Cultura

A Capoeira como cultura para a defesa dos escravos

foto-1

A capoeira surgiu entre os escravos como um grito de liberdade. Os negros, que eram da África, vieram ao Brasil para trabalhar como mão-de-obra escrava nas lavouras de cana de açúcar. Para que pudessem resistir aos seus opressores e transmitir a sua cultura, eles desenvolveram a capoeira que, durante anos, foi considerada uma prática proibida e subversiva.

Na região da Angola, na África, os negros disputavam as meninas de sua tribo para que se tornassem suas esposas, lutavam à cabeçada e pontapés a “luta das zebras”. Na ausência de armas, eles sempre buscaram nas danças guerreiras sua defesa como uma proteção e preservação de vida.

Ao longo dos anos essa dança foi se consolidando e a partir de 1972, o governo brasileiro reconheceu a capoeira como um esporte oficial. É uma luta não só de defesa, mas também de ataque que os praticantes usam os pés e a cabeça, sendo as mãos de menor uso, mas nem sempre a de menor importância.

O professor Luís Carlos dos Santos de 36 anos, conhecido como Mestre Luizinho, diz que a capoeira não é um esporte como outro qualquer, que ela representa a sua origem e sobrevivência através dos tempos. Professor de capoeira há 9 anos, Luizinho fala que o que ele faz é muito mais que uma profissão, é também um aprendizado sobre a cultura de seu país.

“Luto desde meus 8 anos de idade e dou aula há 9 anos. Quando entrei na capoeira, foi como um passatempo qualquer, mas lá dentro eu aprendi a história e as manifestações culturais, como batuque e samba de roda que são danças.”

A música é usada como um componente essencial, já que determina o ritmo e o estilo de jogo durante a roda. Ela é composta de instrumentos e canções que ajudam na hora dos movimentos de pernas no ritmo do toque, junto com a ginga que também é um depoimento básico da capoeira.

Com vários significados, a capoeira é um riquíssimo tema para as artes plásticas e literárias, por fazer parte da história da cultura brasileira e ser considerada uma expressão popular que mistura a arte.

Segundo o estudante Antonino de Oliveira, 19 anos, o esporte trouxe muitas heranças, pois tem participação direta na história do Zumbi de Palmares e que também é recheada de influências na sociedade de hoje.
 
“Estou na capoeira quase 1 ano e faço parte do grupo Raízes da Liberdade e antes de começar a lutar, já conhecia um pouco da história justamente por ser o único esporte ligado a fatos da cultura do Brasil, mas precisamente dos negros.”

A capoeira tornou-se um esporte conhecido e popular em quase todo mundo e existem grupos que viajam estados e países para mostrar um pouco de seu trabalho. Dessa forma, os brasileiros não têm somente a oportunidade de obter os benefícios dessa prática, como também conhecer a sua história desde o surgimento.

Flávia Cunha • 5º período • Jornalismo Digital

Avatar de Desconhecido

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

0 comentário em “A Capoeira como cultura para a defesa dos escravos

Deixe um comentário