Internacional Política

Assembleia Geral da ONU: com muitos aplausos, Lula discursa na reunião pela 8ª vez

Presidente fala para chefes de estado, militares e representantes internacionais em uma das principais reuniões do mundo

Na terça-feira (19), aconteceu a 78ª Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova York. Com mais de 140 países envolvidos, alguns chefes de Estado estavam presentes. Entre eles, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que destacou em sua fala a importância da democracia ter superado o ódio no país e teve seu discurso interrompido sete vezes por aplausos.

Desde 1955, o Brasil é o país responsável por abrir o debate geral na assembleia. Isso acontece porque nas primeiras reuniões nenhum país queria iniciar a cerimonia e o chefe de estado brasileiro sempre se voluntariava para começar. Nesse ano, o presidente Lula, abriu a assembleia da ONU, homenageando as vítimas de tragédias mundiais. Aproveitou a oportunidade para se direcionar a população gaúcha, no estado do Rio Grande do Sul (RS), prestando condolências às famílias e à população desolada.

Após esse momento, falou sobre a volta do Brasil à comunidade mundial e afirmou sua confiança na humanidade. Além disso, cobrou das instituições internacionais, mais transparência, a colocação da população nos planejamentos e recordou a primeira vez que esteve na Assembleia Geral da ONU, em 2003, há vinte anos atrás. Afirmando que, para voltar novamente à presidência do Brasil foi necessário que a democracia prevalecesse acima do medo.

“Senhores e senhoras, se hoje retorno à honrosa condição de presidente do Brasil, é graças à vitória da democracia em meu país. A democracia garantiu que superássemos o ódio, a desinformação e a opressão. A esperança, mais uma vez, venceu o medo” diz Lula.

O chefe do executivo brasileiro, tratando sobre as pessoas, expressou a necessidade de combater a desigualdade, dizendo que a mesma, é o principal pilar para as dificuldades que o mundo tem enfrentado. Afirmou que o Brasil, está comprometido em cumprir os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), além de reduzir a desigualdade no país. Fazendo assim, com que os pobres sejam colocados no planejamento econômico e os ricos, sejam taxados de acordo com seu patrimônio existente. 

“Queremos alcançar a igualdade racial na sociedade brasileira por meio de um décimo oitavo objetivo que adotaremos voluntariamente. Lançamos o plano Brasil sem Fome, que vai reunir uma série de iniciativas para reduzir a pobreza e a insegurança alimentar. Entre elas, está o Bolsa Família, que se tornou referência mundial em programas de transferência de renda para famílias que mantêm suas crianças vacinadas e na escola” ressalta o presidente. 

Na área do meio ambiente,  referiu-se aos ricos, que ocupam 10% da população mundial, como os que mais liberam poluentes no mundo. Dentro do assunto, colocou o Brasil na posição de estar se tornando sustentável, com a maioria das fontes de energia limpa, funcionando e crescendo gradualmente a cada ano. Falou sobre  a redução do desmatamento da floresta amazônica e a importância do aumento da fiscalização na área, que sofreu um desmonte durante o governo anterior. Além disso, ressaltou a crise climática como um assunto urgente e que devem ser apresentadas soluções, para que se possa reduzir o estrago ambiental. 

“Retomamos uma robusta e renovada agenda amazônica, com ações de fiscalização e combate a crimes ambientais. Ao longo dos últimos oito meses, o desmatamento na Amazônia brasileira já foi reduzido em 48%. O mundo inteiro sempre falou da Amazônia. Agora, a Amazônia está falando por si” afirma o presidente.

Lula, expressou a necessidade de promover valores democráticos e direitos humanos para a população. Citou a lei de igualdade salarial para homens e mulheres que ocupam o mesmo cargo, que já está em vigor no país. Também, lembrou do empenho em combater o feminicídio e a LGBTfobia. 

O chefe do executivo brasileiro discursou por pouco mais de 21 minutos na assembleia (Foto: Ricardo Stuckert/Agência Brasil)

Finalizando seu discurso, o presidente fez críticas aos gastos na compra de material armamentista, falou sobre  a Guerra na Ucrânia e disse que não se deve subestimar a paz. Contudo, chamou atenção para os diálogos na resolução de conflitos. Dessa maneira, insistiu que a ONU agisse de forma verdadeira contra a desigualdade e a injustiça global. Durante o discurso, o presidente brasileiro foi interrompido por aplausos sete vezes, em todos esses momentos, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky permaneceu sentado e não aplaudiu a fala de Lula.

Foto de Capa: Divulgação/Agência Brasil

Reportagem de Sara Alexandre, com edição de texto de Gabriel Ribeiro

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