Cultura

Geração Z e Festivais: prioridade por vivências aponta nova lógica de valor e hábitos de consumo entre os jovens

A Geração Z prioriza experiências e pertencimento, impulsionando a economia cultural mesmo com limitações financeiras

Conforme novas gerações surgem, certos comportamentos também mudam e atualmente, a Geração Z é a principal responsável por essa transformação, o que acaba afetando diretamente o mercado. Muitos jovens priorizam gastar dinheiro com viagens, eventos culturais e shows, que são considerados mais significativos por criarem memórias e provocar a sensação de pertencimento ao serem compartilhadas com amigos ou nas redes sociais.

Apesar da falta de dinheiro ser o principal motivo de impedir muitos à presenciar esses eventos, uma pesquisa feita pelo InstitutoZ, núcleo especializado em pesquisas das novas gerações, 59% do público mais novo recorre ao parcelamento do ingresso no cartão de crédito.

Festival Rock in Rio.
(Foto: Divulgação/Nova Brasil FM)

Segundo o jornalista musical, Braulio Lorentz, as memórias geradas nesses eventos, funcionam como um importante canal de conexão entre os jovens, portanto ao serem registradas digitalmente, tornam-se uma parte essencial da vivência.

“Experiências ao vivo geram recordações e posts para as redes sociais. Hoje, ir a um festival também é mostrar que você foi ao festival”, relata o redator.

Festivais de música, por exemplo, passam a ser cada vez mais populares, justamente por combinar entretenimento, socialização e a chance perfeita de registrar momentos únicos e marcantes. Com isso, os jovens enxergam esses eventos como uma experiência completa, tal qual o Lollapalooza e Rock in Rio, que proporcionam ações além de música.

Consequentemente, o que era definido pela performance sonora, hoje se manifesta como um espaço cheio de atrações que misturam consumo, identidade social e escapismo. Por isso, as ativações de marcas tornam-se atrações por si só, estandes tecnológicos e espaços “instagramáveis” não são meras publicidades, mas estações de serviço que oferecem o conteúdo necessário para que o jovem valide sua presença naquele grupo exclusivo. É a fusão do pertencimento físico com a relevância digital.

Em entrevista para a Agência UVA, a publicitária, Ludmila Zichtl, admite que gosta de prestigiar imersões que misturam diferentes expressões artísticas do que gastar mais em bens materiais.

A sensação que as pessoas sentem é algo que vai além de estar ali, é uma espécie de euforia coletiva. Ao serem divididas cria-se uma atmosfera de liberdade onde as preocupações do dia a dia, como estudo e trabalho, parecem ficar do lado de fora dos portões. Para muitos, é um lugar onde eles se sentem à vontade com o que realmente são, presenciando esse momento com quem possui os mesmos gostos e valores, assim, gerando um conforto emocional.

Tyler, the Creator, no palco Budweiser, na 13º edição do Lollapalooza Brasil.
(Foto: Divulgação/Portal Lineup)

Ao refletir sobre o tema, apesar de uma perspectiva diferente, a esteticista, Stefani Adiala, acredita que os gastos financeiros devem ser colocados em uma balança de acordo com a prioridade do momento.

Acho que a vida é uma equilíbrio, você ir em shows é abrir mão de certas prioridades. Há momentos e escolhas. Dependendo do artista, vou preferir o evento, como também já abri mão deles para comprar um videogame”, fala a profissional de estética.

Os grandes eventos musicais, moldam a indústria ao torná-los em um principal motor econômico e cultural. Por funcionarem como “microeconomias”, eles impulsionam o turismo, gera empregos diretos e indiretos, e transformam artistas em produtos de experiência imersiva, assim, fazendo o mercado de festivais crescer cada vez mais.

Acerca disso, Braulio Lorentz, acredita que a existência desses concertos é importante, pois movimenta não só o mercado musical e econômico, mas também cria uma renovação de público.

“A existências desses festivais e de shows fora dos grandes eventos é importante, porque dessa forma há uma renovação dos fãs, impactados por novas experiências ao vivo e uma formação de novas vozes falando sobre música”, conta o escritor.

Rock The Mountain 2024.
(Foto: Divulgação/Billboard)

Essa mudança de paradigma da Geração Z, estabelece uma nova economia, voltada para a experiência, onde o valor de um investimento é medido pela memória gerada e não pelo bem acumulado. Ao priorizar festivais, os jovens não buscam apenas música, mas a construção de uma própria identidade através do pertencimento.

Em contraponto, no mercado, esse comportamento instiga uma força vital: enquanto o público aceita o desafio financeiro em troca de vivências imersivas, a indústria se renova, transformando eventos em núcleos econômicos que criam novos canais de diálogo cultural. No fim, o sucesso desses concertos, prova que, para a juventude, o “agora” é o ativo mais valioso que o dinheiro pode comprar.

Foto de capa: Ariel Martini/Noite

Reportagem de Yohanna Tavares, com edição de texto de Ana Carolina Freitas

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