Cidade Política

Megaoperação contra o Comando Vermelho paralisa o Rio de Janeiro

Ação foi considerada a maior e mais letal da história do estado

Ao longo da última terça-feira (28), os cariocas foram surpreendidos com a operação organizada pelo Governador Cláudio Castro (PL), com 100 mandatos de apreensão a serem cumpridos na Penha e no Complexo do Alemão. A ação tinha como objetivo diminuir e retardar a expansão do Comando Vermelho, uma das mais antigas e influentes organizações criminosas do estado.

A movimentação policial teve início no fim da madrugada, contando com 2.500 agentes da segurança do estado. Seu ápice foi atingido durante a tarde, por volta das 13h, quando mais de 20 suspeitos haviam sido mortos. Ao todo, 64 pessoas foram vitimadas, sendo quatro policiais, se tornando a operação mais letal da história do Rio de Janeiro em 15 anos.

Operação deixou dezenas de suspeitos e policiais mortos e feridos.
(Foto: Reprodução/X)

Como represália, outros locais onde o Comando Vermelho está presente foram afetados: Rio Comprido, Tijuca, Vila Isabel, Engenho Novo, Méier, Cascadura, Engenho da Rainha, Freguesia, Taquara, Cidade de Deus, Anchieta, entre outros bairros. Todos esses citados registraram troca de tiros e confusão generalizada, com interdições e bloqueios clandestinos.

Em virtude da situação, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio acionou o protocolo de Estágio 2. A recomendação era para que as pessoas evitassem deslocamentos desnecessários nas áreas afetadas. O Estágio 2 é o segundo de uma escala de cinco níveis e indica um risco moderado a alto de ocorrências que possam impactar a rotina da cidade.

A situação cada vez mais crescia e assustava a população.
(Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil)

Com isso, a volta para casa foi marcada por dificuldades com a interrupção da circulação de trens; superlotação dos metrôs; interdição temporaria do BRT, o principal meio de ligação entre as Zonas Oeste e Norte; paralisação de ambos os sentidos da Avenida Brasil; e, por fim, 100 linhas de ônibus afetadas por tiroteios.

A superlotação foi a principal característica dos transportes públicos que funcionavam na volta para casa.
(Foto: Gustavo Pinheiro/Agência UVA)

Ganhando os créditos com o registro das quatro operações mais perigosas na história do estado, o Governador Claúdio Castro fez críticas à atuação da União no combate ao crime organizado no estado.

“Não foram pedidas dessa vez, porque nós já tivemos três negativas. Falaram que tem que ter GLO… E o Presidente já falou que é contra a GLO”, disse o governador em coletiva de imprensa na última terça-feira.

Em resposta ao chefe do Poder Executivo no estado, o Ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, pontua que em nenhum momento recebeu comunicação oficial ou pedido para apoio à Operação Contenção, realizada nos complexos do Alemão e da Penha.

“Não recebi nenhum pedido do governador do Rio de Janeiro enquanto ministro da Justiça e Segurança Pública para esta operação. Nem ontem, nem hoje, absolutamente nada”, declara Lewandowski.

Na manhã desta quarta-feira (29), às 6 horas, o Centro de Operações informou que o município do Rio de Janeiro retornou ao estágio 1. Isso significa que não há ocorrências de grande impacto na rotina do cidadão.

Ainda nesta manhã, cerca de 60 corpos foram retirados de uma área de mata do Complexo da Penha por moradores. Os corpos foram reunidos no centro da comunidade, e segundo os moradores, não fazem parte da contagem oficial de 64 mortos (60 suspeitos e quatro policiais). A Polícia Militar ainda não se pronunciou.

Moradores retiram cerca de 60 corpos em área de mata após operação.
(Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Foto de capa: Fernando Frazão/Agência Brasil

Reportagem de Gabriel Goulart e Gustavo Pinheiro

LEIA TAMBÉM: Câmara do Rio aprova intervenção da Prefeitura em imóveis abandonados

LEIA TAMBÉM: Premiação Earthshot Prize chega ao Brasil

1 comentário em “Megaoperação contra o Comando Vermelho paralisa o Rio de Janeiro

  1. Pingback: “Cálice”, hino de resistência da ditadura, volta a ecoar nas ruas do Brasil em 2025  | Agência UVA

Deixe um comentário