Esporte

UFC no Brasil: a transição da TV aberta para o streaming e seus efeitos no público

Fim da era na TV: mudança para o streaming com o UFC Fight Pass redefine o acesso dos brasileiros ao MMA e impõe novos desafios à base de fãs

Em 2023, o UFC encerrou sua parceria com o Grupo Globo, que transmitia seus eventos no canal Combate, e passou a disponibilizar suas lutas exclusivamente no serviço de streaming UFC Fight Pass. Essa mudança, embora estratégica para a organização, trouxe desafios para o público médio que estava familiarizado à comodidade da TV aberta.

Durante anos, o canal Combate foi referência para os fãs de MMA no Brasil, permitindo que milhões de brasileiros acompanhassem as lutas de grandes nomes como José Aldo, Anderson Silva e Lyoto Machida diretamente de suas casas. A parceria com a Globo facilitava o acesso ao esporte para uma ampla audiência, tornando o Brasil um dos principais nichos de fãs do UFC no mundo.

Com o lançamento do UFC Fight Pass no Brasil em janeiro de 2023, o UFC passou a oferecer todos os seus eventos ao vivo e sob demanda, além de uma vasta biblioteca de conteúdo exclusivo. O serviço foi lançado com um preço promocional de R$ 24,90 mensais no plano anual, visando tornar o acesso mais acessível.

Apesar do preço competitivo, a transição para o streaming apresentou desafios para o público médio. Fãs que não estavam habituados a utilizar serviços de streaming ou que não possuíam acesso à internet de alta qualidade enfrentaram dificuldades para acompanhar os eventos.

Além disso, a necessidade de dispositivos compatíveis e conhecimento técnico para navegar na plataforma representou uma barreira para muitos. Foi o caso de Philippe Suzano, 25 anos, lutador de MMA e entusiasta dos eventos do UFC.

“Infelizmente, depois do UFC sair da Globo, meu consumo diminuiu um pouco; a questão de ter que pagar para assistir um serviço de streaming era complicada na época, mas admito que hoje, com essa praticidade do serviço, acho o custo cabível. Isso me fez voltar a assistir e me reaproximar das lutas” – afirma Philippe

Philippe Suzano, lutador de MMA.

Já para o lutador de Jiu-Jitsu, João Baracho, 26 anos, a ausência do Combate e da Rede Globo enfraqueceu muito a popularidade do UFC no Brasil.

“Desde 2009 assistia às lutas do UFC por causa do Anderson Silva, mas desde que as transmissões na Globo pararam, isso abalou um pouco a quantidade que eu assistia, apesar de seguir acompanhando. O UFC perdeu muito espaço no Brasil, muito graças à baixa divulgação, já que não se tem mais a Globo para ocupar esse espaço. Afinal, era a Globo que muitas vezes fazia a construção de ídolos no ringue, e isso atraía o público”. conta João

João Baracho, lutador de jiu-jitsu.

A transição do UFC para o streaming no Brasil marca uma transformação significativa na forma de consumir o esporte. Apesar de ampliar o acesso e oferecer um catálogo mais completo de conteúdo, a mudança também impõe barreiras ao público médio, que antes contava com a praticidade e a familiaridade da TV aberta para acompanhar os eventos.

Foto de capa: Pexels

Reportagem de Tales Vieira, com edição de texto de João Gabriel Lopes

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