No pé do morro da Mangueira está aberto desde 2001 o Centro Cultural Cartola, uma homenagem merecida ao fundador e responsável pelas cores de uma das maiores escolas de samba do Rio de Janeiro, o Cartola. Para não deixar que a história e a importância deste sambista, autor da célebre “As rosas não falam” e do primeiro samba da Mangueira, se percam por falta de registro e memória, surgiu a ideia de realizar um de seus desejos: ter um lugar dentro da Mangueira que atendesse a crianças da comunidade.
O diretor social e presidente do espaço, Jorge Luiz Matias Alves, diz que o centro cultural é uma defesa da memória de todos os sambistas. “O Cartola era um grande defensor de sua classe. Por isso, o centro cultural também é uma defesa, não apenas dele, que não é lembrado na escola que fundou, mas de todos os sambistas”.
O Centro Cultural Cartola foi fundado pela família do sambista e conta com a colaboração de ‘sócios’ que não mantém uma contribuição fixa, mas que ajudam no funcionamento. No espaço são realizados oficinas e cursos voltados para a arte e o esporte. Os principais são judô, capoeira, dança e tênis de mesa. O local é dono do maior tatame da cidade e todos os alunos recebem da instituição o uniforme relativo à sua atividade, neste caso um quimono.
Atualmente, o centro abriga, além de um centro esportivo e dois espaços para exposições; uma biblioteca, salas para trabalhos pedagógicos, um auditório e um espaço para eventos, além de uma sala especial para a orquestra de violinos. Está em fase de construção a praça de eventos Zicartola e um estúdio.
As assistentes sociais Érica Palumbo e Priscila Santos foram visitar o local com a intenção de buscar ali maneiras de integrar os membros da comunidade à cultura e memória do local onde vivem. “Muitos deles não sabem tudo que este espaço oferece. Alguns nem conhecem o local. É uma pena”, lamenta Priscila. Érica concorda com a amiga e diz que falta uma maior divulgação para a instituição. “É incrível que se consiga manter com tanta qualidade uma organização sem custeio algum do governo. O mais triste é que aqui se conta a história do samba. E não só do Cartola, mas as pessoas não visitam”.
O grande mistério dos óculos de Cartola![]()
As novas gerações que veem as imagens do sambista do passado não conhecem a história por trás das lentes escuras do sambista. Não era charme e nem fazia parte de um eterno figurino. O artista usava os óculos também por uma questão estética, mas que foi provocada por um problema de saúde.
Cartola se submeteu a uma cirurgia estética no nariz, pois estava com algumas protuberâncias que o incomodavam. A cirurgia teve complicações e gerou efeitos colaterais, que escureceram os olhos de Cartola. A partir de então passou a usar os óculos escuros, sendo sua marca registrada.
História de amor de Dona Zica e Cartola
Na década de 60, Cartola e Dona Zica viveram juntos muito tempo. Montaram um dos restaurantes que se tornou o símbolo de resistência política e cultural do Rio, o Zicartola. Mas mesmo com a cumplicidade no samba, nos negócios e no amor, Dona Zica e Cartola não eram casados. Depois de longos anos juntos, eles decidiram enfim se casar. Tudo em uma cerimônia regada à samba, champagne e angu.
Você pode ter uma visita guiada no Centro Cultural Cartola!
Ele fica na Rua Visconde de Niterói, 1296 com o funcionamento das 11h às 17h. Agende através do telefone (21) 3234-5777.
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Emanuelle Bezerra – Jornalimo – 7° período
Fotos: Emanuelle Bezerra
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