O Carnaval 2025 está chegando e a expectativa entre a comunidade carnavalesca aumenta a cada novidade anunciada pelas Escolas. Estreando a primeira das três noites de desfiles, entram no Sambódromo da Marquês de Sapucaí no dia 02 de março, respectivamente, Unidos de Padre Miguel, Imperatriz Leopoldinense, Unidos do Viradouro e Estação Primeira de Mangueira.
Os mini desfiles na Cidade do Samba e os ensaios de rua já começaram a movimentar os amantes do carnaval que acompanham suas Escolas do coração, cantando a plenos pulmões e sentindo os tambores ecoando no peito. Em parte, pelo amor e mas também pela ancestralidade ressoando nas letras dos samba-enredos.
UNIDOS DE PADRE MIGUEL
Após um desfile impecável na Série Ouro, a Unidos de Padre Miguel volta ao Grupo Especial com o enredo “Egbé Iyá Nassô”. O Boi Vermelho da Vila Vintém homenageia o legado da iyalorixá Iyá Nassô e do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho, primeiro terreiro de candomblé do Brasil. O samba fala bastante sobre o Orixá Xangô, cultuado no terreiro homenageado pela escola.
Awurê Obá kaô! Awurê Obá kaô!
Vila Vintém é terra de macumbeiro!
No meu Egbé governado por mulher
Iyá Nassô é rainha do candomblé!
Alexandre Louzada e Lucas Milato comandam o desfile e contam com a voz inconfundível de Bruno Ribas à frente do samba-enredo. Você pode ouvir aqui.

Cores: Vermelho e Branco
Carnavalesco: Alexandre Louzada e Lucas Milato
Diretores de Carnaval: Cícero Costa e Lara Mara
Intérprete: Bruno Ribas
Mestre de Bateria: Mestre Dinho
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Vinícius Antunes e Jéssica Ferreira
Comissão de Frente: Sérgio Lobato
IMPERATRIZ LEOPOLDINENSE
A nove vezes campeã Imperatriz Leopoldinense entra na Avenida com o enredo “Ómi Tútú ao Olúfon”, contando a história da visita de Oxalá ao reino de Xangô e o surgimento do ritual das Águas de Oxalá nas religiões de matriz africana. A escola pretende contar a jornada de Oxalá e seus percalços na viagem que o levou a sete anos de prisão no reino de Xangô.
Oní sáà wúre! Awure awure!
Quem governa esse terreiro ostenta seu adê
Ijexá ao pai de todos os oris
Rufam atabaques da Imperatriz
Pitty de Menezes representa o samba-enredo da Imperatriz por mais um ano, em um trabalho impecável e sob a batuta de Leandro Vieira. Ouça o samba aqui.

Cores: Verde e Branco
Carnavalesco: Leandro Vieira
Diretores de Carnaval: André Bonatte e Pedro Henrique Leite
Intérprete: Pitty de Menezes
Mestre de Bateria: Mestre Lolo
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro
Comissão de Frente: Patrick Carvalho
VIRADOURO
A terceira escola a desfilar é a Viradouro, atual campeã do Carnaval, levando para a Sapucaí o “Malunguinho, Mensageiro de Três Mundos”. Malunguinho abre a senzala, fecha os corpos e encanta o enredo da escola niteroiense. A agremiação deve mostrar na Avenida o místico em torno de Malunguinho e as histórias que permeiam a entidade em suas três formas: Exú, Caboclo e Mestre Juremeiro.
A chave do cativeiro
Virado no Exu Trunqueiro
Viradouro é Catimbó!
Viradouro é Catimbó!
Eu tenho corpo fechado
Fechado, tenho meu corpo
Porque nunca ando só
A característica e potente voz do intérprete Wander Pires traz a força que o samba poderoso pede. Você pode ouvir aqui.

Cores: Vermelho e Branco
Carnavalesco: Tarcísio Zanon
Diretores de Carnaval: Alex Fab
Intérprete: Wander Pires
Mestre de Bateria: Mestre Ciça
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Julinho Nascimento e Rute Alves
Comissão de Frente: Priscilla Mota e Rodrigo Negri
ESTAÇÃO PRIMEIRA DE MANGUEIRA
A Estação Primeira de Mangueira fecha a noite de desfiles com o enredo “À Flor da Terra – No Rio da Negritude Entre Dores e Paixões”. Retratando a história dos povos Bantus e sua ligação com o Cais do Valongo, na Pequena África, a Verde e Rosa mostra a resistência dos Bantus e sua influência que perdura até hoje na linguagem, religiões e vivências do povo brasileiro.
Sou a voz do gueto, dona das multidões
Matriarca das paixões, Mangueira
O povo banto que floresce nas vielas
Orgulho de ser favela
Marquinhos Art’Samba e Dowglas Diniz encantam a comunidade Verde e Rosa com o samba que você pode ouvir aqui.

Cores: Verde e Rosa
Carnavalesco: Sidnei França
Diretores de Carnaval: Dudu Azevedo
Intérprete: Marquinhos Art’Samba e Dowglas Diniz
Mestre de Bateria: Taranta Neto e Rodrigo Explosão
Mestre-Sala e Porta-Bandeira: Cintya Santos e Matheus Oliverio
Comissão de Frente: Lucas Maciel e Karina Dias
Os enredos cuidadosamente escolhidos pelas Escolas demonstram não só a preocupação em perpetuar histórias ancestrais, mas também denotam um trabalho incrível de pesquisa sobre os temas apresentados. Como disse Milton Cunha a respeito das críticas aos enredos tão religiosos e com temáticas africanas: “O carnaval é o desfile da inteligência negra periférica. Escola de Samba é negra, porque os negros produziram a maior vitrine cultural do Brasil para o mundo” e precisa ser respeitado, tolerado e admirado.
Foto de capa: Dhavid Normando/Flickr Rio Carnaval
Reportagem de Julia França, com edição de texto de Jorge Barbosa
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