Joanna Deborah Chesimard, conhecida como Assata Shakur, militante do movimento negro e figura central na luta pelos direitos civis nos Estados Unidos, morreu na última quinta-feira (26), em Havana, Cuba, aos 78 anos. Ex-integrante do partido dos Panteras Negras e do Exército de Libertação Negra, Shakur vivia exilada no país caribenho desde 1984, após escapar de uma prisão norte-americana. A morte foi confirmada pelo Ministério das relações exteriores de Cuba em um comunicado, e sua filha, Kakuya Shakur, também confirmou o falecimento em uma publicação no Facebook.

(Foto: Reprodução/Arquivo)
Nascida em 1947, no bairro do Queens, em Nova York, Assata se envolveu ainda jovem nos movimentos de contestação ao racismo e à violência policial. Nos anos de 1970, integrou o partido dos Panteras Negras e, mais tarde, o Black Liberation Army (Exército de Libertação Negra), grupo que defendia a resistência armada contra a opressão racial.
”Ninguém no mundo, ninguém na história, nunca conseguiu a liberdade apelando para o senso moral do seu opressor”, declarou a militante uma vez.
Perseguida pelo governo dos Estados Unidos, Shakur foi condenada à prisão perpétua, acusada do assassinato de um agente de segurança em 1977. A ativista alegou inocência, afirmando ter sido vítima de uma emboscada e atingida diversas vezes por disparos. Dois anos depois, em 1979, ela escapou da prisão e, desde 1984, vivia exilada em Cuba, onde recebeu asilo político e passou a viver sob proteção do governo de Fidel Castro.

(Foto: Reprodução / FBI.gov)
Em Havana, manteve uma vida discreta, continuou sendo símbolo de resistência para movimentos sociais nos EUA e fora dele. O FBI a manteve desde 2013, na lista dos “terroristas mais procurados”, sendo a primeira mulher a ocupar essa posição, oferecendo recompensa milionária por sua captura.
Símbolo da resistência negra, a ativista se tornou e continuará sendo uma referência para a nova geração de militantes do movimento negro em todo o mundo. Sua trajetória simboliza a luta contra o racismo estrutural, a violência policial e as desigualdades históricas que marcaram os Estados Unidos no século XX.
Ao mesmo tempo, seu caso permaneceu por décadas como uma questão espinhosa nas relações entre o governo dos Estados Unidos e o governo de Cuba. Autoridades norte-americanas, incluindo o presidente Donald Trump durante seu primeiro mandato, exigiram insistentemente sua tradição sem sucesso. A morte encerra uma das histórias mais problemáticas de confronto entre militância negra, sistema de justiça e geopolítica, mas sua memória política deve continuar reverberando nos movimentos sociais contemporâneos.
Foto de capa: Reprodução/Arquivos
Reportagem de Manuella Rody, com edição de texto de Gustavo Pinheiro
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