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O papel na mídia e a igualdade racial na ABI

destaque1No dia 14 de outubro aconteceu na Associação Brasileira de Imprensa (ABI) o ciclo de palestras que tinha como tema o papel da mídia no debate sobre a igualdade racial. Entre os palestrantes estavam o jornalista Ancelmo Góis, do jornal O Globo, o antropólogo e jornalista Kássio Mota, que é autor de uma pesquisa acadêmica sobre a cobertura do tema pelo O Globo, Carlos Medeiros, coordenador da Coordenadoria Especial da Promoção da Igualdade Racial no município do Rio de Janeiro (CEPIR), Angélica Basti, membro da Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial (COJIRA) e Jesus Chediak, diretor de cultura e lazer da ABI.

Para Jesus Chediak, a associação será sempre a trincheira da liberdade de expressão, por isso, acha importante que a ABI acolha esse seminário sobre a liberdade de expressão dos negros nos meios de comunicação. Para ele, “na medida em que a população negra consiga ganhar espaços na sociedade, ela terá uma exposição mais aberta e favorável na mídia”. Ele cita ainda uma frase que ele escutou sobre a liberdade de imprensa. “Não existe liberdade de imprensa e, sim, liberdade de empresa”. Ainda foi lido um manifesto apoiado pela COJIRA-Rio.        

Este manifesto-mídia que tem o apoio de diversas organizações, como a Federação Nacional dos Jornalistas, que foi lido por Angélica Basti, denuncia a manipulação da informação pelas grandes empresas de comunicação. Um dos trechos lidos afirma: “que a maioria de nossos veículos de comunicação, evidenciando não apenas na grande desproporção de matérias desfavoráveis, mas também, de forma pouco mais sutil, no tratamento dispensado aos e opositores da ação afirmativa”. O veículo de imprensa que é questionado é o jornal O Globo.         

Ancelmo Góis, colunista do periódico, diz que sua coluna está sempre disposta ao debate democrático. Ele ainda fala sobre as políticas de ação afirmativa. “Desde o início eu fui a favor das cotas, apesar de achar que esta não é a solução perfeita, mas vamos trabalhar nisto. Quem me manda sempre notícias sobre essa questão é o Frei David, e não tem uma delas sobre o desempenho dos alunos cotistas que eu não publique”, afirma.

O jornalista pede que parem de “satanizar” os veículos de comunicação. “Isso é muito mais complexo. Difícil é ter paciência e ir ao local opositor e conversar”. Ele ainda citou outros profissionais do jornal que escrevem sobre o tema, como Elio Gáspari, que duelou com outros dois profissionais e Miriam Leitão. Porém, se vê muitas matérias contrárias ao sistema de cotas.

O jornalista e antropólogo Kássio Mota mostrou dados coletados entre 2002 e 2004 para um trabalho acadêmico intitulado “Da parcialidade da imprensa às liberdades democráticas”. O trabalho foi dividido em matérias, artigos, editoriais e cartas dos leitores. Ele afirma que não é contra O Globo. “Estou exigindo o meu direito de cidadão. Infelizmente, quando tentei falar com o jornal sobre a minha tese de mestrado sobre a parcialidade não obtive sucesso no meu pedido de acesso aos arquivos”.  Em três anos, apenas 8 textos eram positivos, 16 negativos e 27 neutros ao sistema de cotas.

Mesmo citando esses exemplos, Mota acha que o veículo deve posicionar, mas deve, também, dar espaço. O espaço dado pela publicação foi antidemocrático e não promoveu o debate. Kássio diz que os levantamentos devem ser feitos sistematicamente e distribuí-las para todos os veículos de comunicação e, assim, conscientizando-os.

Richard Hollanda – 8º Período

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Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

2 comentários em “O papel na mídia e a igualdade racial na ABI

  1. Avatar de Bitt

    Olá, Richard.
    Boa matéria. Você está fazendo o certo. É preciso ir pra rua, cobrir eventos, acontecimentos. Foi assim que aprendi e muitos outros jornalistas atuais, da minha e todas as épocas. Sem a rua não se aprende a ser jornalista. Cobrir, mostrar o texto a um professor. (Como aprendi na redação, mostrava aos meus chefes). É por isso que quero a Agência UVA cobrindo eventos e acontecimentos. Mas isso tem que ser uma preocupação constante de vocês. Jornalista deve estar com a atenção voltada para tudo que acontece ou vai acontecer (agendas em geral).

  2. Avatar de Milena Almeida
    Milena Almeida

    Legal saber que a UVA está levando os seus futuros jornalistas para cobrir eventos como este, que sem dúvida fazem a diferença para nós, profissionais de imprensa. Me formei na Veiga, defendi meu TCC com a temática do jornalismo afro-descendente e também estive nos dois dias de seminário. Parabéns Richard pela iniciativa de pautar um acontecimento como este.

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