Internacional

Hamas liberta 20 reféns israelenses em troca de 2 mil prisioneiros palestinos na 1ª fase do acordo de cessar-fogo

Medida marca início do cumprimento do acordo de paz

O grupo Hamas libertou nesta segunda-feira (13) os 20 reféns israelenses que permaneciam em cativeiro na Faixa de Gaza. Em troca, Israel liberou 1.968 reféns palestinos, segundo informações do serviço prisional israelense. A libertação ocorre 738 dias após o sequestro, e marca a primeira concretização prática do acordo de cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos e anunciado pelo presidente Donald Trump na semana passada.

Segundo o governo israelense, todos os reféns já estão sob custódia do Exército de Israel e recebem atendimento médico e psicológico em hospitais de Tel Aviv. Entre os libertos, estão 12 mulheres, 5 homens e 3 crianças, todos em estado físico considerado estável, mas emocionalmente abalado após mais de dois anos de cativeiro.

“Cada um desses reféns é um símbolo da resistência e da dor de Israel. Hoje é um dia de alegria, mas também de lembrança pelos que não voltaram”, declarou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu em pronunciamento transmitido em rede nacional.

A operação de libertação

A libertação dos reféns foi supervisionada por forças de paz egípcias e mediadores do Catar, com apoio logístico da Cruz Vermelha. A entrega ocorreu em duas etapas, entre a noite de domingo (12) e a manhã desta segunda-feira (13), em pontos próximos ao posto de fronteira de Rafah, no sul da Faixa de Gaza.

De acordo com informações divulgadas pelo Ministério da Defesa de Israel, o Hamas cumpriu os termos da “fase 1” do acordo, que previa libertação total dos reféns israelenses em troca de 35 prisioneiros palestinos detidos em território israelense. O grupo palestino também exigiu garantias de que Israel não retomará ataques militares durante a execução do pacto.

Segundo o Hamas, a libertação representa um gesto de “boa-fé”, mas a continuidade do acordo dependerá do fim definitivo das operações israelenses em Gaza.

“Cumprimos nossa palavra. Agora esperamos que Israel cumpra a sua e respeite o cessar-fogo firmado”, disse o porta-voz do Hamas em comunicado oficial.

Repercussão em Israel

Em Israel, o clima é de emoção e alívio coletivo, mas também de dor e indignação. Cenas de famílias reencontrando seus parentes tomaram as ruas e praças de Tel Aviv e Jerusalém. Nas redes sociais, cidadãos israelenses compartilharam imagens e vídeos dos reencontros, enquanto emissoras locais transmitiam ao vivo o desembarque dos reféns em bases militares. O Exército de Israel divulgou as primeiras imagens oficiais mostrando os libertos abraçando soldados e médicos — um momento descrito pela imprensa local como “o respiro mais humano da guerra”.

“É impossível conter as lágrimas. Esperei 738 dias para abraçar minha filha. Eu não consigo acreditar que ela está viva”, disse a mãe de uma das reféns, à emissora estatal Kan News.

Apesar da euforia popular, setores mais conservadores israelenses criticaram a troca por prisioneiros palestinos, afirmando que a medida pode “estimular novos sequestros”. O governo, por outro lado, classificou a libertação como “vitória moral e diplomática” para Israel.

“Hoje Israel mostra que nunca abandona os seus. Cada vida salva é uma derrota para o terror”, afirmou o ministro da Defesa, Yoav Gallant.

Em seu perfil oficial no X (antigo Twitter), Yoav Gallant expressou seu contentamento com a libertação dos reféns vivos e ainda diz esperar a chegada dos reféns mortos pelo grupo Hamas, para que possam descansar em sua terra natal. (Reprodução X/Uriel Dison)

Cenário internacional e próximos passos

A libertação dos reféns foi amplamente elogiada por líderes internacionais. A Casa Branca classificou o episódio como um “marco na reconstrução da paz no Oriente Médio”, enquanto a União Europeia pediu “moderação e cumprimento integral do cessar-fogo”. O próximo passo do plano de paz prevê o início das conversas para a fase 2 do acordo, que deve tratar da retirada completa das forças israelenses de Gaza, o fim do bloqueio humanitário e o desarmamento gradual de facções armadas palestinas.

Ainda assim, o clima permanece instável. Horas após a libertação, sirenes voltaram a soar no norte de Israel, indicando disparos de foguetes isolados vindos do Líbano. O governo de Netanyahu confirmou que “responderá a qualquer violação do cessar-fogo”, mas reiterou que mantém o compromisso com a paz.

“O caminho para a paz é longo, mas hoje demos um passo real. Nenhum acordo é completo enquanto houver armas apontadas para civis inocentes”, declarou Donald Trump, em novo comunicado.

A libertação dos reféns representa um momento de alívio, mas também expõe as feridas profundas deixadas pelo conflito. Médicos e psicólogos israelenses alertam que a recuperação dos libertos exigirá “meses, talvez anos” de acompanhamento especializado. Enquanto isso, famílias de vítimas que ainda não tiveram paradeiro confirmado seguem exigindo transparência e responsabilização. Organizações civis de direitos humanos pedem a ampliação do acordo para incluir civis palestinos desaparecidos e o fim das operações militares remanescentes em Gaza.

Foto de capa: Reprodução/IDF (Israel Defense Forces)

Reportagem de Raphael Lopes, com edição de texto de Gabriel Ribeiro

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