Cultura

Circo: o show tem que continuar

O picadeiro

 A maioria das pessoas que apreciam um espetáculo circense não sabe as origens desta arte. Há animais selvagens misturados a danças clássicas, motocicletas que circulam um globo e tantas outras atrações que não teriam sentido fora do picadeiro. O circo na verdade é uma mistura cultural e, talvez por isso, tenha atravessado os séculos, superando as dificuldades e se contextualizando ao novo cenário cultural.

 

As acrobacias, o contorcionismo e o equilibrismo vieram da China onde é possível encontrar registros de guerreiros que usavam estas técnicas como treinamento para ganhar agilidade, flexibilidade e força, de quase cinco mil anos. Com o tempo as demonstrações foram ganhando mais suavidade e beleza e passaram a integrar o Festival da Primeira Lua.

 

Os malabares e os domadores de animais faziam parte dos desfiles militares dos faraós, que exibiam os bichos exóticos das terras conquistadas. Também há registros de contorcionistas e saltadores em rituais religiosos indianos, além de música, interpretações e dança. A primeira linhagem de palhaços de que se teve conhecimento veio dos sátiros da Grécia.

 

No Brasil, a arte circense chegou através dos ciganos no século XVIII. A especialidade no país era a doma de ursos e atividades com cavalos. O ilusionismo logo encantou os expectadores brasileiros, passando a ser o forte do circo no país. Diferente dos circos europeus, os brasileiros não se instalavam em um local específico, mas, seguindo a veia cigana, apresentavam-se em lonas instaladas em terrenos abertos, passando de cidade em cidade. Antes se instalavam, principalmente, nas periferias das cidades e sua programação era voltada para as classes populares.

 

O circo foi ganhando suas características próprias no país. O palhaço é um bom exemplo. Em todo o mundo este personagem era caracterizado por mímicas, já no Brasil, talvez pelo desconhecimento da técnica, ele falava muito, tocava violão, contava suas malandragens e tornou-se o maior conquistador do público, quase um sinônimo de circo. Enquanto nos países europeus, ele era apenas parte do espetáculo, aqui ele é a atração principal.

 

Segundo a Fundação Nacional de Arte (Funarte), hoje existem mais de dois mil circos espalhados pelo Brasil. Deste total, apenas 80 são de médio ou grande porte, isto é, os apresentam espetáculos com muita tecnologia, trapézio de vôos, animais e grande elenco de atores, músicos e dançarinos. Um dos grandes obstáculos é a falta de terrenos nas grandes cidades para abrigar um picadeiro, ou o alto custo dos que ainda existem.

 

Mas existem os heróis da resistência. Embora a primeira escola de circo do país tenha começado a funcionar tardiamente, em 1977, em São Paulo, ela consegue formar profissionais e passar a arte para os mais jovens. Cinco anos depois, quando a arte no país começava a ser esquecida, surge no Rio de Janeiro a Escola Nacional de Circo, atendendo a todas as classes sociais e reativando nos jovens brasileiros o encantamento pelo circo.

 

Atualmente, há muitas outras escolas atuando no Brasil. No Rio de Janeiro, só o espaço da Fundição Progresso abriga cinco escolas diferentes. Uma boa pedida para quem quer praticar exercícios e arte ao mesmo tempo.

 Emanuelle Bezerra . 6º período . Jornalismo Digital

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