Música e saúde mental: uma parceria importante

Letras de música abordam temas como depressão e ansiedade, e se tornam grandes aliadas nos tratamentos de saúde

Não é novidade a utilização da música de forma terapêutica nos mais diversos ramos da psicologia. A própria técnica, conhecida como musicoterapia, além de auxiliar no tratamento de problemas físicos, emocionais, mentais e sociais, contribui também para desenvolver as mais diversas habilidades do paciente. Ela continua sendo uma das terapias complementares mais procuradas para tratamento e reabilitação.

Aos poucos, além da musicoterapia, a música passou a exercer um outro papel. Muitos artistas demostram cada vez mais interesse em expor nas canções temas que possam se aproximar das experiências do público. Para a psicanalista Thamires Gracio, é preciso lembrar que muitas pessoas precisam de ajuda, mas acabam não indo atrás dela e a música pode ajuda nesse processo.

“São casos como este, em que músicas que abordam temas como autoestima, ansiedade, convívio social e saúde mental em geral, se tornam não só importantes, mas essenciais”, conta Thamires.

A profissional explica que toda a situação é vista como “mais fácil” de ser enfrentada a partir do momento que envolve música. “Faz parte de todos nós. É muito mais confortável encarar seja qual for a situação de uma maneira mais regular, sem envolver elementos de grande novidade, que podem acabar assustando e gerando um sentimento de negação no paciente, causando o subsequente afastamento do mesmo”, analisa.

“É muito comum dizer que só melhoramos de alguma coisa quando ouvimos músicas, não?”, questiona Cynthia Lopes, engenheira de 26 anos, que afirma ser hiperativa e ter dificuldade para se concentrar em várias tarefas. “Parecia impossível ler qualquer coisa que demandasse mais que cinco minutos”, conta. Por meio de recomendação de diversos colegas, ela passou a ouvir músicas mais calmas antes de iniciar tarefas que exigiam uma dedicação maior e melhorou a concentração.

“É algo de outro mundo, como uma meditação mesmo: a mente esvazia por um tempo, e você se abre para novas informações. Eu realmente me sinto mais capaz de ‘botar alguma coisa dentro da caixinha’”, diz Cynthia.

A psicanalista Thamires explica que a música está diretamente relacionada às lembranças. “Se você foca nas lembranças mais positivas, a mente consegue atingir uma área de expansão. Você se sente pronto para formar novas lembranças e adquirir novas experiências, pois sua mente já efetuou uma ligação positiva quanto a isso”.

O publicitário Lucas Rodrigues sabe bem como a música pode ajudar. “Eu tenho o costume de criar playlists para tudo e todos. Assim como possuo uma específica para atividades físicas, para leituras e viagens de metrô, criei também uma para meus amigos e para o meu namorado. Tudo isso acaba me deixando muito mais disposto e otimista para fazer seja lá o que eu deseje. Criei até mesmo uma para cozinhar, e eu nem sequer cozinho… ainda!”, conta Lucas.

A psicanalista Thamires explica ser admirável artistas tão reconhecidos abordarem essas questões de tamanha importância em seus produtos. “É algo muito grandioso, e de uma generosidade enorme. Não existe uma necessidade na indústria de que eles lancem materiais que de fato se aproximem das experiências psicológicas do público e, ainda assim, muitos artistas fazem questão de compartilhar suas histórias”.

A estudante de letras Ana Beatriz Siqueira complementa esta ideia, ao lembrar das letras da artista Sabrina Carpenter. “Eu sempre fui muito fã, acompanhei a carreira dela desde o início, mas só atualmente eu percebi a enorme ajuda que ela havia me proporcionado, por meio das suas músicas”. A jovem cita a canção Exhale como exemplo, pois a ajudou a enfrentar a luta diária contra a depressão.

“Ouvir esse single me fez perceber que eu não sou a única a passar por isso. Que essa ‘falta de ar’ não é algo único meu, e que se uma artista como ela passa por isso e consegue superar, eu também conseguiria”, comenta a estudante.

A ansiedade é uma questão comumente abordada em muitos dos hits atuais. O estudante do ensino médio Bruno Carvalho é um dos que sofrem com crise de ansiedade e crise do pânico, e acredita que a música pode ser uma grande aliada na melhora do quadro de saúde. Para ele, apesar de diversos cantores enxergarem a abordagem da ansiedade nas letras das músicas como uma oportunidade de chegar nos primeiros lugares das rádios, essas letras tem ajudado muitas pessoas. 

Para o produtor musical Thiago Lima, de 29 anos, esse tipo de temática se tornou uma questão popular e lançar músicas que envolvam algo que a sociedade está diariamente enfrentando traz uma maior possibilidade de sucesso. No entanto, para ele, também não se pode negar que esse tipo de música genuinamente traz ajuda e amparo àqueles que consumem estes produtos.

“Não é algo egoísta, muito pelo contrário. Sendo a maior intenção o sucesso ou não, se de fato isso colaborou com a ajuda de um caso, que seja, já é um passo inteiramente positivo quanto à sociedade”, comenta o produtor.

Vale ressaltar que a música não pode ser o único tratamento. De acordo com Thamires, apesar de grande suporte em qualquer questão, as músicas podem não ser o suficiente para uma melhoria absoluta. “É sempre necessário fazer uma avaliação profissional. É importante procurar um especialista”, afirma.


John Willians – 9° Período

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