Em um dos bairros mais históricos do Rio, o Centro, está localizado um pólo cultural pouco conhecido pelo público carioca: o Complexo Cultural da Marinha. O espaço, que é aberto à visitação gratuita, traz aos freqüentadores três exposições permanentes: Galeota de D. João VI, História da Navegação e Arqueologia Subaquática. Além do submarino Riachuelo, do Navio Museu Bauru, do helicóptero Rei do Mar, da biblioteca da Marinha, da Nau Capitania e do passeio à Ilha Fiscal.
Todas estas exibições representam símbolos importantes da Marinha, alguns deles com até 500 anos de história. Este é o caso da Nau Capitania, réplica de uma caravela portuguesa do século XVI, construída na Base Naval de Aratu, para a comemoração do quinto centenário do Descobrimento do Brasil. Após os festejos, a embarcação foi transferida para o Complexo e decorada, por meio de um projeto do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha, baseado em fontes iconográficas do século XVI. Dentro dela a sensação é de retroceder no tempo, pois a apresentação consegue ser fiel ao período proposto com manequins, móveis e utensílios distribuídos pelo navio, permitindo que o visitante possa ter uma clara idéia de como eram as viagens náuticas daquela época.
A exposição, de tão real, pode ser considerada uma aula prática de História para alguns. “Viemos em grupo para conhecer este lugar. Pensei que seria interessante trazer meu filho, pois quando ele começar a estudar a História do Brasil vou mostrar as fotos e ele vai lembrar deste dia”, explica Renata Duque, 28 anos, mãe de Luis Felipe de 4 anos.
O submarino Riachuelo também é uma grande atração para as crianças que, já na fila de espera, mostram-se ansiosas. Realmente, é uma sensação única. De tão estreito, o submarino parece não comportar tudo que há dentro dele. Rico em detalhes, seu interior é capaz de impressionar meninos como Miguel Castro Filho, de 5 anos, que se deslumbrou com o tamanho das embarcações.
Porém, dentre todas as atrações, a mais procurada é o passeio à Ilha Fiscal, que custa apenas R$10,00. Os visitantes se encaminham à Ilha em uma embarcação que sai do Complexo Cultural da Marinha em direção à Ilha Fiscal, pela Baía de Guanabara, onde uma guia esclarece sobre diversos pontos importantes da ocupação do Rio de Janeiro. Os guias iniciam seus relatos contando que o belo castelo da Ilha, no passado, servia como posto de observação da Alfândega. Neste passeio é possível apreciar os antigos vitrais, a réplica do quadro do ultimo baile da monarquia, maquetes, exposições sobre a Marinha e a atuação da Marinha na Amazônia e o salão onde foram trocadas as bandeiras entre o Chile e o Brasil, assim como também descobrir algumas curiosidades. A visitante Tatiana Pereira, de 26 anos, se impressionou com as condições de saneamento daquele período. “Uma coisa que me chamou a atenção é que não havia banheiro na ilha na época do baile, já pensou que sufoco?”, indaga a entrevistada.
Para os que desejam desfrutar de todas as atividades culturais do local é muito simples: o Complexo Cultural da Marinha está situado na Av. Alfredo Agache s/nº, Praça XV, Centro e está aberto para visitação de 5ª à domingo. O passeio pode se transformar em um agradável momento entre amigos e familiares e ainda acrescentar conteúdo histórico à vida de seus frequentadores.
Valéria Cezario • 7º Período
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