Vizinho é uma palavra oriunda do latim. Entre seus vários sentidos (iminente, análogo, de igual gênero ou classe, afim etc), inclui-se o de habitante ou morador de casa próxima. Para a poetisa Cora Coralina, “vizinho é mais que parente, pois é o primeiro, a saber, das coisas que acontecem na vida da gente”. Nos dias atuais esse relacionamento tem estado mais longe de ser fraternal. O estresse, a falta de tempo e a insegurança são apenas alguns dos motivos.
Nas pequenas cidades a ligação entre os vizinhos é mais forte do que a mantida entre eles e muitos de seus parentes. “Morei em Bom Despacho (cidade do interior de Minas Gerais) até meus 18 anos. Vim para o Rio estudar, mas continuo mantendo minhas amizades de lá. Minha ex-vizinha, hoje é madrinha da minha filha”, diz Maria do Carmo, 38 anos, esteticista. “Lá, até hoje são divulgados na rádio os nomes das pessoas que faleceram e das que nasceram”.
O mesmo não acontece, no entanto, nos centros urbanos mais desenvolvidos, que é onde se concentra atualmente a maioria da população brasileira. “Eu gostava da época em que morava em vila e todo mundo freqüentava a casa de todo mundo. Hoje em dia, moro em prédio e mal conheço quem mora do meu lado” afirma Fernanda Morais, professora, 43 anos.
A socióloga Renata Azevedo, 47 anos afirma que: “a explicação para esse estado de coisas talvez possa ser encontrada nas atribulações que a vida moderna impõe a todos nós, fazendo surgir, em contrapartida, o medo, o desinteresse por novas relações”.
Mas o bom vizinho não desapareceu por completo. Ele ainda existe, principalmente no interior, podendo também ser encontrado nos bairros menores das cidades grandes. Por isso o Dia do Vizinho é comemorado em muitos municípios, como em Santa Maria (RS), onde o “Dia Municipal do Vizinho” acontece no terceiro domingo de agosto. Em Goiás, São Paulo e Distrito Federal, a comemoração é feita no dia 20 de agosto.
Gabrielle Campos
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