O jornalismo nunca se fez mais dinâmico. Em toda a história da imprensa foi possível observar que a profissão incorporou ao seu dia-a-dia métodos para que o profissional pudesse exercer com mais dinamismo um dos principais pilares da categoria. A notícia deve, sempre, estar o mais próximo possível do seu público alvo. A separação da literatura, a adição de fotografias e cores e até mesmo o início da diagramação dos jornais fizeram com que o impresso se tornasse mais inovador. Não distante a isso, a tão procurada inovação no jornalismo se dá, atualmente, na inserção do meio digital ao, até então, convencional. Entende-se por “inovação no jornalismo” a reformulação do seu modelo e a readaptação da maneira pela qual uma notícia é considerada publicável, sempre mantendo em mente as linhas editoriais e os princípios éticos que devem ser seguidos.
Seguindo esse modelo, o jornalismo ganhou mais uma segmentação. O Jornalismo Cidadão ou Colaborativo está cada vez mais presente. O imediatismo e a proximidade com a realidade fazem com que o leitor deixe de ser apenas o receptor da notícia. Ele pode, agora, realmente participar de sua elaboração. Para Mark Glesser, autor americano do livro “Nós-Mídia: como o público está moldando o futuro do jornalismo e da informação” “A ideia por trás do jornalismo cidadão é que pessoas não graduadas, quando treinadas, possam usar as ferramentas da tecnologia e a Internet para criar, argumentar e apurar fatos por sua própria conta ou em colaboração com um profissional de comunicação”. O conceito defendido Mark está sendo cada vez mais utilizado pelo jornalismo brasileiro. Telejornais, programas de rádio e sites especializados estão fazendo uso, com mais constância, do jornalista colaborador. Mas, cabe ao profissional decidir quais são aquelas notícias consideradas de importância para toda a população.
A principal dificuldade desse novo setor se encontra exatamente nesse ponto. Uma vez colaboradores, os cidadãos participantes de projetos como o “Parceiros do RJ” (Rede Globo) e “Você no G1” (Portal de Notícias G1) também necessitam ter o discernimento do que realmente é considerado de relevância. E é de responsabilidade do jornalista, consequentemente, entender por quê a população resolve recorrer à mídia para a solução de alguns problemas sociais. Em geral, colaboradores são pessoas comuns, que não têm graduação em jornalismo. Desse modo, como perceber o que é publicável?
A presença do jornalista colaborador não restringe áreas de conhecimento. Para Luis Gustavo Soares, 22 anos, estudante de Direito e participante do quadro “Parceiros do RJ”, a consciência do que é notícia é fator essencial para este segmento do jornalismo. ” Tenho a consciência de que devo seguir todos os preceitos da profissão que são compartilhados por profissionais da área, ainda mais porque nunca tive nenhuma noção do que era o Jornalismo antes de ser selecionado para participar do quadro”.
Visualizando o caráter da notícia por um outro ponto, M.G. , 47 anos, procura sempre utilizar canais para colaboração em sites de notícia para sugestão de pautas de denúncia. “Sempre quis ser jornalista, mas a vida acabou fazendo com que eu adiasse esse sonho. Uso sites de notícias para enviar abusos de autoridade que vejo no dia-a-dia. Me sinto mais próximo do meu sonho e também ajudo a sociedade”, completa.
O curto tempo de existência e o caráter experimental do jornalismo cidadão ainda deixam lacunas em aberto, prontas a serem aprimoradas. Isso acontece porque o espaço reservado aos não profissionais ainda é muito pequeno. São raros os internautas que lêem as notícias produzidas por amadores, visto que a falta de destaque é a principal razão que torna o campo do jornalismo colaborativo um terreno fértil e de experimentação.
Constância García – Jornalismo Digital – 6º período
0 comentário em “Jornalismo: criado para ser colaborativo”