Mariane Alves
Rir ou chorar, ela não sabia como agir diante das situações com as quais se deparava todos dos dias. Parecia que, entre milhares de atendentes da central de atendimento onde trabalhava, era sempre ela a “premiada” com os casos mais engraçados ou problemáticos.
-Rosana, bom dia! Com quem eu falo?
-Oi, alô minha filha, ai que bom que você atendeu, faz tempo que estou tentando falar com vocês. Quem está falando aqui é o Todinho.
“Não, não é possível, eu não ouvi isso”, pensou ela.
-Pois não, falo com o senhor Todinho?
-É, minha filha, isso mesmo. É que eu estou com uma tremenda dúvida e gostaria que você me ajudasse. Eu acabei de receber a fartura do meu cartão…
-Como, senhor?
-A minha fartura mensal.
-Ah, sim a sua fatura! E qual seria sua dúvida, senhor?
-É que está cobrando aqui uma taxa, uma tal de anualidade.
-Compreendo, senhor, a anuidade do seu cartão. Algum problema?
-Pois é, minha filha. É que uma coisa eu não entendo. Se é anualidade deveria ser cobrado apenas uma vez ao ano, certo?
-Senhor, a taxa é anual, sim. Porém, para facilitar o pagamento, ela é dividida em oito vezes. Assim, fica mais fácil para o senhor pagar.
-Mas, minha filha, você não tá me entendendo! Vocês estão me cobrando a mais todos os meses na minha fartura, isso é roubo.
-Não, senhor, é como eu já lhe expliquei. A taxa é anual, porém dividida em oito parcelas que o senhor paga mensalmente a cada ano.
-Ai, minha filha, eu não sei se você não está me entendendo ou então você não tem competência para fazer seu trabalho.
-Mas, senhor…
-Quer saber? Deixe isso pra lá. Você não me convenceu, vou ligar novamente e falar com alguém que saiba trabalhar direito!
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