Muitos atores estudam interpretação, se formam em artes cênicas e buscam conseguir um espaço na mídia, viver da arte, viver de seu sonho, mas se deparam com um obstáculo que parece instransponível: ser reconhecido profissionalmente e não precisar de um trabalho paralelo.
Essa é a realidade de Marcos Crazú, Marco Antônio e Thais Itaboray. Os três se formaram em interpretação e resolveram produzir e atuar a peça teatral Tô na Mídia que ficou em cartaz no Rio por dois anos. Thais afirma que a peça não lhe trouxe o reconhecimento que desejava, mas que lhe serviu como experiência e hoje sabe que produzir um espetáculo sem patrocínio e sem estar na mídia é mais oneroso do que vantajoso.
Agência UVA: A peça “Tô na Mídia” fala sobre pessoas desempregadas e sem oportunidades que querem ser famosas?
Thais Itaboray: A peça fala sobre atores que estudaram, fizeram faculdade e estavam buscando conseguir seu espaço e conseguir viver da arte, mas não com interesse de fama somente e sim interesse de viver daquilo a qual se dedicou a vida toda.
Agência UVA: Essa peça conta a realidade dos atores que atuam nela?
Thais Itaboray: Conta sim. Todos nós três fizemos faculdade, vários cursos de interpretação, interpretação para TV e estamos aí na batalha.
Agência UVA: Qual foi o maior público que a peça já teve?
Thais Itaboray: Tivemos muitos altos e baixos nesses 2 anos em que ficamos em cartaz. O maior público deve ter sido cerca de 500 pessoas no Teatro Raúl Cortez em Caxias, onde fomos muito bem recebidos.
Agência UVA: A peça teve patrocínio?
Thais Itaboray: Não teve patrocínio não. Isso é tão difícil! Tivemos alguns apoios de rádios e do SBT que divulgaram a peça de graça, mas nada financeiro. E também o apoio de jornais que divulgam peças de graça, mas só no tijolinho do jornal.
Agência UVA: Com o teatro, quanto um ator, que não é famoso, consegue ganhar por mês?
Thais Itaboray: Não dá pra saber ao certo porque quem não tem patrocínio ganha em relação à bilheteria. Na verdade, ganha o que sobra depois de tantas coisas que precisam ser pagas.
Agência UVA: Paralelamente os atores da peça tinham outro emprego?
Thais Itaboray: Eu dava aulas de natação. O Marcos Crazú é dentista e o Marco Antônio fazia eventos.
Agência UVA: Você acredita que as peças compostas por atores famosos da TV são mais reconhecidas e procuradas?
Thais Itaboray: Acho que isso já passa a ser uma questão cultural mesmo. A grande maioria dos jovens não tem o hábito de ir ao teatro. E também tem a questão do lugar onde se mora. Eu nasci na Zona Sul e desde pequena freqüento teatro independentemente de qual peça seja. Mas na Zona Oeste, por exemplo, tem gente que nunca foi a um teatro. E isso é nítido. Basta olhar a quantidade de teatros que têm na Zona Sul e quantos têm na Barra, por exemplo.
Sincer Ramalho • 5º período • Jornalismo Digital
Muito bom ,isso mostrar a realidades de varias pessoas!=)