Política

Populares e especialista comentam mudanças no Ministério da Saúde

Troca troca no ministério durante a pandemia é avaliado

Duas semanas após a demissão do Ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, a Agência UVA conversou com populares e especialista sobre o afastamento, realizado pelo presidente Jair Bolsonaro em 16 de abril. Alguns dos entrevistados não viram a mudança com bons olhos e aguardam o passar dos dias para avaliar melhor seu sucessor, Nelson Teich.

Fernando Castro Rodrigues, 52 anos, agente da saúde, diz não concordar com a demissão de Mandetta por acreditar que esse estava fazendo um bom trabalho acerca da pandemia e ainda comenta as possíveis motivações do presidente.

“O Ministro estava contrariando o presidente, pois Bolsonaro queria que o comércio fosse reaberto e queria um outro tipo de isolamento, enquanto Mandetta era contrário. Então, acredito que estava havendo um conflito entre eles e a decisão foi unicamente política. Com isso Bolsonaro só “perde” com a população, porque a situação está realmente bem grave”, observa.

Para Rosana Correa, 45 anos, empregada doméstica, o que importa de fato é a conduta do nomeado, não só relacionada à pandemia, mas ao Sistema Único de Saúde (SUS) como um todo. Ela ainda enfatiza que antes do vírus, os diversos problemas nos hospitais já existiam.

“Com o início dessa crise parece que antes não havia problemas no SUS, mas havia sim. Agora é aguardar o desenrolar dos acontecimentos e das decisões adotadas pelo novo Ministro”, pondera.

Rosana Correa opina sobre a desorganização do SUS
(FOTO: Arquivo Pessoal)

Para o professor Guilherme Carvalhido, sociólogo e analista político, “as mudanças, provavelmente, serão pequenas, será mais no alinhamento de discurso”, explica.

“Me pareceu que o Ministro Teich se mostrou a favor do isolamento imediato e falou da possibilidade de, aos poucos, afrouxar a quarentena. E ainda deixou a entender que as decisões serão tomadas a partir de dados científicos. É muito cedo para dizer, mas as ações tendem a ser muito próximas ao que Mandetta vinha fazendo”, opina Carvalhido, sobre a conduta do novo Ministro.

Guilherme Carvalhido, Cientista Político, afimar que já imaginava tal mudança no Ministério
(FOTO: Arquivo Pesoal)

Para Carvalhido, as motivações do presidente são calaras: “o desalinhamento causado pela posição do Ministro, que era contraposta à posição política do presidente. Bolsonaro se irritou com as divergências do Ministro. É necessário ter um Ministro da Saúde que se alinhe, ou pelo menos não se contraponha de forma direta às posições do presidente”, completa.

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Histórico do troca troca
Na quinta-feira (16/4), o então ex-ministro anunciou via Twitter que havia sido demitido pelo presidente. Logo após, em coletiva, Mandetta declarou: “deixo esse Ministério da Saúde com muita gratidão do presidente por ter me nomeado e por ter me permitido nomear cada um de vocês”, se referindo a toda equipe.

Mandetta é ex-deputado federal e estava à frente da pasta desde o início do governo, em janeiro de 2019. Ele ganhou maior visibilidade com a crise provocada pelo novo coronavírus. 

De acordo com pesquisa Datafolha, 76% dos brasileiros aprovavam a gestão do Ministério da Saúde, portanto sua saída gerou muita insatisfação. Por todo país, cidadãos se manifestaram com “panelaços” durante fala do presidente Bolsonaro para anunciar a mudança no cargo. 

Mandetta comunicando sua demissão no Twitter.
Reprodução Twitter

O novo Ministro nomeado foi o também médico Nelson Teich. Em pronunciamento sobre a mudança, Bolsonaro criticou novamente as medidas de isolamento de Mandetta por conta do impacto que tiveram na economia do país e afirmou que “gradativamente temos que abrir o emprego no Brasil”. O novo Ministro salientou que esse não será um problema para ele: “existe um alinhamento completo entre mim e o presidente”, disse Teich. 

A saúde no Brasil já enfrentava graves questões, como falta de médicos, atendimento precário, falta de leitos, entre outros. Portanto, com a chegada do novo coronavírus no país, medidas rápidas tiveram que ser tomadas para aumentar a capacidade de atendimento e diminuir o número de contágio para evitar o colapso. Por isso, foram construídos hospitais de campanha e adotou-se o isolamento social imediatamente.

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Marina Figorelli – 7º Período

1 comentário em “Populares e especialista comentam mudanças no Ministério da Saúde

  1. Pingback: Coronavírus: Populares relatam problemas durante isolamento | Agência UVA

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