Na tarde desta terça-feira (30), o Brasil conquistou uma medalha inédita por equipes na ginástica artística nos Jogos Olímpicos Paris 2024. A equipe brasileira composta por Rebeca Andrade, Flávia Saraiva, Jade Barbosa, Julia Soares e Lorraine Oliveira escreveu mais um capítulo da história da ginástica do país ao ganhar a medalha de bronze. O ouro ficou para os Estados Unidos e a prata ficou para a Itália.
Antes mesmo de começar a competição, Flávia Saraiva assustou ao cair das barras assimétricas ainda durante o aquecimento, a ginasta acabou cortando o supercílio e sangrou bastante. Depois ela fez um curativo e competiu em todos os aparelhos, ao lado de Rebeca Andrade. Para completar o time, Lorraine Oliveira se apresentou nas barras assimétricas, a caçula Julia Soares apresentou suas séries na trave e no solo, e Jade Barbosa competiu nos saltos.

(Foto: Ricardo Bufolin/CBG)
O primeiro aparelho foi as barras assimétricas, um dos aparelhos mais fracos do time Brasil, sendo o único por exemplo que não tem nenhuma representante nas finais por aparelhos. Mas ainda sim, as atletas apresentaram uma série firme e tiveram notas boas que as colocaram em quarto lugar no ranking geral.
Na segunda rotação, o Brasil foi para a trave, um aparelho traiçoeiro. Julia Soares, finalista do aparelho, sofreu uma queda e retomou a série dentro do tempo, mas fez com ela sofresse uma penalidade que lhe rendeu pontos importantes. Flávia Saraiva, não chegou a cair da trave, mas sofreu um desequilíbrio grande que também a fez perder pontos. A estrela Rebeca Andrade, também desequilibrou no fim da sua série e acabou ficando com uma nota abaixo da classificatória.
O Brasil não estava indo tão bem nas primeiras rotações, chegando a ficar em sexto lugar. Mas as coisas começaram a melhorar no solo, os dois últimos aparelhos são os mais fortes da equipe e garantiram notas altas que as mantiveram vivas no sonho da medalha inédita. No solo, Julia, Flávia e Rebeca esbanjaram simpatia. Algumas das notas ficaram abaixo do esperado e o time seguiu na sexta colocação, mas com pouco mais de dois pontos de diferença na briga pela medalha.
No salto, o início não foi positivo. Jade abriu o aparelho com um salto baixo e chegou com os joelhos flexionados e com o pé fora da demarcação, sofrendo penalidade. As esperanças começaram a diminuir, Flávia então fez um bom salto e reacendeu a esperança. Então foi a vez de Rebeca Andrade, atual campeã mundial e olímpica da modalidade, que recebeu a nota mais alta do dia. Ela pontuou 15.100. Com isso o Brasil precisou esperar até as últimas notas saírem para saber se conseguiriam a medalha.
Os Estados Unidos já tinham garantido a medalha de ouro, mas Brasil, Grã-Bretanha e Itália ainda estavam na disputa pela prata e pelo bronze. Na trave, as britânicas não conseguiram a nota necessária para ultrapassar o Brasil, ficando apenas dois décimos abaixo. As brasileiras então comemoraram pois garantiram uma medalha e só depois da confirmação da nota da italiana no solo é que veio a confirmação que seria de bronze.
A conquista é inédita para o país, apesar de nomes como Daiane do Santos e Daniele Hypólito, somente na última edição de Jogos Olímpicos que veio a primeira medalha do esporte com Rebeca Andrade. Porém, em Tóquio 2020 o Brasil não chegou a nem disputar como equipes, apenas Rebeca e Flávia se classificaram. O ciclo olímpico inteiro foi trabalhado para esse resultado e no ano passado a equipe brasileira chegou a ser vice-campeã do Mundial. O resultado das Olimpíadas é um marco na história da modalidade, e com as medalhas temos Jade uma ginasta com 20 anos de dedicação a seleção, a estrela da atualidade Rebeca Andrade e ainda a caçula Julia de 18 anos apenas representando o futuro.
Foto de capa: Ricardo Bufolin/CBG
Reportagem de Nathalia Bittencourt, com edição de Gustavo Pinheiro
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