Cidade Cultura

Bienal do Livro Rio 2023 registra recordes de público e vendas

Ao longo dos dez dias de evento, mais de 600 mil pessoas visitaram o Riocentro e 5,5 milhões de obras foram vendidas

A celebração dos 40 anos da Bienal do Livro Rio, agora considerada um valioso patrimônio cultural da cidade, abraçou a ideia de “leituras elásticas” explorando os limites além das páginas convencionais como um “livro além do livro”, o mantendo como figura central. Foram dez dias de agitação no Riocentro, com alegria ao encontrar os escritores favoritos, sacolas repletas de obras literárias e uma atmosfera de entusiasmo nos painéis, que para esta edição adotaram novos formatos e espaços para proporcionar uma experiência ainda melhor aos apaixonados por livros e histórias.

A edição deste ano, que aconteceu entre os dias 01 e 10 de setembro, quebrou o recorde de público e vendas, com aproximadamente 600 mil visitantes e cerca de 5,5 milhões de obras vendidas, média de nove por pessoa. Mais de 497 editoras, selos e distribuidoras ofereceram uma ampla variedade de títulos, com gasto médio que chegou a R$ 200. Os resultados foram além do esperado. Para efeito de comparação, em 2019 foram vendidos aproximadamente 4 milhões de livros, e em 2021, na versão pocket em meio à pandemia, as vendas foram de 2,5 milhões de exemplares.

Edição 2023 da Bienal do Livro registrou recorde de público. (Foto: Divulgação)

A Bienal do Livro Rio, realizada pela GL events Exhibitions em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), é atualmente o maior festival de literatura, cultura e entretenimento do país. A comemoração de 40 anos contou com mais de 200 horas de programação diversificada e plural, com grande participação do público em experiências únicas.

Novidades da edição 2023

A Bienal já está consolidada na memória afetiva de milhares de pessoas e, neste ano, a ideia foi desenhar conteúdos que percorressem as trilhas do conhecimento em uma variedade de assuntos, incentivando encontros com escuta ativa de todos os formatos de trocas entre o público para desconstruir estereótipos e ampliar o lugar de fala, atravessando questões contemporâneas fundamentais.

As crianças que visitaram o evento se depararam com “Uma Grande Aventura Leitora”, um universo lúdico espalhado por um espaço de 600 metros quadrados. Uma experiência imersiva para os pequenos leitores, que mergulharam na magia de histórias que transcendem as páginas e tocam suas emoções. Neste ambiente, os visitantes foram recepcionados pelo icônico Chapeleiro Maluco, do universo de “Alice no País das Maravilhas”, enquanto também celebravam os 60 anos da personagem Mônica, criada por Maurício de Sousa.

Espaço infantil dedicado à Turma da Monica, de Mauricio de Sousa. (Foto: Divulgação)

Como novidade, a “Bienal das Narrativas” trouxe ao público o “Baile de Máscaras da Julia Quinn”, simulando uma festa de época como nos episódios de “Os Bridgertons”, grande sucesso que se transformou em série. Outro destaque foi o desfile de fantasias das autoras Holly Black e Cassandra Clare. Houve também uma oportunidade para os visitantes experimentarem uma meditação zen budista, guiada por Monja Coen.

Falando sobre a literatura nacional, o evento lançou o “Páginas na Tela” e “Páginas no Palco”, narrativas que convergem e se cruzam entre livro, teatro e audiovisual, contando com nomes como Guel Arraes, Vera Holtz, Raphael Montes, Klara Castanho e Claudia Abreu. Ocorreu também o “Sextou com Simas”, com o professor e autor Luiz Antônio Simas recebendo convidados e transformando o Café Literário em um boteco carioca. No espaço, que sempre recebe nomes consagrados da literatura, houve um momento de fala nomeado de “Em Primeira Pessoa”, com autores como Conceição Evaristo e Ailton Krenak.

Espaço Café Literário foi um dos mais visitados do evento. (Foto: Divulgação)

Pela programação da Bienal passaram nomes como Mauricio de Sousa, Thalita Rebouças, Ana Maria Gonçalves, Laurentino Gomes, Carla Madeira, Bia Bedran, Ana Maria Machado, Eliane Alves Cruz, Valter Hugo Mãe, Lázaro Ramos, K.L. Walters, Pequena Lô, Paula Pimenta, Paola Aleksandra, Enaldinho, Luluca e Elayne Baeta. O evento abrigou ainda o Rio International Publishers Summit, um fórum para conectar os protagonistas do mercado editorial e trazendo discussão sobre os temas urgentes para o setor. No espaço, foram tratados os desafios da transformação tecnológica, além do uso da inteligência artificial e a preservação do direito autoral.

A Bienal em números

Um grande número de editoras bateram o “recorde dos recordes” dentre todos os eventos literários do Brasil, o que consolida a relevância da Bienal para o calendário cultural do país. A editora Sextante alcançou a faixa dos 60 mil livros vendidos durante os dez dias do evento, registrando um crescimento de 140% nas vendas desta edição em comparação ao ano de 2021. A Globo Livros pode considerar a edição deste ano como a sua melhor Bienal de todas, com aumento de 60% no faturamento – quase três vezes mais que a edição de 2019.

Editoras bateram recorde de vendas na Bienal do Livro Rio 2023 (Foto: Divulgação)

O Grupo Editorial Record mostrou um crescimento de 130% comparado à Bienal de 2021, além de 50% em comparação à Bienal do Livro de São Paulo, com cerca de mil obras comercializadas. Já a Rocco, além dos 135% a mais de vendas que em 2019, registrou 85% acima do evento realizado em São Paulo, que havia sido a melhor edição da editora. Para a HarperCollins Brasil, a edição de 40 anos da Bienal do Rio foi histórica. Os mais de 40 mil livros vendidos registraram um aumento de 190% em relação ao evento de São Paulo, e um faturamento de mais de 250%.

Projetos sociais

Com mais de 100 mil alunos de escolas da rede pública do Rio de Janeiro, Queimados e Angra dos Reis, houve um crescimento expressivo do projeto de visitação escolar. Foram investidos R$ 13,5 milhões para a compra de obras para esses estudantes das redes municipais e estaduais do Rio. Além disso, professores e profissionais da educação receberam vouchers para a compra de livros. O festival deste ano, em parceria com o Sindicato Nacional dos Editores de Livros e editoras associadas e expositoras, distribuiu 2 mil livros para os passageiros junto ao MetrôRio. Houve apoio também ao Hemorio, com entrega de livros para doadores, recolhendo cerca de 790 bolsas de sangue, permitindo que fossem distribuídas a hospitais do SUS.

Projeto de visitação escolar levou estudantes do Rio ao evento. (Foto: Divulgação)

Além disso, nesta edição a Bienal neutralizou suas emissões de gases do efeito estufa através da aquisição de créditos de carbono de projetos que preservam a Floresta Amazônica e incentivam a geração de energia eólica. Essa neutralização se deu por meio de inventário, que envolveu as fases de pré-produção, montagem, realização e desmontagem do evento. Este ano também foram recolhidos mais de 1.238Kg de PET, 8.540Kg de papelão, 1.367Kg de plástico e 1.870Kg de latinhas, que terão seu despejo da forma correta para o meio-ambiente.

Foto de capa: Divulgação

Reportagem de Jorge Barbosa

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