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Produções nacionais conquistam cada vez mais espectadores

A credibilidade que o cinema nacional conquistou atualmente deve-se à recuperação do mercado cinematográfico no Brasil. A partir da década de 90, os filmes começaram a ser produzidos com roteiro de qualidade, algo que não acontecia desde os anos 80, pois as produções da época eram fracas e o público demonstrava baixo interesse em freqüentar as salas de cinemas, porque os filmes exibidos eram apenas as continuações de programas de televisão como Os trapalhões e Xuxa.

Esse quadro só foi mudar em 1995, quando o longa-metragem “Carlota Joaquina – Princesa do Brazil”, de Carla Camurati, conseguiu bater o recorde de bilheterias em um filme direcionado para um público adulto. Tornou-se assim um marco da era da retomada. Nesse ano também, o filme “O Quatrilho” de Fábio Barreto, conseguiu alcançar bons resultados e recebeu uma indicação ao Oscar na categoria de melhor Filme Estrangeiro.

Um dos impulsos para o sucesso da nova fase do cinema foi dado pelo Governo, que por meio da lei de incentivos fiscais, ajudou os cineastas a produzirem e distribuírem os filmes pelo país. Com essa abertura política, surgiu a liberdade para filmar temas que antes eram censurados, conseqüentemente, esse fato favoreceu a criação de roteiros dignos de premiações.

Com a indústria cinematográfica brasileira caminhando em direção à estabilidade, o público então começou a se interessar novamente pelas histórias contadas nos filmes que, de certa forma, retratavam a condição do povo brasileiro. A estudante de administração Ana Carolina, de 25 anos, confirma que essa nova abordagem atraiu mais espectadores. “Antes eu não assistia filmes nacionais, mas hoje em dia, com essa nova estrutura de bons atores aliada a uma história de qualidade, eu faço questão de prestigiar o nosso cinema”.

Um exemplo de que os espectadores estavam se identificando com a realidade mostrada no cinema foi o desempenho do filme “Central do Brasil” junto à população. Em 1998, mais de 1.2 milhão de pessoas assistiram ao longa, transformando-o em fenômeno de bilheteria. Dessa maneira, seu reconhecimento não demorou muito a acontecer. Ele ganhou prêmios nacionais e internacionais, como O Globo de Ouro, o Urso de Prata, e a indicação de Fernanda Montenegro na categoria de melhor atriz no Oscar de 1999. O sucesso de “Central do Brasil” abriu portas para que os próximos filmes brasileiros realizassem vendas internacionais, para ajudar a melhorar os custos de produção.

Rudi Lagemann, cineasta e roteirista do filme “Anjos do Sol”, concorda que retomada do cinema trouxe bons resultados para a indústria, inclusive para seu filme, que aborda a realidade brasileira: a exploração sexual de crianças e adolescentes no Nordeste do Brasil. “A partir de 95, os filmes começaram a ter uma maior visibilidade devido à lei de incentivos à produção. Eu acredito que o cinema reside principalmente em sua diversidade, pois procura abordar temas múltiplos que são referentes à sociedade em que vivemos”, conta ele.

Mas foi a partir do ano 2000, que a temática dos filmes começou a mudar e a ganhar espaço no circuito. Os roteiros das novas produções se preocupavam em representar fielmente a violenta sociedade atual. “Cidade de Deus”, dirigido por Fernando Meirelles em 2002, retratou a realidade do crime organizado, que começava a se instalar nas favelas do Rio, na década de 70. O filme foi um dos maiores sucessos de público e crítica do cinema brasileiro, sendo premiado pela Academia Brasileira de Cinema e indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado.

Nesse mesmo segmento de filme-realidade, “Carandiru”, de Hector Babenco, que narra o dia-a-dia cruel dos presídios brasileiros, deu início à era das superproduções no país, e foi lançado no mesmo ano de “Cidade de Deus”, atraindo a segunda maior bilheteria do cinema nacional.

Com uma abordagem parecida, o megasucesso “Tropa de Elite”, de 2007, dirigido por José Padilha, tornou-se a produção que, nos últimos cinco anos, obteve maior expressão no mercado cinematográfico, conquistando um prêmio Urso de Prata de melhor filme no Festival de Berlim 2008. O longa-metragem foi divulgado com a repercussão do marketing boca-a-boca, pois o filme foi lançado no mercado pirata antes mesmo de chegar aos cinemas. Esse episódio acabou transformando-o em sucesso absoluto e até incorporou as expressões ditas no longa-metragem ao cotidiano da população carioca.
Nos 13 anos de sucessos absolutos nas bilheterias, o cinema nacional conseguiu ganhar um novo fôlego para continuar sua trajetória em busca do reconhecimento dentro e fora do país.

 Aline Batista • 6º período

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