Camilla Monteiro
Eu sou Flamengo e ele Botafogo. Como se não bastasse ser uma guerra por causa do time, somos infernos astrais, um do outro, até no signo! Se o meu time joga hoje, não saio por nada nesse mundo. Como o dele vai perder amanhã, ih… lá vem crise no namoro!
Se os dois enfrentam um clássico no Maraca, cada um pro seu lado da torcida e, dependendo do resultado, pro lado da cama também.
O meu time ter ganhado dois estaduais em cima do que ele chama de jogadores rendeu duas separações, e o meu ter sido eliminado da Libertadores e ele ter feito coro com os amigos para me sacanear me rendeu um amante e, para ele, um chifre!
Nossa relação é como o Campeonato Brasileiro, um sobe e desce danado, tendo até o risco de rebaixamento.
Decidimos, uma vez, pra nunca mais, ver o jogo em casa. Tudo estava bem, cada um em sua cadeira cativa, até que ele resolveu pegar uma cerveja no congelador… Maldita hora! Ele viu a foto e a escalação do time dele dentro do congelador. Como se não bastasse melar o namoro, fudeu também minha simpatia, e o pior: deu empate!
Bom mesmo são as posições… em cima, em baixo, na mesma sem mudar nada, ele lá eu cá, um sobe e desce só. Mas, no fim, eu sempre fico por cima! Na tabela do Campeonato, é claro, ou você pense o que quiser…
Meu pai botafoguense virtuoso adora, já minha mãe diz que o maior desgosto foi eu ter repetido o mesmo erro que ela.
Uma coisa – e a única real – é que tem uma frase que se aplica a nós perfeitamente: “feliz no jogo, infeliz no amor”.
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