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Aumento de casos da Covid-19 preocupa especialistas e populares

Especialistas e populares comentam sobre os principais receios e consequências do alto índice de contaminados

O estado do Rio de Janeiro segue tendo um aumento de casos do novo coronavírus. No último domingo (29), a Secretaria Estadual de Saúde fez um balanço que registrou 22.561 óbitos e 353.316 casos confirmados. Com o alto índice de contaminados e de uma possível segunda onda, diversos setores da sociedade carioca entraram em nível de alerta. Dessa forma, a época de fim de ano, conhecida por aglomerações e bons números financeiros, pode causar uma série de preocupações à diferentes serviços.

O Boletim Corona, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que tem objetivo de atualizar dados da pandemia e comentar sobre a doença ao redor do mundo, realizou uma entrevista com o infectologista Marcos Junqueira. Ele comenta que apesar do lockdown ter sido importante, o isolamento não foi feito de maneira correta e por isso o vírus continua circulando no Rio de Janeiro.

Para o empresário Baldomero Simões, o período de lockdown foi difícil para sua empresa, a ‘Fimatec Comércio’. Apesar da companhia trabalhar com equipamentos que ajudam a completar os serviços essenciais, o fechamento total da cidade causou impactos, já que seus produtos também são alugados para outros setores. Baldomero conta que 200 máquinas foram devolvidas e alojadas em um galpão.

O empresário revela que foi necessário fazer uma reengenharia financeira, pois a economia não fluía sem o pagamento do aluguel dos clientes. Baldomero comenta que foi necessário realizar estratégias e acordos.

“Perdi várias noites de sono pensando no que fazer no dia seguinte, para continuar sobrevivendo e mantendo minha empresa e os meus funcionários”, menciona Baldomero.

Além disso, ele ressalta que foi preciso negociar com alguns bancos e fornecedores. O empresário também utilizou as ferramentas de financiamento oferecidas pelo governo para esse período, como a redução da jornada de trabalho.

Baldomero precisou repensar seu modelo de negócio durante o lockdown (Foto: Arquivo Pessoal)

Baldomero acredita que o lockdown ajuda no controle da disseminação do vírus, mas não acha viável um segundo fechamento, pois as empresas ainda estão se recuperando da crise financeira causada pela doença no início do ano. Com a alta demanda de consumo no fim de ano, ele acha que uma reeducação da população seria importante para evitar perdas econômicas.

“Vejo em muitos lugares pessoas circulando sem máscaras. Ao invés de decretar um novo lockdown, seria mais fácil o governo aumentar o nível de fiscalizações na rua. Acho que precisamos de mais educação do que de medidas drásticas”, conclui Baldomero.

O Economista Durval Meireles aborda que a situação financeira do Rio de Janeiro piorou com a pandemia. Ele afirma que a maior parte de renda da cidade é do comércio e turismo, mas devido ao lockdown, o quadro desses setores agravou. Os motivos para o desemprego em massa vão além da pandemia, segundo Durval. Ele analisa que o avanço tecnológico é outro fator necessário para ser levado em conta.

“A inteligência artificial, os algoritmos e novos softwares também têm causado desemprego, principalmente na área bancária”, desenvolve Durval.

O especialista explica que uma possível chegada da vacina não é suficiente para uma melhora ampla no quadro financeiro do Rio, e que tudo irá melhorar apenas em alguns anos, já que os empresários estão investindo sem perspectiva no mercado financeiro.

“Os investidores estão ganhando dinheiro especialmente em alimentação e farmácia, setores que não foram muito afetados. O PIB este ano deve cair para 5%, e deve subir apenas 3% com uma vacina”, relata o economista.

O desemprego afetou principalmente profissionais da área bancária (Foto: Reprodução/Sul21)

Preocupação também na área de saúde

O aumento dos casos de coronavírus no Rio preocupa, principalmente, a rede de saúde do Estado. Danielle Viegas, enfermeira da Clínica da Família Eidimir Thiago De Souza, em Cordovil, afirma que a possibilidade de uma segunda onda acontecer brevemente é muito grande, pois grande parte da população não respeita as medidas orientadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Danielle também comenta que é necessário uma conscientização da população sobre o perigo do vírus, além de auxílio do governo aos profissionais de saúde. Ela diz que caso isso não aconteça, é possível que um novo lockdown seja determinado.

“Acredito que o Governo poderia se empenhar mais na mobilização com os cuidados e prevenção, e oferecer mais meios para os profissionais de saúde desempenharem suas funções”, enfatiza a enfermeira.

A profissional aborda que o mês de dezembro é propício para a transmissão do coronavírus devido ao grande movimento dos estabelecimentos comerciais e que ações como a higienização são necessárias.

“É preciso diminuir os horários de funcionamento e organizar a entrada e fluxo das pessoas no interior dos estabelecimentos, bem como a exigência dos cuidados mínimos, principalmente o uso de máscaras”, ressalta Danielle.

Com a pandemia, a rede de saúde do Rio entrou em estado crítico (Foto: Reprodução/Prefeitura do Rio)

O vendedor de loja, João Marcos Gonçalves, de 29 anos, diz que um novo fechamento do comércio acarretaria em medo de que a empresa em que trabalha faça cortes da equipe ou que diminua o salário dos funcionários. Ele conta também que passou por dificuldades na época em que precisou trabalhar de casa, já que o convívio com a família e um ambiente informal, causavam algumas distrações.

“Nem sempre havia compreensão de que naquele horário proposto, eu estava trabalhando. Precisei me afastar de conversas, ruídos externos e vários outros fatores que atrapalhavam o meu rendimento. Além disso, tive que me adaptar a todas as novidades do comércio digital de um dia para o outro, enquanto lidava com o confinamento e toda a mudança de rotina. Foi o meu maior desafio profissional até o momento”, revela João.

No modelo presencial, o vendedor fala que apesar de estarem respeitando todas as normas de seguranças na loja, é impossível não se sentir receoso, principalmente quando percebe algum sintoma relacionado ao coronavírus em algum cliente, como tosses e espirros.

“Não dá para esquecer que trabalhamos em um ambiente fechado, com pouca circulação de ar. Por isso a sensação de estar exposto está sempre presente, mesmo respeitando todas as medidas de prevenção, que existem para nos orientar, mas não trazem 100% de segurança”, diz João. Ele explica também que, por conta da pandemia, o mês de novembro foi atípico para a loja, que teve um baixo fluxo de clientes na semana de Black Friday, um grande “termômetro” para o Natal.

No aplicativo

Quem reclama do isolamento social é Wallace Luiz, de 26 anos. Motorista de aplicativo desde janeiro de 2016, ele acredita que muitos problemas podem surgir com uma segunda onda e um possível segundo lockdown. Wallace afirma que sofreu um grande impacto em sua renda, devido à queda de viagens realizadas. Ele explica qual foi a estratégia usada para continuar fazendo corridas no início do ano, quando a doença apareceu.

“As poucas viagens que fazia no centro da cidade, principalmente nas saídas de metrô, foram a minha salvação no início da pandemia”, conta Wallace.

Os motoristas de aplicativo também foram afetados na pandemia (Foto: Reprodução/Wikimedia Commons)

O motorista avalia que o atual cenário é melhor em comparação com os últimos meses, e tem boa expectativa com o fim de ano.

“Muitas viagens são solicitadas com a aproximação das festas de Natal e Ano Novo. Essa é a melhor época para alcançar mais lucro”, finaliza Wallace.

LEIA MAIS: https://agenciauva.net/2020/11/29/racismo-estrutural-e-covid-19-impactos-da-pandemia-na-comunidade-negra/

Matéria produzida pelos alunos João Henrique Reis, José Paulo Gonçalves e Rochelle Silva para a disciplina Jornal Online, ministrada pela professora Daniela Oliveira.

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