Comportamento

Infância perdida

Camila Nogueira olhara-se no espelho uma, duas vezes. Borrara o batom outras três tentando acertar o contorno dos delicados lábios. Ficara, por mais de uma vez, em dúvida de qual usar, afinal havia tantas cores! Para ela, o estojo de maquiagem é uma verdadeira aventura, algo absolutamente normal ao se tratar de uma menina, não tivesse esta menina apenas seis anos de idade.

Todos nós sabemos que as crianças querem crescer. Qual menina nunca imitou a mãe calçando sapatos de salto? Qual menino nunca vestiu o paletó e a gravata do pai? A diferença é que as crianças de hoje parecem estar crescendo muito depressa e o “brincar de ser adulto” os estimula cada vez mais cedo a desejos que não correspondem as suas idades.

“Esta é a minha principal preocupação. Quando eu era pequena eu imitava a minha mãe, mas era algo bem mais inocente, era uma brincadeira! Minha filha já fala em namorado, na idade dela eu só pensava em bonecas” comenta Maria Madalena Nogueira, mãe de Camila.

De acordo com a psicóloga Luana Barbosa, esta mudança no comportamento infanto-juvenil acontece devido à falta de um olhar mais apurado, carinhoso e atencioso dos pais. Isso faz com que as crianças precisem se virar sozinhas e, com isso, pareçam precoces.

“Percebo que hoje, por causa da nossa sociedade de consumo, as coisas estão sem limites. Tudo se tornou descartável, crianças beijando cedo e adolescentes beijando dez de uma vez, por exemplo. Com isso, não se tem mais tempo de olhar para as crianças, dando a elas os limites necessários. Muitos pais acham que podem cobrir essa falta de carinho e atenção dando presentinhos, ou seja, através de bens materiais, e essas questões vão muito além disso”, explica Luana.

E no momento que os pais percebem que os filhos precisam de orientação, o que fazer?

“Mudar o olhar dos pais é o primeiro passo, pois muitas vezes a precocidade é pura falta de limites. O segundo passo é observar que valores estão sendo transmitidos a criança dentro de casa e, por último, porém não menos importante, buscar informação”, aconselha a psicóloga.

Para quem deseja entender mais sobre as funções paternas e as mudanças na infância e adolescência, o livro Mal-estar na escola de José Outeiral é a dica da psicóloga. O livro é da editora Revinter, está em sua segunda edição e é vendido a preço acessível.

Valéria Cesário • 6º Período • Jornalismo Digital

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