Curiosidades sobre o Halloween

Origem do Nome

O nome Halloween vem de “All Hallow’s Eve”. “Hallow” é um termo antigo do inglês que significa “santo”. “Eve”, em português, é “véspera”. Assim, a expressão era usada para se referir à noite anterior ao Dia de Todos os Santos, comemorado em 1º de novembro.

Origem da Festa

O Halloween é conhecido em todo o mundo por ser um feriado celebrado, principalmente, nos Estados Unidos, mas sua origem é bem mais antiga do que se imagina. A festa surgiu entre os povos celtas, residentes de onde hoje fica localizada a Irlanda, há cerca de 2.500 anos. Não há nenhum registro escrito desse povo, por isso suas histórias e tradições foram passadas oralmente de geração em geração. Eles acreditavam que os mortos se levantavam para apoderar-se do corpo dos vivos nessa noite.

Por isso, para afastar os maus espíritos e proteger a colheita, eles saiam de suas casas fantasiados de figuras estranhas e bizarras. A comemoração dos “doces ou travessuras” (trick or treat, em inglês) ocorre no dia 31 de outubro desde a sua origem. Essa data marca o Samhain, que corresponde ao ano novo celta. Foi durante a Idade Média que a comemoração recebeu a denominação de “Dias das Bruxas”, pois era um evento condenado pela Igreja Católica, sendo alvo de perseguições e condenações de seus participantes à fogueira.

O pedido de doces nesse dia está relacionado com essa antiga tradição. As pessoas ofereciam comida aos maus espíritos, como forma de apaziguá-los. O uso de abóboras como vela, no entanto, está relacionado a um folclore irlandês, cuja figura central é o “Jack da Lanterna”. A história conta que Jack conseguiu enganar o diabo e, por isso, escapou do inferno. Ao morrer, ele não foi aceito no céu e passou a andar pelas noites utilizando uma lanterna para iluminar o caminho. Na lenda, no entanto, Jack não utilizava abóboras, mas sim um nabo.

halloween-959006_960_720

O Halloween, também conhecido como “Dia das Bruxas”, é comemorado no dia 31 de outubro desde a sua origem Foto: Pixabay

Dos Estados Unidos para o Mundo

Em 1845, período histórico conhecido na Irlanda como “Grande Fome” fez com que milhares de pessoas migrassem para os Estados Unidos, levando suas histórias e cultura.

Hoje, o Halloween é o maior feriado não-cristão do país. Seu cunho comercial aumenta as vendas de doces. Segundo a BBC, em 2010, as vendas de chocolates ultrapassaram as de outras datas comemorativas como Dia dos Namorados e Páscoa.

As festas são retratadas em diversos filmes, séries e demais produções norte-americanas. Com essa popularidade, a comemoração foi exportada para outros países, entre eles o Brasil. Aqui, as celebrações geralmente ocorrem em boates, bares, escolas e cursos de idiomas. As crianças, principalmente, se divertem com as fantasias e brincadeiras.

Filmes sobre Halloween

Se você quer comemorar o Dia das Bruxas debaixo das cobertas ou se divertindo com amigos, confira a seleção abaixo de filmes, de animações a clássicos do terror, com essa temática:

  • Halloween: A Noite do Terror (1978);
  • O Estranho Mundo de Jack (1993);
  • Abracadabra (1994);
  • A Bruxa de Blair (1999);
  • A Noiva Cadáver (2004);
  • Contos do Dia das Bruxas (2007);
  • Frankenweenie (2012).

Letícia Montilla – 6º período e Maria Carolina Martuchelli – 6º período

A segunda temporada de “Atypical” e a importância de se entender o autismo

Já é hora do recreio e as crianças estão eufóricas para uma rotina que tanto as alegra. Os corredores são tomados por correrias e gritos, na tentativa de chegar aos brinquedos do pátio. Algumas sentam em pequenos grupos, abrem suas lancheiras e já mergulham os dedos no pacote de biscoito. Alguns metros dali, porém, um menino de cabelos cacheados, calçando um par de tênis do seu personagem favorito, o Homem-Aranha, surge, isolado dos demais.

Aparentando estar triste e sem sequer manter contato visual com as outras crianças, senta em um banco esverdeado, distante. Ele se prepara para tomar o suco que sua mãe colocara em sua mochila. O menino sofre de autismo. Assim como ele, cerca de 150 mil crianças por ano são afetadas pela síndrome no Brasil. O Transtorno do Espectro do Autismo é um problema psiquiátrico, que costuma ser identificado na infância, entre um ano e meio a três anos de idade e que compromete as habilidades de comunicação e interação social da criança.

Para a mãe Bruna Almeida Rachid, de 37 anos, foi bastante complicado lidar com a descoberta do filho, de 10, que é autista. “A persistência em todos os ensinamentos foi o que me fez continuar, é uma batalha diária lidar com a síndrome, mas a paciência de entender é o caminho da vitória”, conta. Na série Atypical, da Netflix, é possível entender melhor como funciona a interação do jovem Sam (Keir Gilchrist) e como ele tenta lidar com os problemas da adolescência e também com a família. É curioso como Sam passa boa parte do tempo assistindo sobre a vida animal dos pinguins e acaba percebendo que a relação entre os animais funciona como a sua mente, sendo encarada de forma metódica e racional.

Keir Gilchrist

Keir Gilchrist interpreta o jovem Sam, portador de autismo Foto: Divulgação

O ator Keir Gilchrist faz um bom trabalho, conseguindo representar bem o autismo, sendo possível notar como dá vida ao personagem de maneira tocante e marcante. Sua atuação faz com que os telespectadores entendam que, de fato, essa condição não deveria ser tratada de forma anormal. Se a primeira temporada já era boa em retratar essa síndrome com esmero, a segunda é feliz em manter o nível.

Nela, é possível relembrar não apenas dos pinguins do jovem Sam, mas também do humor diferenciado do protagonista. A nova temporada estreou no último dia sete de setembro na Netflix e mesmo parecendo sem apelo do grande público, acabou conquistando diversas pessoas que se identificaram com a forma humana dos personagens de levar a vida. Leve, a série nos faz refletir e manipula emoções e sentimentos sobre a ignorância humana.

A estudante e fã da série Roberta Martins afirma que é nítida a compreensão dos diálogos com o mundo do autismo. “Tive a oportunidade de participar da Obra Social Dona Meca e lá trabalhei com um voluntário para crianças e adolescentes portadores do autismo, foi uma experiência única e marcante”, declara a jovem de 22 anos. A estudante diz ainda que a série não deixa a desejar em nada e que para quem quer compreender um pouco mais da síndrome, é uma boa pedida se aventurar pelos capítulos da obra.


Suellen Santos – 6º período e Márcio Rodrigues – 7º período

Jair Bolsonaro é o novo presidente do Brasil

Jair Messias Bolsonaro (PSL) venceu Fernando Haddad (PT) em segundo turno e foi eleito o 38° Presidente da República neste domingo (28). O resultado foi confirmado às 19:18, quando, com 94,44% das seções apuradas, Bolsonaro somava 55.205.640 de votos (55,54% válidos) e não podia mais ser alcançado por Fernando Haddad. O candidato do PT alcançou 44.193.523 votos (55,13% válidos). Concluída a apuração, Bolsonaro somou 57.797.847 votos (55,13%) e Haddad, 47.040.906 (44,87%).

O cientista político Guilherme Carvalhido acredita que o novo presidente terá dificuldades com o novo Congresso. “Ele terá que negociar muito para conseguir aprovar as reformas básicas, previdência, política e fiscal”. Carvalhido também explica que Bolsonaro precisará unir a população. “Estamos em um cenário polarizado entre direita e esquerda, o que dificulta qualquer governo em um país complexo como o Brasil”.

Assim como Carvalhido, o advogado Leonardo Rabelo acredita que o desafio do novo presidente será promover uma unificação nacional. “Ele contará com a rejeição de praticamente metade do país”. A polarização, segundo ele, sempre existiu, mas foi acentuada com as mídias digitais. “O acesso às redes ficou popularizado, aproximou as pessoas e promoveu a possibilidade de criação das fake news, que deram o tom dessa campanha, como aconteceu com os Estados Unidos”.

Bolsonaro

Com 100% das urnas apuradas, Bolsonaro alcançou 55,13% dos votos válidos Foto: Visual Hunt

Conheça um pouco sobre os candidatos:

O presidente eleito, Jair Bolsonaro, atuava como deputado federal desde 1991. Antes disso, em 1987, foi vereador no Rio de Janeiro. Em 26 anos no Congresso, ele apresentou 171 projetos e dois deles foram aprovados. Capitão da reserva do exército, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras. Ao longo de sua carreira política, passou pelos partidos PDC, PP, PRP, PPB, PTB, PFL, PP, PSC e PSL.

O candidato do PT, Fernando Haddad, é formado em Direito na Universidade de São Paulo (USP). Ele é mestre em economia e doutor em filosofia pela USP. Sua carreira política começou em 2001, quando assumiu o cargo de chefe de gabinete da Secretaria de Finanças, na prefeitura de São Paulo. Em 2005, foi Ministro da Educação no governo Lula. Em 2012, Haddad foi prefeito de São Paulo.


Letícia Montilla – 6° período

Oficina para combater Fake News acontece em várias cidades brasileiras

Projeto leva o ensino e o debate sobre o jornalismo para dentro das salas de aula

No atual momento, em que muito se discute sobre fake news, poucas propostas concretas surgem para solucionar o problema. Isso não quer dizer que não haja ninguém procurando reverter o atual cenário da comunicação, que está inundado de notícias falsas. Assim, o Énois, Escola e Laboratório aberto de Jornalismo, lançou oficinas gratuitas para professores (principalmente do Ensino Médio) para a aplicação da metodologia da Escola de Jornalismo em sala de aula, em diversas cidades.

O projeto visa oferecer o conhecimento das teorias e práticas jornalísticas, como o processo de criação da pauta e de distribuição da notícia, aos professores e às professoras do Ensino Médio, possibilitando a construção de projetos que apliquem o conteúdo aprendido em sala de aula. Baseado na interdisciplinaridade do ensino, a oficina pretende aproximar as escolas da sociedade e incentivar o aproveitamento de recursos multimídia, além de oferecer ferramentas para que os professores possam ensinar aos alunos qual a melhor forma de agir diante de uma fake news. A inscrição para participar das oficinas pode ser feita aqui.

Dentro da Escola de Jornalismo (EJ), o Énois criou o projeto ChecaZap, onde os jovens participantes da EJ fazem a checagem semanal de fatos e boatos distribuídos por meio do aplicativo de conversas WhatsApp. Durante as eleições, diversas fake news foram detectadas pelo grupo. Vinícius Cordeiro, jornalista e videomaker no Énois, explica que a formação da Escola de Jornalismo dura cerca de dez meses e é dividida em três módulos. Cada módulo termina com a entrega de um produto jornalístico, que pode ser um mini documentário, uma reportagem multimídia ou, por exemplo, um projeto de checagem de notícias que circulam por aplicativos e que possam interferir no processo eleitoral, como foi o caso do Checazap.

“O módulo passado contemplou desde debates sobre ‘como a gente pensa como pensa’, ‘sistema político brasileiro’, ‘retórica’ e, mais precisamente, sobre ‘fake news’, para, no fim, apurar em mais de 300 grupos, fatos e boatos que estavam circulando. As checagens foram publicadas em veículos como CBN, Huffpost Brasil, Quebrando o Tabu e também na rede social Twitter. Durante esse processo, a galera entendeu a importância da checagem do que chega para nós nas redes sociais, pra que não espalhemos desinformações”, explica Vinícius.

Além do trabalho no desenvolvimento jornalístico, o Énois realiza, através da plataforma Diversa, estudos sobre diversidade racial e sexual nas redações do Brasil e do mundo. O último newsletter da Diversa, de junho de 2018, intitulado “Precisa-se de jornalistas negros além da raça”, apontou que 74% das redações do país não possuem ações voltadas à diversidade e que cerca de 40% dos jornalistas já sofreram alguma discriminação racial no trabalho.

Turma Escola de Jornalismo 2018

Alunos da turma de 2018 da Escola de Jornalismo Foto: Divulgação / Énois

A Agência UVA conversou com Amanda Rahra, co-fundadora da Escola de Jornalismo da Énois, sobre as inspirações do coletivo, assim como sobre soluções para minimizar os efeitos das fake news em nossa sociedade.

Agência UVA: Quais são as bases teóricas da Escola de Jornalismo e de onde veio a inspiração para criá-la?

Amanda Rahra: Nossa base teórica é a prática, a gente não vem da educação, criamos uma figura de interesse público com a Escola de Jornalismo. Há 10 anos, em janeiro de 2009, fomos fazer um trabalho voluntário na Casa do Zezinho, no Parque Santo Antônio (SP), para fazermos uma fanzine e então, começamos a conversar sobre jornalismo e produção. De cinco semana que iríamos ficar, acabamos passando cinco meses com eles e os cinco jovens que queriam fazer a fanzine, acabaram se tornando trinta jovens que queriam produzir uma revista completa com as pautas. Então fomos apoiando e conseguindo parcerias com gráficas, fotógrafos, publicitários e aí fizemos três mil exemplares, que os jovens distribuíram em suas escolas. Esse episódio mudou nossa vida e nos levou para a formação em jornalismo, ou seja, nos tirou da redação e nos colocou na Oficina de Jornalismo, que foi criada a partir daí.

Zzine (primeira revista)

Primeira fanzine criada pelos jovens da Casa do Zezinho Foto: Divulgação / Énois

AU: Pode falar um pouco sobre a metodologia? Quais tópicos são ensinados?

AR: Dez anos depois do início na Casa do Zezinho, conseguimos lançar a Oficina de Jornalismo nas escolas e entender o processo. Nossa metodologia é formada em 3 U’s, que são três processos investigativos: a descida do U é um processo de abertura, onde trazemos profissionais do mercado e contextos de temas, recortes da pauta, especialistas do tema e, assim, temos aulas de pauta, técnica de entrevistas, apuração de dados, roteiro em vídeos e áudios, técnicas de som. Ou seja, a descida do U é sempre a parte de formação e a parte teórica.

Na parte da base do U, no centro dele, é nossa imersão, quando tiramos o jovem do contexto de sala de aula. Uma vez levamos eles para um restaurante coreano, por exemplo, para eles entenderem os quesitos de gastronomia desse território, ou seja, retiramos eles do contexto de sala de aula, para uma reunião de pauta dentro do objeto de estudo. Na subida do U, junto às duas etapas anteriores, a questão teórica aprendida na primeira etapa é praticada agora com base na reunião sob imersão da “base do U”, e então, decidimos o que podemos fazer com sua pauta, com os processos de apurações e subimos até a produção e os tópicos teóricos são praticados até o processo de distribuição.

AU: Em tempos de difusão de fake news, como a Escola de Jornalismo pode auxiliar a educação a se tornar crítica e ajudar os jovens a identificar informações falsas?

AR: Em tempos de fake news, a existência da Escola de Jornalismo é fundamental. Como jornalistas, estamos fechados em um mundo bastante restrito econômica, social e politicamente, porém, nosso trabalho na escola é com jovens vindos de periferias e que vão ocupar estes espaços nas redações, tornando-as mais diversas, assim como dando às pautas novos olhares, inclusive inserindo nelas o discurso e o debate sobre gênero e raça – pois quando se fala de mulheres e negros, estamos falando das maiorias populacionais do país, e assim, traz à essa nova visão sobre pautas, o interesse público de poder falar com essas populações.

Ou seja, levamos interesse público para dentro das redações, que é uma das funções do Énois, que inclusive solidifica o combate às fake news, pois dá mais complexidade ao diálogo e diversidade aos pensamentos jornalísticos. Por outro lado, como sintetizamos nossa metodologia, esse é o primeiro ano de formação de professores, em que explicamos onde tem todas essas informações, para que os professores as levem para dentro das salas de aula formais, assim como em seus projetos sociais, ONG’s e outros espaços educativos. É muito importante reforçarmos e mostrarmos os códigos do jornalismo para poder educar as pessoas no sentido do que é fake news, da diferença entre repórter e o cidadão comum. É fundamental que a Escola de Jornalismo exista em tempos de fake news e também que o jornalismo se posicione de forma mais complexa e aprofundada nessa leitura da realidade, pois já há uma varredura das redes sociais sobre a informação. O trabalho do jornalista nos tempos atuais é de como organizá-las.

AU: Qual a relação do Énois com a Escola de Jornalismo?

AR: O Énois é a nossa “marca maior” e no guarda-chuva da Énois, há a Escola de Jornalismo, que é uma associação sem fins lucrativos onde os jovens podem passar por esse processo de formação durante um ano e passam também por um processo seletivo para entrar na escola. Também temos a Agência de Jornalismo Énois, em que vendemos pautas para grandes veículos e onde colocamos o pessoal em formação para trabalhar.


Daniel Romão – 8º período  (Texto para a disciplina de ED de Oficina de Jornalismo)

 

Eleições 2018: como as Fake News influenciam episódios de violência

Os recentes episódios de violência, aliados ao fenômeno das fake news, marcaram as Eleições de 2018. A Folha de São Paulo divulgou recentemente um esquema de envio de notícias falsas em massa, enquanto surgiam cada vez mais casos de agressões por motivações políticas em todo o Brasil. A pergunta do momento passou a ser a seguinte: Como as pressões das redes sociais podem influenciar as Eleições?

Em primeiro lugar, é preciso entender as possibilidades que a internet oferece. Os dispositivos móveis surgem como fonte de informação tão relevante quanto o rádio e a TV. A principal oportunidade aberta pela web foi a liberdade com a qual todos podem transmitir informação. Foi só questão de tempo até aparecerem portais que divulgam notícias falsas ou distorcidas.

A professora e pesquisadora de Comunicação Social, Diana Damasceno aborda a questão do compartilhamento de notícias falsas em suas aulas. Para ela, a população brasileira ainda não possui condições de distinguir o que é importante na enxurrada de informações que são compartilhadas todos os dias.

Diana salienta que algumas pessoas compartilham as notícias na tentativa de satisfazer o próprio ego virtual: “Elas acham que ao compartilhar estão tendo mais visibilidade, mas o conteúdo que realmente interessa é mínimo”. Entretanto, as pessoas são apenas parte do processo que hoje é estruturado.

Renan Barbosa, sociólogo e mestrando em Ciências Políticas, faz questão de ressaltar a forma como as informações falsas são disseminadas. Ele entende que o processo de difusão dessas mensagens passa por pessoas com conhecimento técnico de informática. Tais profissionais, que dominam códigos de programação, conseguem criar robôs que disparam mensagens automaticamente, os bots.

“Para uma difusão em nível nacional, tem-se descoberto cada vez mais o uso de robôs nas redes sociais, para inflar determinados candidatos ou temas”, afirma Renan. A mecânica é simples: os bots fazem publicações de forma massiva sobre determinado assunto, que vai parar nos temas mais comentados do Brasil e logo vira pauta de conversas e matérias de pequenos jornais, trazendo assuntos falsos ou distorcidos à tona.

Renan pondera sobre o processo: “As fake news são sempre sobre fatos nunca existentes, que visam depreciar uma pessoa. Consequentemente e subjetivamente, esse tipo de notícia tem como finalidade dividir a sociedade”. Tal efeito pode ser observado no atual momento, com o aumento de atos violentos, tendo divergências políticas como motivação.

A estudante de Engenharia Ambiental Fernanda Oliveira, de 21 anos, acredita que as notícias falsas mudaram o curso da eleição e impulsionam a tensão existente no cenário atual. “Quando as pessoas acreditam que você apoia um candidato que criou o Kit Gay ou da exposição do sexo precoce para crianças, elas podem achar que você é uma pessoa má, só que na verdade, é tudo mentira”. Ela ainda cita a falta de um filtro na internet, o que torna fácil encontrar mentiras mascaradas como verdades.

Fernanda

Fernanda acredita que faltam formas de separar a verdade da mentira na web Foto: Arquivo Pessoal / Fernanda Oliveira

Basta ter uma conta no aplicativo WhatsApp (um grupo de conversas) e logo começam a chegar as mensagens sem fontes verificadas ou mentirosas. O professor de Geografia Anderson Lima, 35, é um exemplo. Ele já recebeu mensagens que favoreciam e caluniavam o candidato dele para presidente. Apesar de se informar principalmente por meio da internet, Anderson faz questão de utilizar portais oficiais como fontes primárias.

WhatsApp Image 2018-10-26 at 23.02.24

Anderson Lima: “O aspecto mais negativo da internet é a propagação de notícias falsas” Foto: Arquivo Pessoal / Anderson Lima

“É ruim, porque muitas pessoas ainda não aprenderam a lidar com toda a informação que recebem”, diz Anderson. Como apontou o sociólogo Renan, a propagação de notícias falsas visa dividir ainda mais a sociedade e dessa polarização, surge o problema: diversos casos de violência em função de divergência política eclodiram nas últimas semanas.

Anderson é categórico: “Eu acho que beira a barbárie. A eleição acaba se tornando uma disputa parecida com o futebol, entra o fanatismo e isso se torna um aspecto negativo”, diz o professor, lembrando que já foram produzidas notícias falsas sobre os próprios atos de agressão, como o caso da jovem do Rio Grande do Sul, que se automutilou e acusou militantes de agressão com motivação política.

As Eleições de 2018 foram marcadas pelas fake news, pelos bots e pelos ciborgues, humanos que criam múltiplas contas para atividade nas redes sociais. Cabe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), junto aos órgãos internacionais de monitoramento de empresas, criar mecanismos que impeçam o uso de tais ferramentas para influenciar o voto, o principal direito da democracia.

1013776-drone_esplanada--8

Brasília – Manifestantes pró (à direita) e contra (à esquerda) o impeachment de Dilma Rousseff ocupam a Esplanada dos Ministérios durante o processo de votação na Câmara dos Deputados  Foto: Juca Varella / Agência Brasil


Luíza Accioly Lins e Pablo Guaicurus – 8º período

“Fúria em Alto Mar” prende o espectador em tenso thriller do início ao fim

Ação, suspense e tensão. Muita tensão! O filme Fúria em Alto Mar, que entra no circuito nacional neste fim de semana, não é apenas mais um caça-níquel do gênero. Trata-se de um thriller de ação inteligente, que tem como pano de fundo um tema comum na cabeça de uma parcela da sociedade brasileira nos últimos meses, que vai fazer o espectador pensar mais ainda sobre. Quem for ao cinema, poderá ver uma de suas conversas do happy hour sendo retratadas no longa.

Baseado no livro Firing Point, de George Wallace e Don Ketih, Hunter Killer, no original, relata a história de um submarino americano que vai em uma missão de reconhecimento, para saber o porquê do abatimento de um de seus submarinos no mar de gelo, que corresponde ao território russo. Ao chegarem no local, descobrem algo inusitado: além do abate à embarcação norte americana, os russos bombardearam a marinha do próprio país.

Agora, cabe ao comandante Jon Glass, interpretado pelo ator escocês Gerard Butler (300 e P.S. Eu Te Amo), descobrir a causa de toda essa confusão no fundo do Ártico. Em meio a todos esses ataques, a democracia russa também é acometida. O presidente do país é sequestrado por um grupo de militares, em um plano arquitetado pelo seu Ministro de Defesa, na intenção de iniciar uma guerra.

Capitaneados por Gerard, que é o comandante do submarino e do elenco em questão, a película desenvolve uma tensão do início ao fim, trazendo várias perguntas à cabeça do espectador: Em quem confiar? Quem está falando a verdade? Quem são os verdadeiros mocinhos? E os vilões?

O elenco traz atuações de coadjuvantes luxuosos. Os oscarizados Gary Oldman – vencedor do prêmio desse ano por sua atuação em O Destino de Uma Nação – interpretando um oficial cético e extremamente autoritário e Common – vencedor, em parceria com John Legend, de 2015 pela canção original Glory do filme Selma – um sub-oficial que arrisca não cumprir as ordens dadas pelo personagem de Oldman, porque acredita em seus homens que estão em combate. Porém o papel de herói, fica mesmo a cargo de Butler. Depois de já ter salvo o presidente dos Estados Unidos duas vezes (Invasão à Casa Branca e Invasão à Londres), agora ele terá que salvar o líder russo.

171018_FURIA-EM-ALTO-MAR-3

Gerard Buttler em ação como Jon Glass Foto: Divulgação

O ator entrega um Jon Glass firme em sua posição de comandante do submarino. Com poucos sorrisos, porém afetuoso, Butler consegue sustentar o filme todo, mesmo em momentos que o roteiro deixou a desejar. Seu olhar traz convicção para sua tripulação e convencimento para o público, de que todas as suas ações são o certo a se fazer naquele momento. Tanto é que, um dos “diálogos” mais intensos do filme, é uma troca de olhares entre ele e o capitão da embarcação russa. A tensão do longa é transmitida pela tripulação do submarino. Nota-se no semblante de cada personagem o medo e o desespero de nunca mais sair do fundo do oceano, caso algo dê errado.

20180924-furia-em-alto-mar-papo-de-cinema-3

Michael Nyqvist e Gerard Buttler como os comandantes que tentam solucionar o conflito. À esquerda na imagem, o ator sueco faleceu pouco tempo após o fim das filmagens Foto: Divulgação

A ação ocorre em três cenários distintos: o submarino – onde acontece a maioria das cenas, a sala de operações da inteligência militar dos Estados Unidos – onde está reunida a cúpula norte americana para a tomada de decisões e em terra – por um grupo formado de quatro fuzileiros que entram em terreno russo, para conseguir mais informações e é claro, dar alguns tiros.

O filme é longo. São quase duas horas e trinta minutos sentado na poltrona do cinema, onde os espectadores terão a oportunidade de refletir sobre temas extremamente relevantes na vida real. Um deles é em quem creditamos confiança. Será que essa pessoa irá corresponder positivamente esse crédito? E nós? Temos autoconfiança suficiente para assumir riscos mediante a tomada de decisões importantes?


Débora Esteves – 8° período

 

 

 

Outubro Rosa: mês é marcado pela prevenção ao câncer de mama

Com início nos Estados Unidos durante a década de 90, outubro é considerado o mês da conscientização sobre o câncer de mama, com ênfase na prevenção e diagnóstico precoce. Esse é o tipo da doença mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, depois do de pele não melanoma, responsável por cerca de 28% dos casos novos a cada ano. Homens também podem ser acometidos pela doença, mas é raro, representa apenas 1% dos casos.

Dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA) dizem que 30% dos casos da doença poderiam ser evitados com a adoção de hábitos mais saudáveis. Evitar o consumo de bebidas alcoólicas, praticar atividade física, alimentar-se de forma saudável e manter o peso corporal adequado são alguns fatores que influenciam.

Para o mastologista Dr. Marcelo Barbosa, de 36 anos, que é também Coordenador da Residência Médica de Mastologia do INCA, a prevenção da doença é a mudança de hábitos de vida, adotando medidas saudáveis desde sempre. Outro ponto importante é o rastreamento mamográfico de rotina em mulheres à partir de 40 anos, de acordo com a Sociedade Brasileira de Mastologia ou 50 anos, para o Ministério da Saúde.

“O rastreamento permite diagnosticar o câncer de mama em estágios iniciais, mesmo antes de ser palpado pelo médico, o que permite tratamentos menos agressivos e maior chance de cura”, explica Marcelo.

O mastologista destaca a importância da mulher conhecer o próprio corpo. O autoexame permite que a mesma conheça sua mama e que caso perceba algo diferente, procure um especialista para melhor avaliação. Vale ressaltar que o mesmo não substitui a mamografia, exame fundamental para a detecção precoce do câncer de mama.

450230-PEY3AX-117.jpg

O laço rosa é o símbolo da campanha Foto: Freepik

A professora de Educação Física, Vanessa Pêssoa, de 33 anos, descobriu a doença em 2016. Durante o banho, resolveu fazer o autoexame e sentiu um caroço bem pequeno. Ela conta que sua médica na época não levou a suspeita a sério e somente depois de muita insistência, pediu uma biópsia.

“Ela, contrariada, me deu e disse que eu era neurótica, que isso era coisa da minha cabeça, que eu havia batido em algum lugar dando aula”, lembra Vanessa.

Após o resultado do exame, a professora teve certeza do diagnóstico. Ela reforça que em caso de insegurança, é muito importante ouvir a opinião de mais de um especialista. Para o tratamento, não foi necessário realizar a quimioterapia, foi feita a mastectomia de toda a mama e após isso, foi prescrito o uso de bloqueadores hormonais de uso contínuo.

“Se cuide! Prevenção é tudo! Quanto mais cedo você descobre, maior a eficácia e sucesso no seu tratamento”, alerta a professora de educação física.

Depois de curada, ela fez um procedimento chamado simetrização, que consiste em igualar os seios, mesmo que o câncer tenha se manifestado em apenas um dos lados. Também foi feita a reconstrução do mamilo e da auréola. Para acompanhar, são feitos exames de mamografia periódicos a cada seis meses.

WhatsApp Image 2018-10-25 at 16.56.57

Vanessa expressa no convite de casamento o alívio de estar saudável novamente Foto: Divulgação

“Antes de operar, fiz uma promessa. Não queria nada como subir a escadaria da Igreja da Penha, no Rio de Janeiro, local comum para os pagadores de promessa retribuírem o bem que receberam. Nem parar de comer chocolate, algo que amo. Então, decidi ajudar as pessoas dando informações sobre o câncer de mama”, relata Vanessa.

Hoje, a professora administra um grupo no Facebook que se chama “Câncer de Mama” e no Instagram. Além disso, ela possui um grupo geral no WhatsApp, e um só para mulheres cariocas, onde promovem encontros presenciais para compartilhar histórias, informações e experiências.


Thaiane Barcelos – 6º período

 

 

 

 

 

 

 

“Podres de Ricos” traz frescor às comédias românticas

Um conto de fadas asiático moderno. Essa é uma das formas de definir o sucesso de bilheteria nos Estados Unidos, “Podres de Ricos” ou Crazy Rich Asians, no original, que estreia nesta quinta-feira (25) em todo o Brasil. Baseado no best-seller de Kevin Kwan, o roteiro acompanha a jovem sino-americana, professora de economia da Universidade de Nova Iorque, Rachel Chu (Constance Wu, da série Fresh Off The Boat).

Em um relacionamento há mais de um ano com Nick Young, interpretado pelo estreante Henry Golding, Rachel aceita ir com o rapaz à Singapura para o casamento do melhor amigo dele. Nessa primeira visita à Ásia, ela espera finalmente conhecer a família do namorado, mas o que não pode prever são o luxo e a intriga que a aguardam na mansão dos Young, milionários da alta elite asiática – algo que Nick não a contou.

Crazy Rich Asians

Michelle Yeoh, Henry Golding e Constance Wu em cena do filme Foto: Divulgação

A veterana Michelle Yeoh (007 – O Amanhã Nunca MorreO Tigre e o Dragão) vive a mãe do cobiçado Nick, Eleanor Young, que se torna a principal antagonista de Rachel, por não considerá-la “boa o suficiente” para o seu herdeiro. Não fosse o fato do elenco ser inteiramente asiático (nativos e descendentes), o enredo não seria nada diferente do que já se viu em outras comédias românticas. A diversidade presente na tela é o principal apelo da obra para com o espectador, que, ou está se vendo bem representado, ou está assistindo a uma gostosa aula de cultura oriental, como pouco antes vista.

O desenvolvimento da trama é bem encaixado no contexto social dos personagens, o que traz esse frescor de estar vendo algo conhecido, porém com uma nova roupagem: diferente e moderna. Os estereótipos, apesar de presentes, são tratados de forma divertida e não fazem parte do cerne da história. Falando nisso, o riso é garantido na presença de Ken Jeong (Se Beber, Não Case!) e da atriz e rapper Awkwafina (Oito Mulheres e Um Segredo), que interpretam pai e filha.

day15CRA019.dng

Awkwafina faz a excêntrica Peik Lin, amiga de faculdade da protagonista Foto: Divulgação

A direção é de Jon M. Chu (Truque de Mestre: O Segundo Ato). Todo o filme foi gravado em locações na Singapura e na Malásia, o que rende planos abertos com visuais de tirar o fôlego. Apesar do ritmo ser mais lento no início, o tom leve e imersivo faz com que as duas horas do longa passem rápido. A produção não fica atrás, com cenários e figurinos de dar inveja. A trilha sonora é a cereja do bolo, com a maioria das canções cantadas em mandarim, incluindo versões de Material Girl, da Madonna e Yellow, do Coldplay.

day36CRA048.dng

Figurino é um dos pontos altos do filme Foto: Divulgação

Portanto, os fãs do gênero vão ficar bem satisfeitos com o longa. Comédia e romance são o que não faltam, em doses suficientes para captar até mesmo quem não é fã, mas está a procura de um filme leve e divertido.


Andressa Gabrielle – 8º Período

“Meu Anjo” não é um desastre, mas peca nos excessos

Quando estreou no Festival de Cannes, em 2017, Projeto Flórida chamou a atenção da crítica e rapidamente, passou a ser um dos filmes mais cotados ao Oscar. Em seguida, perdeu espaço e acabou concorrendo apenas em ator coadjuvante, mas não perdeu seu encanto. Entregou uma história que fala do contraste entre os desafios da vida adulta e a inocência da infância. Há notórias semelhanças em Meu Anjo, embora o foco maior seja nas consequências.

Dirigido e escrito pela estreante Vanessa Filho, o filme trata de uma mãe que por conta da vida entregue ao alcoolismo e às tentações, acaba afetando diretamente a criação da filha Elli, de apenas oito anos. A cena de abertura já nos dá um panorama de como funciona a relação delas. A menina assume o papel de cuidadora, enquanto a mãe, bêbada, se questiona se vai conseguir levantar na manhã seguinte para a cerimônia do próprio casamento.

da

Marion Cottilard interpreta a mãe, Marlène Foto: Divulgação

São constantes as vezes que vemos Elli (Ayline Aksoy-Etaix) sendo simplesmente esquecida por Marlène (Marion Cottilard), como se a criança mal existisse. Cottilard, apesar de competente, acaba sendo vítima de um roteiro que torna sua personagem rasa e unidimensional. Nunca conhecemos outras facetas dela ou seu passado – tirando uma cena em que diz que já tentou se casar outras cinco vezes e todas deram errado. Esse fator contribui para uma atuação que à primeira vista se mostra convincente, mas que ao longo da projeção, só se prova estar no mesmo tom.

Esse mesmo estilo é refletido pela direção, que ao abusar de padrões introduzidos de forma prematura, acaba causando um efeito anestésico no espectador. Não houve tempo para que sentíssemos afetuosidade entre Marlène e Elli visto que, desde o primeiro ato, vemos tentativas de aproximação por parte da menina, sendo constantemente rejeitadas. Se por um lado a boa trilha instrumental traz dramaticidade em momentos pontuais, não se pode dizer o mesmo da fotografia que, ao abusar repetidamente dos planos em close e câmera na mão, parece mais desperdício do que algo de fato funcional.

Embora o filme erre em querer nos forçar a sentir o peso da história, Filho acerta quando o destaque maior passa a ser a menina. Sólida, a interpretação de Ayline Aksoy-Etaix transmite, só com olhares, toda sua tristeza, raiva e angústia nas doses certas e acaba sendo um contraponto à linearidade de Cottilard. Esse é o primeiro longa de Ayline, portanto, guarde o nome dela. Nas cenas em que Elli está sozinha são quando as sutilezas do roteiro aparecem. Como em determinados momentos em que a personagem apenas observa outras crianças ou quando, na simbólica cena da piscina, brinca sozinha, em um plano aberto, traz a ideia da solidão e de uma infância perdida em razão do abandono. Ela está reclusa em relação ao mundo que a cerca.

Elli2

A atriz mirim Ayline Aksoy-Etaix é o destaque do filme Foto: Divulgação

Ainda que consiga trabalhar sutilezas, o longa parece mais focado em soar dramático a todo instante, o que inevitavelmente se torna uma armadilha. É aceitável, por exemplo, que a exposição de Elli aos vícios da mãe gere consequências que são vistas no decorrer na história – deixe uma criança sem supervisão e ela estará livre para alimentar suas curiosidades. No entanto, Filho usa o artifício em questão exaustivamente e o que parece impactante no início, só se torna repetitivo com o decorrer do tempo. A rendição às obviedades é ainda mais explícita quando somos apresentados à figura de Julio (Alban Lenoir).

O roteiro nos dá dicas de que o personagem seria uma espécie de espelho para Elli, visto que há pequenas pistas de uma relação conturbada dele com o pai, mas não vemos o desenvolvimento disso. Sem falar no fato de Julio ser um ex-mergulhador de penhascos, fazendo com que um momento específico do filme se torne totalmente previsível. Aliás, observe como, mesmo sabendo da situação em que se encontra a menina, ele sequer toma alguma atitude de procurar quem possa ajudá-la – o conselho tutelar até chega a ser introduzido, mas é simplesmente esquecido depois.

Angel Face

O personagem Julio (Alban Lenoir) é dos pontos fracos do filme  Foto: Divulgação

Ao tratar de temáticas pesadas como o abandono e a negligência materna, Meu Anjo já tem meio caminho para conseguir capturar o espectador. Para alguém que está estreando, a diretora Vanessa Filho até flerta com bons momentos, mas se rende aos excessos. O que se vê de tentativa aqui, foi feito melhor em Projeto Flórida, que consegue explorar com leveza o ponto de vista da infância, sem precisar apelar para as consequências da ausência para que nos faça senti-las. A regra do menos é mais parece se aplicar nesse caso.


Márcio Rodrigues – 7º período

Professores americanos ganham Nobel de Economia

Logo após uma publicação reveladora sobre aquecimento global, dois economistas – um dedicado à mudanças climáticas e outro à tecnologia – foram premiados com o Nobel de Ciências Econômicas de 2018, no último dia 8 de outubro. William Nordhaus, 77, professor de Economia na Universidade de Yale e Paul Romer, 62, professor de Economia da Stern School of Business, na Universidade de Nova Iorque, foram reconhecidos pelo comitê da premiação por seu trabalho na “análise a longo prazo da macroeconomia”, que é o estudo do desempenho de economias nacionais no período de décadas e séculos.

Manoel Esteves

Ilustração criada pela Academia Real das Ciências da Suécia, responsável pela premiação Foto: Divulgação

Romer descobriu que, ao longo dessas escalas de tempo, é possível observar o acúmulo de pequenos avanços na economia, que resultam em grandes transformações nas vidas das pessoas. Boa parte desse crescimento é fruto de novas tecnologias que permitem que a população trabalhe mais, empreendendo com menos esforço e com menos recurso.

Para que se consiga tais avanços e inovações é necessário que haja condições específicas de mercado, que viabilizem a mescla de novas ideias, bem como sua consolidação. O resultado direto são novas abordagens e invenções que desenvolvem economias. Romer formulou como forças econômicas moderam a inclinação de uma empresa ou governo a investir em abordagens fora da caixa.

Tal ideia foi a base da chamada “teoria do crescimento endógeno”, que traça um paralelo direto entre investimento em pesquisas e demais iniciativas de desenvolvimento e o surgimento de ideias novas e úteis, que, invariavelmente, impulsionam o restante da economia. A teoria sugere, ainda, que grandes populações têm mais pessoas trabalhando no setor do conhecimento e, consequentemente, desenvolvendo sua economia. Medidas de proteção – como direitos autorais e patentes – são incentivos cruciais, apesar da ressalva feita por Romer sobre protecionismo causar problemas em outros setores.

O anúncio do Nobel se deu logo após o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, organizado pela ONU, publicar um relatório alertando sobre o provável aumento de 2°C na temperatura média global nos próximos 12 anos. O estudo ressalta que o crescimento econômico – e a dependência de combustíveis fósseis – gerou consequências severas para o planeta, e como resultado, há prejuízo para a economia também.

Nordhaus criou um modelo de avaliação integrada para demonstrar a interligação entre economia, impactos sociais e meio ambiente. Trata-se de uma ferramenta que agrega as especificidades das mudanças climáticas a princípios econômicos, permitindo que se quantifique os efeitos gerados ao planeta.

Queimas de carvão, petróleo e gás ajudaram a humanidade a avançar substancialmente em termos de infraestrutura, transportes e saúde, porém, como subproduto, são gerados gases que retêm calor. O aumento de temperatura, por sua vez, culminou em desastres multimilionários e outros percalços econômicos, como prejuízos em colheitas e, consequentemente, na indústria da nutrição.

Para o professor de economia Márcio Henrique Oliveira, da Universidade Federal Fluminense (UFF), os trabalhos de Romer – sobre tecnologia – e Nordhaus – sobre meio ambiente – têm estreita ligação, tendo em vista que investimentos em inovação tecnológica podem beneficiar substancialmente o meio ambiente. “É perfeitamente possível produzirmos menos carbono. Uma vez iniciado esse processo, ficaríamos surpresos ao perceber que não era tão difícil quanto o esperado”.

Tais modelos de avaliação são para o cálculo do “custo social” do carbono, uma medida utilizada por governos atualmente para determinar a validade de estratégias de combate às mudanças climáticas. Além disso, eles servem para definir o valor dos impostos sobre o carbono, um instrumento político na luta contra o aquecimento global. No entanto, os governos ainda precisam compreender melhor a dimensão do desafio climático. As políticas governamentais estão muito defasadas em relação à ciência e ao que precisa ser feito.


Manoel Esteves – 7º Período