Cultura

Peça faz um ano de sucesso

Depois de uma temporada viajando por todo país, o ator Edwin Luisi está em cartaz no Rio, novamente, no teatro SESC, com o espetáculo “Eu Sou Minha Própria Mulher”. Um monólogo baseado na história real de um travesti alemão, Lothar Berfeld, que desde a adolescência se travestia de mulher e, por esse motivo. passou por muitas dificuldades no período do nazismo e do comunismo, época em que adotou o codinome Charlotte Von Mahlsdorf.

    Durante os 80 minutos de peça, o ator dá vida a um simpático travesti que concede entrevistas a um repórter americano e fala sobre suas memórias, como um cabaré e um museu clandestino que havia no porão de sua casa, na Alemanha Oriental. Na montagem,  encenada por Edwin, 20 personagens são interpretados  por ele com maestria, num cenário composto de duas mesas com cadeira, um gramofone e miniaturas de móveis do século XIX que compunham o museu de Charlotte.

    É nesse ambiente que ele evidencia a mudança dos personagens, por meio do andar, o jeito de olhar, a postura corporal, a iluminação nas trocas de posição no palco e, principalmente, nas diversas nuances de voz. E quando interpreta Charlotte, consegue um sotaque alemão bem realista. Já o seu figurino se resume a uma saia jogada sobre a calça para ajudar na caracterização, ora de um homem ora de uma mulher. Os momentos de descontração da peça ficam por conta de sua atuação, como o amigo e amante vesgo da protagonista, que arranca risos da platéia.

    A professora de Educação Física, Gisele Rezende, fala que a interpretação do ator pode levar o público das lágrimas ao riso facilmente. “Eu achei o espetáculo emocionante, dei muitas risadas com o humor do personagem que é vesgo e ao mesmo tempo chorei no final, quando ele falou sobre o fim de Charlotte”. Essa reação também foi a mesma da dona-de-casa Corina Alves, que achou a peça fantástica. “Essa história é emoção do início ao fim, principalmente pelo fato de o Edwin ser um excelente ator e conseguir se entregar de corpo e alma a esse espetáculo”.

    Mas para chegar até esse grau competência, muitas horas de ensaio foram  realizadas, contabilizando, ao todo, três meses de preparação e dedicação, principalmente porque este foi o primeiro monólogo de Luisi, que escolheu o roteiro, escrito pelo dramaturgo americano Doug Wright, por influência dos amigos que assistiram a essa montagem nos Estados Unidos e falaram da riqueza da história. Ele acabou se interessando pela comovente vida da personagem e decidiu encená-la no Brasil. Uma opção que rendeu bons resultados para ele, pois a peça conquistou muitos prêmios de teatro no país nas categorias de melhor ator, direção e produção.

    O espetáculo também obteve sucesso e reconhecimento nos circuitos da Broadway e off-Broadway, com prêmios importantes como o Tony e o Pulitzer. Para completar o momento de triunfo, neste mês, a montagem completa um ano em cartaz e está lotando os teatros da cidade. O funcionário do teatro SESC, Altair Ramos, disse que as duas seções encenadas no fim de semana ficaram lotadas. “A bilheteria abre uma hora antes da peça e, nesses dois dias, todos os ingressos foram todos vendidos e o teatro ficou cheio”.

    Apesar desse sucesso, o ator acredita que, por ser muito caro o ingresso, muitas pessoas deixam de freqüentar os teatros e, por isso, sempre que pode, ele faz apresentações a preços populares para atrair o público de diferentes faixas etárias e camadas sociais, que não têm oportunidade de assistir a  uma peça com conteúdo relevante.

    Apesar de não render muitos lucros para a produção, Edwin acha importante incentivar a cultura. “A função social do espetáculo é atrair as pessoas para receber informações a respeito de intolerância e do preconceito que este travesti enfrentou corajosamente e isso ajuda a conscientizar o público sobre as diferenças”. O ator, ao contar a história de Charlotte Von Mahlsdorf, consegue demonstrar seu talento e versatilidade  nas inúmeras personagens que povoaram  a  conturbada vida deste travesti.

(por Aline Batista • 5º período)

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