Da sala de aula

Na linha de frente do combate à pandemia

Como agentes de saúde estão lidando com o Covid-19 e ajudando a salvar vidas

Com o início da pandemia no mundo e, principalmente, no Brasil, muitos profissionais de saúde que já dedicavam suas vidas a cuidar de outras pessoas se depararam com um vírus desconhecido. Pouco se conhecia ainda sobre suas formas de infecção, mas sabia-se que ele matava muitos em pouco tempo. Os números logo mostraram o risco a que todos, principalmente estes profissionais que se encontram na linha de frente do combate ao Coronavírus, estavam sujeitos. Mais de 570 mil profissionais de saúde foram infectados pela Covid-19. No Brasil, pelo menos um profissional de saúde morre a cada 19 horas.

Dados como estes nunca foram vistos antes. Entre os cargos que mais tiveram vítimas, em primeiro lugar, estão os auxiliares de enfermagem, com 38,5%; em segundo lugar os médicos, com 21,7% e, em terceiro lugar, enfermeiros, com 15,9%. Outros dados revelam que quase 50% dos profissionais de saúde admitiram uma carga excessiva, com jornada de 40 horas semanais. A mesma pesquisa aferiu que 45% precisam de mais de um emprego para se manter e 14% dos que atuam na linha de frente estão no limite da exaustão.

Os números mostram que a pandemia de Covid-19 atingiu a todos e que o trabalho dos profissionais de saúde foi redobrado. A saúde deles foi colocada à prova e muitos se sentem exaustos, com medo e mentalmente cansados, lutando há mais de um ano para prestar suporte e atendimento para salvar a vida de outras pessoas que foram contaminadas pelo vírus e, muitas vezes, de seus próprios companheiros de jornada.

Heitor Oliveira Mucci Dantas, 23 anos, técnico de enfermagem é um dos que está na linha de frente do combate ao Coronavirus e conta: “Não é fácil, principalmente por ter sido uma doença nova, algo para o qual no início não havia remédio, vacina ou forma de tratamento. Isso mexia muito conosco, pois você nunca sabe o que esperar e nunca sabe o que pode acontecer durante o plantão. São ocasiões que te levam da agonia ao alívio em questão de segundos”.

Heitor Oliveira diz que não é fácil estar na linha de frente do combate à Covid
Foto: Acervo Pessoal

Agentes de saúde como Heitor e tantos outros acabam passando por situações pelas quais poucos aguentariam passar e que testam seu lado psicológico.  Maria Emiliana Cigani de Lima Brandão, 36 anos, médica que atua no CTI, relata também como é trabalhar na linha de frente “Cansativo, estressante, tenso. É trabalhar com a ideia de que tudo pode mudar em um segundo. A doença é instável. Em um minuto tudo está bem e no outro tudo muda”.

A médica Maria Emiliana Cigani atuando no CTI em meio à pandemia
Foto: Acervo Pessoal

Quem também confirma a angústia por que passam os profissionais de saúde é a médica Daiane Pinho dos Santos, 37 anos. “Durante a pandemia, os plantões tornaram-se exaustivos, associados a cada vez mais colegas doentes, ao aumento da gravidade dos pacientes”. Todos estes relatos de profissionais de saúde deixam claro que atuar na linha de frente não foi e não é um trabalho fácil, visto que não só o esforço físico é testado, mas também o mental.

Daiane Pinho dos Santos, médica, em seu local de trabalho
Foto: Acervo Pessoal

Para poder trabalhar bem o lado psicológico para lidar com tudo isso, muitos profissionais de saúde foram buscar ajuda psicológica. A psicóloga Priscila Fortunato, 23 anos, ressalta: “É importante ter em mente que a Covid-19 é uma doença grave, porém, a preocupação excessiva não irá evitar a contaminação. O recomendado é evitar o excesso de informação alarmante que a mídia divulga”. É sim necessário tomar as medidas de segurança e buscar apenas informações que sejam necessárias e tentar se adaptar a uma nova rotina na quarentena, para uma nova vida em meio à pandemia.

É necessário também que os agentes de saúde tomem cuidados e adotem medidas para se proteger e não se contaminar com o vírus, mesmo sabendo que adotar todos os cuidados possíveis, às vezes, é difícil, por não ter o distanciamento necessário. Por conta disso, muitos profissionais acabam se infectando no local de trabalho ou até mesmo levando o vírus para casa. Maria Emiliana, 36 anos, médica, relata: “Uso de Epi’s, lavagem das mãos, uso de roupa do hospital no ambiente intrahospitalar, tudo isso é fundamental”. A doutora Daiane, que já foi vacinada, mantém ainda os mesmos cuidados.

A psicóloga Priscila sugere formas de não sucumbir a esta pressão e explica como é feito o trabalho com aqueles que contraíram a doença de forma grave e sobreviveram, visto que a pessoa pode ficar com sequelas físicas e mentais. “Nestes casos, a preocupação do tratamento está, inicialmente, em como a pessoa vai lidar com essa saída do hospital, a volta à rotina e as possíveis sequelas pós-Covid”. Vale lembrar também frisar que cada paciente é um paciente e cada um tem sua forma e seu jeito de lidar com sua recuperação.

A psicóloga Priscila Fortunato lembra a importância do apoio aos profissionais que lidam diretamente com os doentes
Foto: Ana Carolina Pereira

A Covid-19 abalou não só a saúde, mas também a economia do país, visto que foi necessário comprar oxigênio, máscaras e outros materiais para combate à pandemia. Além disso, por conta da quarentena e do fato de que muitos estabelecimentos foram fechados, a estrutura e a economia do país foram abaladas. Para reverter este cenário e diminuir o número de contaminados e de mortes, a doutora Maria Emiliana realça: “Além do governo prover vacina à população, é preciso despertar a consciência das pessoas em evitar aglomerações, ambientes fechados, festas e usar máscara”. Mesmo para quem já estiver vacinado, os cuidados devem permanecer, até que a maioria da população esteja imunizada.

Vale lembrar que é necessário também saber como lidar com aqueles que perderam algum familiar na pandemia ou alguém próximo, enfrentar o luto de alguma forma e prosseguir com a vida, se adaptando às mudanças. “O mais importante é acolher e fazer uma escuta desse luto por que a pessoa está passando. Depois é preciso tentar compreender como ela está se sentindo a respeito da perda e do medo de perder outras pessoas queridas ou até mesmo de ser contaminado e perder a própria vida”, destaca a psicóloga Priscila. É necessário que haja esta escuta, para que seja possível encontrar aspectos importantes do sujeito e questões que cada um traz, que precisam ser tratadas e que vão ajudar a superar a dor da perda, o medo constante de contaminação ou até mesmo o desejo de morrer devido ao luto.

Ana Carolina Pereira – 3º período

Agência UVA é a agência experimental integrada de notícias do Curso de Jornalismo da Universidade Veiga de Almeida. Sua redação funciona na Rua Ibituruna 108, bloco B, sala 401, no campus Tijuca da UVA. Sua missão é contribuir para a formação de jornalistas com postura crítica, senso ético e consciente de sua responsabilidade social na defesa da liberdade de expressão.

1 comentário em “Na linha de frente do combate à pandemia

  1. Maristela Fittipaldi

    Parabéns pela publicação de sua matéria, Ana Carolina. Bjs!

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