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13 de maio: luta, resistência e memória

Data traz o debate histórico sobre a abolição da escravidão e as consequências para a população negra. Confira a reportagem especial da Agência UVA

Data traz o debate histórico sobre a abolição da escravidão e as consequências para a população negra. Confira a reportagem especial da Agência UVA

A assinatura da Lei Áurea completa 131 anos nesta segunda-feira (13).  A lei sancionada pela Princesa Isabel estabeleceu a extinção legal da escravidão no Brasil. Apesar disso, a medida não foi efetiva para a população negra. A liberdade concreta e o fim do racismo não foram subsequentes à abolição. A data não é sinônimo de comemoração, mas serve para reflexão sobre a história de resistência e luta do povo negro em busca de condições de vida humanas e dignas.

Diversas pessoas têm uma opinião crítica referente à “celebração” da data. Uma delas é Leandro Batista. O estudante de Nutrição, de 23 anos, reconhece que a data tem relevância no debate sobre a libertação dos escravos, porém não concorda com as pessoas que colocam a Princesa Isabel como a salvadora da pátria. “Quando aboliram a escravatura, os escravos saíram com uma mão na frente e outra atrás. Quando estavam em regime de escravidão, eles tinham um local pra dormir e onde ficar minimamente. Depois disso, eles não tinham mais nada. Foi uma libertação pra quem?”, questiona.

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Muitas pessoas enxergam a data de forma crítica em vez de comemorar (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

O coordenador do curso de História da UVA, Giovanni Codeça, explica que houve uma disputa intensa sobre duas datas durante as décadas de 80 e 90. Para o movimento negro, o 13 de maio ficou sendo associado à Princesa Isabel, o que apagaria as lutas de resistência e de processo de abolição. Enquanto o 20 de novembro estaria mais ligado à consciência e Zumbi dos Palmares. “Hoje a gente vê uma aproximação entre as duas datas. O movimento negro junto a alguns historiadores vem tentando aproximar as datas, como sendo parte de um mesmo evento, mas é um caminho de construção que ainda está sendo feito”, explica.

Codeça afirma que há um contexto sobre a época que permite entender como se chegou à Lei Áurea assinada pela princesa. Ele ressalta que é necessário ter muito cuidado com a data porque o projeto que entrou na Câmara é diferente do que foi aprovado.”Quais são as escolhas que estão sendo feitas? Até que ponto o imperador tem gerência sobre esse processo? Até que ponto não há uma pressão do movimento negro? Até que ponto a Inglaterra não está pressionando?’, questiona.

“Quando a gente começa a analisar tudo que está acontecendo naquele período, a gente percebe que o projeto que é encaminhado inicialmente para a Câmara é muito mais abrangente. Envolve o processo de educação para os negros, redistribuição de terras e assentamentos dos negros. Só que tudo isso vai sendo cortado do projeto durante as sessões da Câmara que vão culminar no 13 de maio.”

  Giovanni Codaça – Coordenador de História

Para Milton Dias, estudante de Publicidade e Propaganda, a data não é para se comemorar, porque não foi feita pelas pessoas negras e para elas. “Foi uma coisa que uma mulher branca resolveu fazer porque teve um lapso de bom senso. Até porque não mudou muita coisa. Até hoje a gente tem resquício disso na sociedade, então não foi uma mudança que salvou e libertou alguém”, afirma. Além disso, ele também acredita que se é para levantar o nome de alguém importante no movimento, não tem que ser a Princesa Isabel. Precisa ser nomes como do Zumbi dos Palmares e a sua esposa Dandara, pois realmente lutaram pelo movimento negro.

Ana Carolina Aguiar – 6° Período

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