Lívia Monteiro
Já na segunda-feira começa. Ela corre de um lado para o outro e grita:
– Ariel! Ariel!
De resposta, só a gargalhada gostosa de quem está fazendo arte.
– Marta, olha esse menino! – grita o pai, desesperado.
Para o casal, o dia começa cedo. A hora de arrumar o moleque para a escola é um tormento. A vizinhança inteira acorda com os escândalos.
– Ariel, amarra esse cadarço! – Marta se esgoela, já quase sem voz.
– Mãe, eu não quero ir hoje não, mãe.
– E que dia você quer ir, garoto?
– Ah, mãe, hoje não.
Ariel finalmente parte e a paz finalmente volta. Já quase se pode ouvir os pássaros cantando e as pessoas começando a fazer suas atividades diárias.
Mas infelizmente dura pouco. Já na hora do almoço, Ariel retorna ao lar.
– Mãe, o Bob Gordo caiu no chão molhado.
– Dá que a mãe lava!
– Não, mãe, já tá sequinho.
Mas quem diabos era Bob Gordo? Isso á a única coisa que os vizinhos ainda não sabem sobre essa família.
Durante a tarde, mais gritos.
– Ariel, desce!
– Meu filho, larga isso!
– Ariel, aí não!
Até que a criança dorme e a mãe, exausta, começa a preparar o jantar. E assim segue durante toda a semana. Os gritos, os choros, os tapas no bumbum.
Enfim chega o final de semana e não se escuta nem um ruído. Ariel vai para a casa dos avós. E nesse intervalo de calmaria Marta aproveita para dizer ao marido:
– Amor, estou grávida!
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