Ao longo da primeira semana de outubro, o Vaticano iniciou mais uma sessão do “Sínodo dos Bispos”, uma reunião fechada convocada pelo papa com bispos da igreja católica, a fim de discutir e buscar soluções para questões enfrentadas pela instituição. Esse ano, temas como o papel das mulheres na sociedade, maior aceitação dos católicos LGBTQIAPN+, justiça social e os efeitos das mudanças climáticas sobre os pobres, terão destaque. A primeira etapa da reunião deve ocorrer até o dia 29 desse mês.
Na segunda-feira (02/10), cinco cardeais de diversas partes do mundo levantaram questionamentos formais, chamados de “Dubias”, através de uma lista pública ao Papa Francisco. Entre as perguntas, as dúvidas sobre casais do mesmo sexo chamaram mais atenção, já que o Papa e uma minoria conservadora da igreja têm discordâncias em relação a esse tema.
Uma das perguntas tratava especificamente do casamento de pessoas do mesmo sexo. Na resposta, o Papa declarou que a posição da igreja em relação ao sacramento do matrimônio é clara, ele deve ser celebrado exclusivamente entre um homem e uma mulher, com a intenção de ser aberto à procriação. No entanto, o mesmo afirma que “a caridade pastoral deve permear todas as nossas decisões e atitudes”, acrescentando que “não podemos ser juízes que apenas negam, rejeitam e excluem”.
Mesmo destacando que a igreja não vai celebrar casamentos entre casais homoafetivos, o Papa deixou em aberto a possibilidade de padres abençoarem a união entre pessoas do mesmo sexo, desde que limitadas e não confundidas com as cerimônias de casais heterosexuais. Conforme afirmado pelo pontífice, quaisquer possíveis bênçãos não devem transformar-se em práticas normativas, nem requerem aprovação explícita das entidades eclesiásticas, como dioceses e conferências nacionais de bispos.
As falas de Francisco causaram um debate entre algumas pessoas da comunidade LGBTI+, internautas destacaram que “as declarações do Papa podem fazer com que o preconceito de algumas pessoas diminua, mas é claro que não vai desaparecer”. Outros lembraram da existência de pessoas LGBTI+ que seguem o catolicismo. E muitas escreveram que “apesar do Papa ser “pra frente”, ele continua sendo o Papa”, fazendo referência ao fato de que mesmo apoiando em alguns momentos, Francisco segue destacando que a igreja não celebra a união dessas pessoas.
Além dessas questões, esse sínodo está focado em entender a importância do envolvimento dos fiés nas questões ligadas a igreja. As discussões serão feitas em duas partes, uma que acontece durante o mês de outubro, e a outra em 2024. Ao fim da reunião, um texto abordando todas as questões apresentadas e suas resoluções é elaborado. O Papa Francisco vai decidir se adotará o escrito como um documento papal ou se escreverá sua própria versão.
Foto de capa: Papa Francisco no documentário ‘Francesco’/Imagem de divulgação
Reportagem de Bruna M. de Lima, com edição de texto de Gabriel Ribeiro
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