Direção, atuação, produção, edição, fotografia, sonoplastia… Estes são alguns exemplos de diferentes setores de um filme. Para uma obra ser premiada, ela tem que se sair bem em todos. Um equilíbrio. E é exatamente isso que o novo longa do brilhantíssimo diretor mexicano Alejandro Iñárritu apresenta. Estreia amanhã em todos os cinemas nacionais o provável vencedor de muitas categorias do Oscar 2016. “O Regresso” traz Leonardo DiCaprio como personagem principal e Tom Hardy como antagonista.
De tempos em tempos a indústria cinematográfica agracia os cinéfilos com obras dignas de marcarem a década. “O Regresso” é um belo exemplo disso. Felizmente Iñárritu voltou a dirigir um filme em um intervalo curto. Conhecido por parar de 3 a 4 anos entre cada produção, Alejandro decidiu investir seus esforços em um novo longa, menos de um ano depois de ter lançado seu maior sucesso, “Birdman”, vencedor do Oscar 2015.
Iñárritu não veio sozinho. O mexicano decidiu trabalhar mais uma vez com seu compatriota Emmanuel Lubezki, responsável pelo elemento mais marcante no filme. A fotografia. Premiado por “Birdman” e “Gravidade”, o diretor de arte exerce seu ofício de maneira impecável. Explorando desde as menores peculiaridades de uma floresta, até a imensa solidão das montanhas rochosas congeladas do Canadá e do sul da Argentina.

A assinatura dos dois diretores não podia faltar. Os planos-sequências. Tomadas longas de ação, comuns no filme do ano passado, não foram tão exploradas nessa nova obra, mas quando usadas, foram impecáveis. Em especial para batalha final e para a luta do personagem principal com o urso. Cena presente no trailer, mas muito mais emocionante no produto final.
Contextualizando, o filme conta uma história já conhecida de 1820, que foi adaptada para as telonas, a do caçador Hugh Glass (Leonardo DiCaprio), um homem sem identificação que guia os caçadores de pele pelas florestas congeladas dos EUA. Ao ser atacado por um urso, o grupo decide seguir e deixar Léo com poucos homens, que ficariam com ele só até a – aparentemente inevitável – morte. Situações acontecem e o personagem principal se vê sozinho e muito machucado no meio da um ambiente hostil dominado por índios selvagens e precisa arrumar um jeito de voltar para casa.

Ano vai e ano vem e Leonardo DiCaprio é indicado para mais um Oscar. Diferente das outras oportunidades, Léo não tem concorrentes desta vez e isso pode facilitar o caminho para ele conseguir a tão sonhada estatueta. Sem querer desmerecer o ator – que teve uma atuação impecável, provando mais uma vez que é um dos melhores atores de sua geração – mas em todas as edições do maior premio do cinema americano sempre teve alguém que estava um passo a frente. E desta vez esse “alguém” não existe. Matt Damon é o único que pode ameaçar DiCaprio, mas o desempenho dele em “Perdidos em Marte” não se equipara ao de Léo em “O Regresso”. O filme tem tanto sangue que parece um longa de Quentin Tarantino, como em “Os 8 Odiados”, mas diferente do americano, o diretor mexicano não conta piadinhas em seu roteiro a fim de amenizar o clima de carnificina. Muito pelo contrário, nestas cenas ele imerge ainda mais o espectador na história, para fazer o público se sentir na pele de um sobrevivente.

Alejandro Iñárritu provou mais uma vez que não escreve histórias para crianças. “O Regresso” é denso, pesado, dói. Capaz de deixar qualquer pessoa com um sentimento pesado. Mesmo com 150 minutos de duração, o filme quase não tem falas. É todo construído em cima da interação do ator com a natureza, ambientado com uma trilha sonora que mistura a música clássica a cantos de guerra indígena. Uma obra-prima do drama, assim como “Birdman”. Bravo Alejandro! Bravo DiCaprio! Bravo!
Iago Moreira- 4º Período

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