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Mulheres medalhistas e quedas precoces no masculino: Confira o que aconteceu no vôlei brasileiro em Paris 2024

Pela nona edição seguida de Jogos Olímpicos, esporte é sinônimo de medalha para o Brasil

Seja nas quadras ou nas areias, o Brasil consegue medalhas no vôlei desde os Jogos Olímpicos de Barcelona 1992, quando a seleção masculina de quadra conquistou o ouro na final vencida contra a Holanda. Desde então, o vôlei cresceu no país e a seleção seguiu muito bem representada com bons desempenhos e ótimos resultados, como na atual edição de Paris. Entretanto, apesar de medalhas, há pontos de atenção e de dúvidas para o futuro.

A melhor campanha brasileira desta olimpíada no voleibol veio com as atletas do vôlei de praia. As duas duplas brasileiras foram formadas por Bárbara Seixas e Carol Solberg, além de Ana Patrícia e Duda Lisboa. Elas fizeram uma excelente fase de grupos, se classificando de forma invicta para as oitavas de final. Por conta do chaveamento, Bárbara e Carol tiveram de enfrentar as australianas Mariafe e Clancy, o que resultou em uma eliminação. A dupla da Austrália seguiu até a disputa de bronze, partida na qual foram derrotadas.

Duelo entre Brasil e Austrália no vôlei de praia.
(Foto: Luiza Moraes/COB)

A outra dupla brasileira na competição, Ana Patrícia e Duda, obteve mais sucesso. Sem perder nenhum set na primeira fase, ambas ainda mantiveram a estatística ao enfrentar a dupla japonesa Akiko e Ishii e posteriormente, contra Tina e Anastajia, da Letônia. Porém, indesejáveis para a outra dupla brasileira, as australianas Mariafe e Clancy também enfrentaram Ana e Duda, sendo eliminadas para as brasileiras de virada em três sets. Confiantes, as jogadoras disputaram a final contra a dupla restante do Canadá, Melissa e Brandie, que ficaram com a prata, após a vitória brasileira por 2 sets a 1.

A dupla brasileira Duda e Ana Patricia e vencem final e conquistam a medalha de ouro.
(Foto: Luiza Moraes/COB).

Por outro lado, o masculino não obteve o mesmo sucesso. As duas duplas brasileiras se classificaram para a fase final, mas caíram cedo. George e André, classificados como a segunda dupla posicionada como melhor terceira colocada e apontados como uma equipe sem entrosamento, caíram logo nas oitavas para a Alemanha. Já, Evandro e Arthur, fizeram uma boa competição sem perder nenhum set até as quartas de final, fase na qual enfrentaram a dupla sueca número um do mundo, Ahman e Helvig, e foram eliminados. Posteriormente, os suecos venceram o torneio e levaram a medalha de ouro para casa.

Se no feminino, o Brasil repete o ouro da primeira edição de Atlanta 1996, quando Jaqueline e Sandra venceram Mônica e Adriana na final, o pífio resultado de Tóquio 2020 é repetido no masculino, ao ficar, pela segunda vez seguida de fora do pódio.

Dupla brasileira Evandro e Arthur na eliminação contra a Suécia no vôlei de praia.
(Foto: Miriam Jeske/COB)

Assim como nas areias, o vôlei indoor brasileiro apenas conquistou medalha na modalidade feminina. Com expectativas de ouro após uma Liga das Nações de primeira fase invicta, a seleção brasileira de vôlei feminino repetiu as grandes atuações por toda a fase de grupos e nas quartas, contra a República Dominicana. Entretanto, a seleção de nomes de ponta como Gabi Guimarães e Rosamaria Montibeller teve dificuldades contra os Estados Unidos e conheceu sua primeira derrota nas semifinais, indo para a disputa do bronze, vencida sobre a Turquia.

Emocionados pela medalha, elenco e comissão técnica comemoraram muito, ao mesmo tempo que a central e tricampeã olímpica Thaísa, que anunciou sua aposentadoria pela seleção, entendia que o bronze era pouco para aquele grupo, por ser um resultado inferior em comparação à edição anterior dos Jogos Olímpicos. Apesar disso, a medalha representa o quinto pódio olímpico de Zé Roberto Guimarães em sua nona participação em Olimpíada, deixando ainda em aberto se segue no comando da seleção.

Medalhista olímpica por três vezes, Thaísa beija medalha de bronze conquistada em Paris.
(Foto: Miriam Jeske/COB)

Também com um resultado inferior a Tóquio, a seleção masculina de vôlei de quadra teve um ciclo de Jogos Olímpicos de altos e baixos, contando com troca de treinador e incertezas sobre renovação, o que justifica a queda precoce. A campanha, resumida por três derrotas em quatro jogos, foi terminada nas quartas de finais contra os Estados Unidos, resultando na pior campanha do Brasil no vôlei masculino olímpico desde 2000, em Sidney, quando a eliminação ocorreu na mesma fase. A queda também promoveu a aposentadoria de Bruninho e Lucão, campeões olímpicos pela seleção, enquanto há dúvidas sobre a permanência de Bernardo Rezende, mais conhecido como Bernardinho.

Bernardinho pensando em estratégias para jogo nas Olimpíadas.
(Foto: Alexandre Loureiro/COB)

Entre medalhas e decepções, o vôlei seguiu premiando o Brasil nos Jogos Olímpicos de Paris 2024. Entretanto, após sem medalhas por duas edições, fica o aviso de necessidade de renovação nas seleções masculinas tanto em condições de praia quanto de quadra.

Foto de capa: Miriam Jeske/COB

Reportagem de Rafael Lisboa, com edição de texto de Gustavo Pinheiro

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