Quando é convidada por Matt Graver (Josh Brolin) para participar de uma operação especial que pode acabar com o mal pela raiz do mundo das drogas, ela aceita, mesmo que isto a leve a questionar seus princípios éticos. Alejandro (Benicio Del Toro) trabalha ao lado de Matt e possui um segredo que o torna uma peça persistente na missão. O parceiro de Kate, Reggie (Daniel Kaluuya), é como ela, ajuizado e consciente de seus atos, e presta uma ajuda emocional e suporte dramático para a personagem.
Nesta disputa entre Estados Unidos e México, é oferecida a pergunta: “Quem é o herói e quem é o vilão da história?”. Apesar de estar claro quem a indústria quer que transpareça como campeão, justificando atos brutais pelo lado americano, é difícil aceitar a realidade passada no filme. Esta é uma clássica história americana, em que alguns pontos se revelam inovadores, como a escolha de não abdicar cenas de pessoas vomitando, corpos em decomposição e membros decepados para talvez “poupar” o público. Entretanto, em outros pontos, se passam por preguiçosos, como o uso da câmera que em muitos momentos parece querer nos forçar a dizer: “sim, o pôr do sol é lindo, mas podemos voltar à ação?”.
Talvez o fato de este ser o primeiro roteiro de Taylor Sheridan (ator de Veronica Mars e Sons of Anarchy) justifique alguns diálogos sem sal durante o longa, mas nada que não seja compensado pela incrível atuação de todos os atores, com destaque para Josh Brolin, Benicio Del Toro e Emily Blunt. Inclusive, o diretor se orgulha em dizer que possui uma policial como protagonista, tentando agradar feministas de plantão, mas falha em mantê-la como uma personagem forte, principalmente a partir da conclusão final da narrativa.
Enfim, para quem gosta do gênero, com certeza vale a pena dar uma conferida nesta “Terra de Ninguém”. E o mais importante ao se assistir um filme como este é analisar, perceber o quanto a disputa se parece com algo vivido no Brasil entre favela e asfalto, e principalmente, dar o valor merecido a última cena e o quanto ela diz sobre a natureza social e a realidade de tantas pessoas.
Luana Feliciano – 2° Período
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