Metade dos brasileiros estão insatisfeitos com o trabalho, mas não mudam de emprego

“Sem trabalho eu não sou nada. Não sinto o meu valor, não tenho identidade.” Como diz a música do grupo Legião Urbana, a maior parte da população brasileira tem a necessidade desde novo de se inserir no mercado de trabalho a fim de ajudar nas despesas de casa ou melhorar de vida. Sem experiência e estudo, muitos trabalhadores acabam optando por qualquer tipo de trabalho sem, muitas das vezes, pensar no salário que receberá, nos benefícios e na própria realização profissional.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva e pelo grupo LTM (Loyalty & Trade Management) revela que mais da metade da população, cerca de 56%, está insatisfeita com a ocupação atual e deseja mudar de emprego. A história de Fernanda Monteiro, 23 anos, é um exemplo da realidade de muitos brasileiros apresentados no levantamento. Ela começou a trabalhar ainda jovem e já passou por diversas áreas do mercado. No momento, atua como auxiliar de conferência em uma administradora de bens. Por falta de oportunidade, afirma que continua fazendo parte do mesmo setor desde 2014, mas  sonha em trabalhar na área de recursos humanos da empresa no futuro.

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Fernanda Monteiro. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

De lá para cá, Fernanda vem investindo nisso, fazendo cursos na área e faculdade de Administração com o objetivo de atingir a sua meta profissional. Apesar da incompatibilidade de seus horários com os cursos oferecidos pela empresa, ela faz questão de demonstrar aos seus superiores que almeja crescer na empresa. Para ela, não é o salário nem a falta de reconhecimento que mais desmotiva o funcionário na hora que surge uma nova vaga em outro setor, mas a injustiça cometida por alguns chefes na hora de beneficiar algumas pessoas por motivo de proximidade. “Faço questão de fazer o meu trabalho e mais um pouco, porém só os ‘peixes’ estão sendo efetivados.”

À medida em que o país vem sofrendo com tantas mudanças políticas, as pessoas estão procurando saber mais sobre os seus direitos. Com a nova legislação trabalhista imposta, a população espera melhores condições de trabalho. Apesar de ser um fator importante, ter um salário digno não está sendo o suficiente para manter o funcionário satisfeito. A pesquisa feita pela Locomotiva junto com o grupo LTM com 1019 entrevistados ainda revelara que para 87 % dos entrevistados, as premiações em produtos e serviços são uma boa forma das empresas valorizarem seus funcionários, enquanto 80 % acreditam que programas de premiação podem estimular muito a sensação de reconhecimento, a produtividade e a melhora do ambiente de trabalho, além da satisfação.

Quem está otimista, apesar da realidade atual do Brasil, e em busca de uma nova oportunidade na empresa é o auxiliar administrativo, Patrick Miranda, de 19 anos. Ele começou a sua carreira profissional como jovem aprendiz e hoje já almeja uma outra efetivação na empresa em que trabalha. Apesar da pouca idade, Patrick sabe da sua responsabilidade e do que precisa fazer para ser promovido, e não se assusta com a concorrência. O jovem tem procurado cursos profissionalizantes e, em breve, espera entrar na faculdade para melhorar o seu currículo. No setor em que trabalha no momento, Patrick se sente um pouco desmotivado com a falta de reconhecimento e o baixo salário oferecido.

Patrick Miranda. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

Patrick Miranda. Foto: Nathália Gonçalves / AgênciaUVA

Outros fatores também tornam a tarefa de se satisfazer no ambiente em que trabalha mais complicada, como a distância do trabalho, dificuldade na locomoção na cidade e outras atividades no âmbito familiar. Rosângela Luiz da Silva tem 44 anos e é assistente administrativo há três anos. Já teve oportunidades de trabalhar em outras áreas como comércio, por exemplo, mas o sonho dela é a área social. Chegou a prestar vestibular duas vezes e conseguiu bons resultados, porém a distância e logística entre trabalho e local para estudar a fizeram desistir.

Como tantas outras pessoas, Rosângela se vê em um emprego que considera bom, sem muitas cobranças e com uma rotina bem ajustada, mas ainda assim não a completa de forma perfeita. As tarefas como dona de casa, mãe e esposa, a tiram um pouco do foco do seu desejo e a afasta de tentar conquistá-lo, porque ela tem outras prioridades no momento. E sabe que, embora o dinheiro não seja tudo, só ele traz uma estabilidade que uma família precisa e, por isso, muitas pessoas optam por continuar onde estão mesmo não estando completamente satisfeitas.

As crianças costumam ser instruídas a trabalhar em algo que dá dinheiro, o que em muitos casos não condiz com o que elas querem de verdade para suas vidas. Muitos adultos são frustrados em seus empregos, porque estão ali apenas com o objetivo financeiro e não conseguem juntar a isso a satisfação com a função que exercem. O país também não tem uma educação empreendedora, então dificulta um pouco quem quer sair desse sistema e tentar fazer algo por conta própria.

E, por todos estes motivos, uma pesquisa realizada pela empresa americana Accenture mostra que 60% das pessoas preferem permanecer em seus cargos, mesmo estando insatisfeitas com o trabalho, do que sair do emprego. Cerca de 3,9 mil pessoas foram ouvidas em 31 países e a causa maior para continuarem nessa condição é o medo de não conseguir outro trabalho. Realmente não é uma decisão fácil de ser tomada, e precisa ser analisada de forma a se botar na balança o que é mais importante para a própria vida e como você pode gerenciar isso sem se tornar um fardo para carregar.


 Dayane Rodrigues e Nathália Gonçalves – 6º período

Mc Novinho: um funkeiro em ascensão

O jovem de origem humilde, que na infância sonhava em ser jogador da seleção brasileira de futebol, hoje começa a colher os frutos do seu suado sucesso no mundo do funk. João Paulo de Melo, o Mc Novinho, ou apenas Novinho, como prefere ser chamado, de 25 anos, já se apresenta há mais de dez anos como funkeiro e é apaixonado pelo que faz. “Quando tinha 15 anos comecei a dançar em um bonde de funk, Os Safadinhos, era o mais novo deles, daí que veio o apelido de novinho. Depois fui seguir a carreira de Mc e é nessa que eu estou até hoje. E quero ficar”.

Material de divulgação da música "Toca aquela", de Mc Novinho. Foto: divulgação

Material de divulgação da música “Toca aquela”, de Mc Novinho. Foto: divulgação

Mc Novinho ganhou visibilidade com o sucesso da música “Toca Aquela” e já teve seu clipe produzido e dirigido por Kondizilla, um dos maiores expoentes do funk na internet, que tem um canal no YouTube com mais de vinte milhões de inscritos. O clipe promete impulsionar ainda mais o sucesso do Mc. Atualmente, Novinho faz uma média de 20 shows por mês. “Estou fazendo show pelo Rio todo, é muito bom fazer sucesso e ser reconhecido”.

O Mc conta que, sem sua família, esse sucesso nunca seria possível. A família sempre o apoiou bastante nos seus sonhos e ambições dentro e fora do funk. “Eles me apoiam muito, em tudo. Sempre apoiaram. Meu sucesso também é deles”.  Além da família, quem mais incentiva Novinho a seguir sua trajetória como Mc são os seus fãs. Ele diz sentir um carinho especial por todos, principalmente as mulheres. “Sou apaixonado pelas minhas fãs e elas por mim”, afirma ele com um sorriso no rosto.

Novinho confessa que adora sentir o assédio das fãs, que é grande, mas não parece incomodar sua namorada. “O assédio é grande sim, eu amo, mas minha namorada não se importa, nem liga. Ela não é ciumenta e fica feliz pelo meu sucesso, sabe o quanto eu batalho”. Ele próprio gerencia e administra sua carreira, e mesmo sem contar com nenhum investidor que o patrocine, o que é relativamente comum na música, hoje seus ganhos mensais giram em torno de R$ 50 mil.

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Mc Novinho. Foto: divulgação

Apesar disso, Novinho revela que ainda não conseguiu realizar seu maior sonho de consumo. “Sempre quis comprar uma casa com piscina. Ainda não deu, só tenho dois meses de sucesso, mas tenho fé que vou conseguir realizar esse sonho”, conta ele, rindo. Ele também afirma que sua realização não vem somente dos bens comprados com o dinheiro ganho na carreira. “O mais gratificante é o valor que eu dou para tudo, só eu sei da minha luta e perseverança em conquistar o sucesso”.

Para o futuro, Novinho já tem planos a longo prazo. “Quero abrir uma firma de funk. Sem empresário no meio. Quero trabalhar com novos artistas. Lançar gente nova”. Ele, que hoje se diz realizado com seu trabalho e com tudo o que conquistou fazendo o que faz, também diz que ainda almeja muito mais daqui para frente na carreira. “Tem muita gente com quem eu quero cantar, muito lugar onde ainda quero tocar. Pretendo aproveitar ao máximo todas as oportunidades que eu conseguir”.


Reportagem de Matheus Marques para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

 

Pesquisa: 44% dos brasileiros estão pessimistas com as eleições presidenciais deste ano

A pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira revelou que 44% dos brasileiros estão pessimistas em relação às eleições presidenciais de 2018 e que apenas 20% se dizem otimistas. Divulgado em março, o levantamento foi realizado de 7 a 10 de dezembro de 2017 pelo Ibope para a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e ouviu 2.000 brasileiros em 127 municípios.

Alguns dos motivos apontados para o pessimismo foram a corrupção, a perda de confiança no governo e nos candidatos, a falta de opção entre os pré-candidatos e a falta de mudança e renovação nos pretendentes aos cargos políticos.  Para 92% dos entrevistados, é importante que o controle dos gastos públicos esteja na pauta dos pretendentes ao Palácio do Planalto. Para 44% dos entrevistados, o foco do futuro presidente deve estar na saúde, na educação, na segurança e na redução da desigualdade social.

Os desdobramentos da Operação Lava-Jato são um dos motivos que levaram a aluna de Ciências Sociais Andressa Nery, de 22 anos, a sentir pessimista com as eleições de 2018. Com a situação política pela qual o país passa atualmente, ela defende que o novo presidente precisa ter uma noção aprofundada da economia, das questões sociais e da política, tanto interna quanto externa, do Brasil. A jovem acredita que o país precisa ser mudado a curto e a longo prazo pelo novo representante. “Acredito que o foco principal deve ser, prioritariamente, questões a curto prazo, dando maior atenção a cada necessidade dos ministérios criados, por exemplo. E, a partir disso, dar atenção às questões a longo prazo, como alto investimento na educação e na segurança”.

Alice Salz, estudante de direito. Foto: Letícia Montilla / AgênciaUVA

A estudante Alice Salz acha que os candidatos devem avaliar se terão recursos suficientes antes de prometer qualquer coisa para o eleitor. Foto: Letícia Montilla / AgênciaUVA

Dentro desse cenário de descrença, muitas pessoas não têm confiança nos pré-candidatos. Isso acontece porque muitos, após serem eleitos, não cumprem com o que prometeram à população durante a campanha.  A estudante de direito Alice Salz, de 22 anos, diz escutar as promessas de campanha com desconfiança, pois só na prática poderá avaliar se elas serão cumpridas ou não. “Os candidatos, antes de prometerem, devem ter em mente se os cofres públicos terão recursos suficientes para executarem e colocarem em prática políticas públicas eficientes”.

Alice é uma das cidadãs que, mesmo com a situação política pela qual passa o país, prefere se manter otimista. “Com informações diárias a respeito de novos casos de corrupção e desvio de dinheiro, nos deixamos influenciar negativamente, acreditando que o Brasil não tem mais jeito”. Para ela, finanças públicas e a economia estão entre os principais focos que o novo presidente deve ter após assumir. “Não adianta querer viver em um país de primeiro mundo se o que vemos é um aparente déficit no orçamento para a saúde e a educação”.

Os motivos que levaram os brasileiros ao pessimismo com as eleições presidenciais de 2018 são a visão de que o sistema político está corrompido e o sentimento de insegurança que se abateu sobre a população, segundo o profissional de relações internacionais Thiago Menezes. “Essa percepção vem à reboque das investigações que revelaram grandes esquemas de corrupção nas mais variadas esferas do poder público, com destaque para a Operação Lava-Jato e seus desdobramentos”.

Com relação à questão da insegurança, ele explica que isto pode ser visto sob o prisma da preservação da integridade dos cidadãos, tanto fisicamente, como também patrimoniais. Os brasileiros, na visão dele, estão se sentindo ameaçados com o clima de violência no país. Além disso, ele acredita que a população também se vê ameaçada pelo elevado índice de desemprego e pela tendência à redução dos salários. “Essa mistura de percepções é o que resultou em uma grande sensação de impotência e fragilidade entre a população, originando um cenário de bastante pessimismo com relação, não apenas às eleições, mas aos processos políticos como um todo”.

A margem de erro estimada da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos sobre os resultados encontrados na amostra. O nível de confiança utilizado é de 95%.  A pesquisa CNI/Ibope foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo número BR-03599/2018.


Letícia Montilla – 5° período

‘Velas Latinoamérica 2018’ tem visitação gratuita de navios veleiros até 31 de março no Píer Mauá

A Marinha do Brasil está recebendo no Porto do Rio de Janeiro o evento “Velas Latinoamérica 2018”. O evento acontece a cada 4 anos e, nesta edição, reúne seis navios veleiros estrangeiros e um brasileiro, o Cisne Branco. Começou no dia 25 de março e vai até este domingo, dia 1º de abril. Mas os navios estão abertos para visitação gratuita do público somente até sábado, dia 31 de março, das 13h às 17h30. Eles estão atracados entre os armazéns 1 e 7 do Cais do Píer Mauá.

No dia 31, haverá também uma apresentação aberta ao público da Banda do Corpo de Fuzileiros Navais, às 18h, na Praça Mauá. Já no dia 1º de abril, repetem o Desfile Naval que fizeram em sua chegada. As embarcações passarão pelas praias Barra da Tijuca, São Conrado, Leblon, Ipanema e Copacabana, e seguirão rumo à cidade de Montevidéu, no Uruguai, encerrando o evento.

Apenas no Cisne Branco, mais de 800 visitantes já passaram pelo veleiro desde o início do evento, afirma o oficial da Marinha do Brasil Travassos, de 30 anos. Ele afirma que a tendência é aumentar o número de visitações no final de semana. Além disso, conta que esse ano haverá uma comemoração em especial no Chile, por ser aniversário da esquadra deles, e que, em 2022, será a vez do Brasil em comemoração ao descobrimento.

O Brasil é o primeiro país onde os navios veleiros atracaram no “Velas Latinoamérica 2018”. Depois daqui, as embarcações seguirão para os portos e cidades mais importantes do Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Equador, Panamá, Curação, Colômbia, Venezuela, República Dominicana e por fim México. O evento tem o objetivo de reforçar os laços de amizade entre as diferentes marinhas dos países da América Latina.

“É uma experiência muito linda. Primeiro por conhecer tantas pessoas e segundo por contar com tantos países da América Latina juntos”, conta o aspirante argentino Sebastian Calatayud, de 22 anos. Ele afirma também que esse intercâmbio cultural — um encontro de culturas ao longo do percurso —, é importante tanto para o complemento da sua formação como uma grande experiência de vida.

O evento que acontece este ano na América Latina será realizado na Europa, Ásia e África, nos próximos anos,  e contará com navios privados e navios da Marinha.

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Fotos: Leticia Heffer / AgênciaUVA


Leticia Heffer e Bianca Barbosa  – 6º período

Crítica: Com Amor, Simon

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Cartaz do filme “Com amor, Simon.” Foto: Divulgação

Quem não tem segredos? Ou quem nunca escondeu algo? O medo de nos mostrarmos como realmente somos é algo que permeia a humanidade desde os tempos antigos. E na adolescência, a fase da afirmação, das descobertas, esse medo torna-se, em alguns casos, patológico, levando muitos a adoecerem (mentalmente e também fisicamente). Felizmente, isso não é o que acontece no filme. O protagonista Simon não chega a um ponto tão sombrio como depressão e afins. Tudo porque, aos poucos, o adolescente vai escapando dos seus próprios esconderijos.

Inspirado no livro “Simon Vs. A Agenda Homo Sapiens”, de Beck Albertalli, “Love, Simon” (no original em inglês) conta a história de um típico adolescente americano (que poderia ser também francês, africano) que está enfrentando todas as mudanças concernentes a essa etapa da vida, tendo porém um fator que, para ele, ainda é preponderante na forma em como as pessoas ao seu redor irão vê-lo. Simon é gay.

Ele vive uma vida normal: pai (Josh Duhamel, pouco expressivo, mas atende o personagem), mãe (Jennifer Garner que, em poucas cenas, consegue mostrar que mãe que é mãe e sempre conhece a sua cria), irmã (interpretada por Talitha Bateman) e um cachorro chamado Biber. Amigos, escola, carro, sonhos com formatura e faculdade. Nada lhe falta, fisicamente falando. Contudo, Simon está sempre nervoso, apreensivo, inquieto. Seus olhos a todo momento demonstram esse segredo que ele quer guardar, por medo de se expor e do que as pessoas vão achar. Nesse ponto, a atuação de Nick Robinson (“Tudo e Todas as Coisas” e “Jurassic World”) como Simon, consegue nos transportar para dentro dessa cabeça confusa e angustiada, e fazer com que sintamos todas essas emoções que trazem conflito e tristeza para aquele belo garoto de olhos cativantes. Nick tem a delicadeza de nos entregar um Simon super humano que não mede esforços para manter seu segredo a salvo, mas que também está em busca de sua felicidade.

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Cena do filme “Com amor, Simon”. Foto: Divulgação

E ele acha que tem tudo sobre controle. Até que um dia, outro garoto gay de sua escola decidi se “expor” — entre aspas, porque ele não se mostra da maneira como esperado. Por meio de um pseudônimo, ele decide contar para todos que é gay, em uma rede social usada pelos alunos da escola. Com isso, Simon vê ali sua oportunidade de enfim se abrir com alguém, que enfrenta os mesmos dilemas que ele. E começa a trocar mensagens com Blue, pseudônimo adotado pelo garoto. Dessa troca de mensagens surge um inesperado amor. Simon acaba por se apaixonar por Blue e Blue por Simon. Só que suas identidades continuam anônimas. Ao longo da narrativa, começamos a ver aqueles segredos do início da nossa história, aos poucos sendo revelados. E não é apenas Simon que esconde algo.

Vemos seu relacionamento com seus amigos se estreitando, tudo porque ele não se sente à vontade em revelar o motivo de sua mudança de comportamento. Só que Simon não desconfia que eles também têm seus segredos e que não é fácil mantê-los a salvo. O caminhar da história leva esses personagens a fazerem coisas que eles não imaginavam, apenas para manter suas imagens frente a sociedade high school intactas.

O diretor Greg Berlanti (produtor da série “Arrow”) e os roteiristas Elizabeth Berger e Isaac Aptaker entregam um filme que tinha tudo para ser apenas mais uma história de amor (homo ou hétero), mas que vai além. Podemos dizer que se trata de uma comédia romântica-dramática. “Com amor”, Simon traz uma reflexão sobre as máscaras que carregamos, mas que não admitimos.


Débora Esteves – 7º período

Crítica: Jogador Nº 1

MV5BY2JiYTNmZTctYTQ1OC00YjU4LWEwMjYtZjkwY2Y5MDI0OTU3XkEyXkFqcGdeQXVyNTI4MzE4MDU@._V1_SY1000_CR0,0,674,1000_AL_A cultura pop pode ser definida como uma rede onde os mais variados assuntos, de diversas plataformas, se unem para formar um todo. Um desses pontos é o mundo dos games, que já soma mais de 46 anos desde o lançamento do primeiro console, o Odyssey, em 1972. Desde então, a cada década esse mercado vem se modernizando, com inovações tecnológicas constantes.

O cinema por sua vez é o outro pilar da cultura pop, sendo responsável pela popularização de tendências no público, seja o canto e a dança nos anos 30/40 ou o fascínio pela ficção científica nos anos 50/60. No entanto, a década de 80 possui um peso maior por todas as obras realizadas na música, como “Take on me” do A-ha, e na moda, com suas roupas vibrantes e coloridas.

No próprio cinema, diversas produções do período abordaram a cultura do jovem de uma maneira não vista até então, sem a maquiagem de um certo puritanismo velado e mostrando-os como pessoas que realmente não sabiam que caminho seguir na vida, cheios de dúvidas. Porém, o cineasta que mais pavimentou o caminho do que se conhece hoje como “cultura pop” surgiu uma década antes, no que ficou conhecida como “Escola dos anos 70”. Seu nome é Steven Spielberg.

Tanto Spielberg quanto essa geração fizeram parte do período conhecido como “Nova Hollywood” — a indústria cinematográfica americana começou a se distanciar das obras otimistas vistas até então e, como reação ao fracasso no Vietnã e do escândalo de Watergate, começou a rumar para caminhos voltados para retratar o mundo de maneira escura, suja e corrupta. Quatro jovens surgiram nesse período com novos conceitos para produzir e vontade de mudar tudo, eram eles: George Lucas, Steven Spielberg, Martin Scorsese e Francis Ford Coppola.

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Enquanto Coppola e Scorsese se aventuravam pelo submundo da máfia, Spielberg e Lucas procuravam revolucionar o modo de se fazer cinema, tanto em nível comercial quanto tecnológico. A primeira revolução de Spielberg viria em 1975, com o sucesso “Tubarão”. O cineasta apostou no uso de uma ferramenta mecatrônica para passar a ideia de realidade ao tubarão, levando o conceito de “efeitos práticos” para um novo patamar, repetindo-o mais tarde em “ET” e “Parque dos Dinossauros” e também sendo aproveitados por George Lucas em “Star Wars”.

Spielberg então popularizou-se por transmitir uma visão criativa encima de assuntos críticos, utilizando para tanto a fantasia como principal ferramenta narrativa. Em “Jogador Nº 1”, o cineasta segue a vida de Wade, um órfão que vive em uma favela no ano de 2044 e, no contexto local, vive em um ambiente super populoso. Sua única alternativa para fugir dessa realidade é entrar no mundo digital conhecido como OASIS, aonde ele e milhares de outros jogadores podem encarnar em avatares e interagirem nos mais inimagináveis tipos de jogos.

A cultura pop, então representada nos mais diversos pontos de ligação, é o que define o filme do início ao fim. Spielberg acerta em optar por uma narrativa que não perde tempo com dramas existenciais desnecessários e é direta em desfilar cenas de ação frenéticas em tela (destaque para uma sequência envolvendo uma corrida na primeira metade). O que poderia acabar se tornando um defeito muito comum para a maioria dos blockbuster (grandes produções) que é o cansaço que o excesso de ação gera no público não se repete aqui graças aos Easter Eggs.

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Também conhecidos como as famosas referências, esse artifício textual veio ganhando mais força nas produções da ultima década ( nas adaptações de quadrinhos principalmente) por remeter a algo que o espectador vá reconhecer de imediato ou não e que transmitirá alguma sensação boa a ele. Por se tratar de um filme ambientado no mundo virtual ” Jogador Nº1″ apela sem qualquer restrição à participações especiais de personagens famosos da cultura pop tanto para compor a linha principal da narrativa quanto para simplesmente fazerem pontas de figuração em uma cena de batalha, por exemplo.

E funciona justamente pelos personagens mais famosos que ganham maior brilho no decorrer do filme não serem inseridos de qualquer maneira, existe ali um esmero com eles mesmo que não sejam tão importantes para a história. Suas presenças também enriquecem as cenas de ação, mantendo vivo o interesse do público em procurar pelos mesmos.

Vale uma observação para os efeitos especiais empregados durante a projeção, se por um lado seu excesso de cores consegue o feito de não causar uma terrível poluição visual na tela, por outro eles não são a mais nova revolução tecnológica de Spielberg. A impressão passada é que o estilo da computação gráfica se inspirou fortemente nos trabalhos do estúdio “DreamWorks” ( fundado pelo cineasta).

Como em qualquer obra do diretor a juventude tem um lugar especial garantido sob o sol, aqui os jovens incorporam o espírito de obras como “Os Goonies” aonde contam com o trabalho em equipe para superar obstáculos e o filme faz questão de ressaltar esse ponto a todo instante, apesar de muito pouco ser abordado sobre o grupo e foco se manter no protagonista. A comparação entre gerações também é abordada de maneira bonita, sem apelar para um dramalhão. Nota-se que a geração atual pouco difere da dos anos 70 por exemplo, aonde em ambas os jovens tendem a buscar o amor mas quando o encontram acabam não sabendo mantê-lo ou também o fascínio pela tecnologia, seja a de realidade alternativa do presente ou de um videogame de 8 bits na década de 70.

Mesmo que o foco do roteiro assinado por Zak Penn e Ernest Cline seja o de criar uma aventura de ficção científica clara e despretensiosa, há de se abordar a boa análise crítica dos roteiristas para com a postura comercial agressiva que as empresas de game vem adotando nos últimos tempos ao vender pacotes que garantem vantagens para quem pagar mais sobre os outros jogadores, aqui personificadas pelo personagem Nolan Sorrento. O ator Ben Mendelsohn entrega um vilão bem cartoonizado no conceito de “empresário maligno” e que se enquadra na proposta descompromissada da trama ao mesmo tempo que sua visão de mundo pautada apenas no lucro e pouco conhecimento sobre a cultura pop pode vir a criar alguma ligação com certos espectadores.

” Jogador Nº1″ tem como alvo o público jovem da atualidade, que consome cultura pop e suas referências a todo momento. A avalanche de participações especiais de ícones desse movimento cultural serão absorvidas com mais facilidade por esse público, eles também se identificarão mais facilmente com as mensagens críticas sobre a postura das desenvolvedoras de jogos e com o conceito da cada vez mais popular tecnologia “VR” (realidade virtual) pois tudo isso faz parte do cotidiano deles.

No entanto, para o público adulto não será difícil comparar o tom de aventura tecnológica no filme com o obras anteriores como ” Tron ( 1982)” ou ” De Volta para o Futuro ( 1985)”. O vilão padrão de Mendelsohn é um tributo mais que bem vindo aos padronizados nazistas da saga de ” Indiana Jones ( 1981 – 1989)” ou dos militares em “ET (1982)”. A trilha sonora lembra o que havia de melhor nos clássicos adolescentes de John Hughes, como “Clube dos Cinco ( 1985)” e ” Curtindo a Vida Adoidado (1986).

Com uma aventura despojada e divertida, a direção de Spielberg consegue trabalhar uma obra que englobará não só jovens como adultos. Funde-se a diversão dos anos 80 como o múltiplo conhecimento da atualidade. O jovem que era desenvolvido nas aventuras do passado continua sendo o foco. O cineasta que revolucionou a cultura pop no passado e pavimentou-a para o mercado que é hoje mostra que entende muito mais sobre o público atual do que eles imaginam.


Gustavo Barreto – 7º período

Vera Couto: eterna mulata bossa nova

Ao olhar para Vera Couto, 73 anos, é possível perceber traços do seu passado. A pele bem cuidada e o cabelo impecável são características consideradas fundamentais para sair de casa. A presença elegante causa nas pessoas a impressão de que ela ainda é a mesma jovem que ganhou o concurso de Miss Estado da Guanabara, em 1964. Mas, nos dias de hoje, ninguém poderia imaginar que ela não queria entrar para o mundo das competições de beleza.

Ao se mudar para o bairro do Méier, aos 15 anos, começou a frequentar um salão de beleza cuja dona, de nome Dinah, era esposa do diretor social do Renascença Clube, na época localizado no Lins de Vasconcelos. Foi nesse período que começou a participar dos concursos internos do clube. Dinah, notando o potencial de Vera, decidiu inscrevê-la no concurso de Miss Estado Guanabara, mas, pelo fato de ser menor de idade, não conseguiu competir.

Quando completou 18 anos, o presidente do clube e a dona do salão voltaram a insistir, mas Vera disse que preferia ganhar um carro do pai e que isso já seria despesa suficiente para o momento. No ano seguinte, houve uma nova tentativa e dessa vez, não havia como negar. “Meu pai disse que as despesas do concurso seriam pagas pelo pessoal que me convidava e, diante disso, aceitei participar”, explica Vera.

Ela conta que ninguém acreditava em sua vitória, já que nenhuma menina negra havia ganhado a competição até aquele momento. Mas o destino parecia querer ajudar Vera. “A imprensa fez uma campanha muito extensa para que eu ganhasse. Revistas famosas como Manchete, O Cruzeiro e Fatos e Fotos compraram a ideia”, lembra. Ela conta que a pressão foi enorme nesse período, e que a família precisou inclusive mudar o número do telefone de casa por causa das inúmeras ligações que recebia.

O preconceito racial naquela época era tão presente que a ganhadora do Miss Guanabara participaria de uma campanha para a marca de cosméticos Helena Rubinstein, mas não havia nenhum produto para a pele negra. “Sem falsa modéstia, acredito que abri os caminhos para que as meninas negras tivessem mais oportunidades”, diz Vera.

Perfil - Vera Couto

Vera Couto. Foto: acervo pessoal

No mesmo ano de 1964, a miss Guanabara foi competir no Miss Brasil. Lá, novamente enfrentou episódios de preconceito. “Escutei da mãe de uma das misses que não poderia competir porque era o mesmo que colocar um gato no meio dos cães”, lembra Vera. Mas a mulher do presidente do Renascença Clube, que a acompanhava, disse que na verdade era o mesmo que colocar um príncipe negro (tipo raro de rosa) em meio às outras rosas. Mesmo com tudo isso, Vera ficou em segundo lugar.

Nos bastidores do concurso, durante uma festa, João Roberto Kelly, famoso compositor brasileiro, viu Vera dançando. Na época, o ritmo musical da moda era o Hully Gully e ele, encantado com a beleza da miss, criou a marchinha de carnaval “Mulata Bossa Nova”, que até hoje é uma das músicas mais tocadas durante os dias de folia.

O próximo passo foi competir no Miss Beleza Internacional, ocorrido em Long Beach, nos Estados Unidos. Ficou em terceiro lugar e isso gerou uma grande repercussão na mídia. “Depois disso, desfilei pelo mundo inteiro, Estados Unidos, Europa, América do Sul e vários estados do Brasil”, conta Vera. Para a menina de 18 anos que não se imaginava participando de concursos, ela tinha alcançado reconhecimento mundial.

A partir daí, foi fazer palestras pelo Brasil falando sobre a importância do tratamento igualitário entre meninas negras e brancas, dizendo que elas tinham totais condições de competir “ombro a ombro” em qualquer aspecto da vida. “Sempre fui contra essa onda separatista que existia, mas pelo menos atualmente vemos alguns avanços, e o número de negras tendo papéis importantes na sociedade aumentou bastante”, analisa ela.

Ficou afastada do mundo dos concursos e do trabalho quando casou e teve os dois filhos. Mas após a separação, voltou a aceitar convites para fazer parte de júris e começou a trabalhar na Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur). “Trabalho como assistente de diretoria há 40 anos e, durante o carnaval, coordeno os palcos dos Bailes Populares espalhados pelos bairros”, conta.

São 53 anos de exposição na mídia, ajudando a motivar e a mudar a vida de jovens que se julgam feias ou diferentes pelo simples fato de serem negras. “É uma luta, mas vale a pena quando olho para trás e vejo quantas coisas mudaram desde que aceitei participar do primeiro concurso”, lembra ela. Vera realmente abriu portas para a aceitação da pele negra e, por isso, é lembrada como a musa que sempre foi e sempre será.


Reportagem de Raphaela Quintans de Andrade Rodrigues para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

 

Reconstruindo o pensamento sobre o suicídio

A dor vem como uma marreta de cimento. Os problemas pesam toneladas sobre os ombros. Busca-se, mas não há soluções para eles. Eles pesam e doem. A vida começa a ficar cinza. O que o fazia feliz, já não faz mais. Ninguém parece ser capaz de compreendê-lo. Você queria que notassem o que ocorre, pois tem medo e vergonha de dizer. Mas parece que os ouvidos foram tampados e os outros estão mais distraídos do que nunca. E a dor continua a aumentar. Você só quer que ela acabe. Não quer mais esse sofrimento que, ao seu ver, nunca irá embora. E é aí que se começa a remoer um pensamento perigoso. Ele assusta no primeiro momento. Mas depois parece se tornar a única saída. As pessoas continuam a não notar e você não sabe como contar. E então, disposto ao que for para parar de sofrer você toma uma decisão: tirar a própria vida.

Uma decisão radical que vem se tornando a cada dia mais comum. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio é a 14ª causa de morte no mundo e a terceira entre pessoas de 15 a 44 anos, dos dois sexos. O Mapa da Violência de 2012 – o mais recente relatório da OMS – aponta que cerca de 804 mil pessoas no mundo tiraram a própria vida naquele ano. Uma taxa de 11,4 para cada 100 mil habitantes, o que significa um suicídio a cada 40 segundos. Com base em dados compilados pela ONU, no âmbito internacional, o Brasil ainda apresenta taxas de suicídio relativamente baixas. Porém, em números absolutos, é o oitavo país com maior número de mortes por suicídio no mundo, segundo o ranking da OMS de 2014.

Os dados são alarmantes também entre os jovens. Em 1980, a taxa de suicídios na faixa etária de 15 a 29 anos era de 4,4 por 100 mil habitantes; chegou a 4,1 em 1990 e a 4,5 em 2000. Assim, entre 1980 a 2014, houve um crescimento de 27,2%. Em números absolutos, foram 2.898 suicídios de jovens de 15 a 29 anos em 2014, um dado que costuma desaparecer diante da estatística dos homicídios na mesma faixa etária, cerca de 30 mil. Segundo especialistas ouvidos pela BBC Brasil, o problema é normalmente associado a fatores como depressão, abuso de drogas e álcool, além das chamadas questões interpessoais: violência sexual, abusos, violência doméstica e bullying.

Mesmo sabendo que o suicídio é um atentado violento contra a vida, muitos ainda encaram o ato de forma errônea e preconceituosa. Como explica Mônica Romana, psicóloga há 26 anos, com pós-graduação em Terapia de Família, Gestalt-terapeuta e especialista em Psicologia Clínica, os suicidas são vistos pela sociedade como pessoas fracas, que não sabem resolver seus problemas ou que são desequilibradas. “Mas enquanto se é ser humano, estamos suscetíveis a todas as coisas. E sabemos que nem toda dor é suportável”. O que ocorre, acrescenta ela, é que nem todos lidam com a dor com facilidade.

Psicóloga Mônica Romana (especialista)

Mônica Romana. Foto: acervo pessoal

Por isso, há pessoas que até negam situações, fatos ou doenças por não quererem sentir dor. “Existe esse preconceito, porque é associado a desequilíbrio. E o adoecimento psicológico ainda é muito negado pela sociedade”, avalia Mônica. O suicídio está muito relacionado a transtornos emocionais, a como o indivíduo lida com as emoções, com a relação entre o que pensa e o que sente, e a dificuldade das pessoas de se relacionarem umas com as outras. “Muitos acham que algumas pessoas não têm capacidade de lidar com essas áreas da vida e por isso elas desistem”, diz.

O que essas pessoas não sabem é que o suicídio não é uma questão tão banal. Não é um simples ato de desistência, mas sim de desespero. Para a vítima, nenhuma outra escolha que ela tomar lhe dará a solução que precisa para deter a dor e o sentimento de angústia. Essa escolha, no entanto, é, por vezes, provocada por alguma doença mental – sendo a mais comum a depressão –, segundo os dados da OMS. Estima-se que uma em cada quatro pessoas sofrerá com depressão ao longo da vida. Hoje, ela afeta 322 milhões de pessoas no mundo. Em dez anos, de 2005 a 2015, esse número cresceu 18,4%. A prevalência do transtorno na população mundial é de 4,4%. Já no Brasil, 5,8% da população sofre com esse problema, que afeta um total de 11,5 milhões de brasileiros. De acordo com pesquisas da OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos, que têm 5,9% de depressivos.

“A população tem que entender que depressão não é frescura, não é preguiça, que ansiedade não é frescura, não é falta do que fazer”. Boa parte das tentativas de suicídio não acontece só para chamar a atenção. “Estes sintomas são doenças”, defende a psicóloga Karen Scavacini, coordenadora do Instituto Vita Alere de Prevenção e Posvenção do Suicídio. Enquanto o preconceito social perdurar sobre as doenças psicológicas e sobre o suicídio, não será possível mudar a situação. “Infelizmente, a sociedade não está preparada, ou não quer se preparar, para entender que uma pessoa que comete suicídio está numa situação complicada, e que requer cuidados psicológicos, físicos, familiar e social”, opina Raphael Muniz, 20 anos, aluno de Enfermagem da Universidade Celso Lisboa.

Universitário Raphael Muniz (personagem)

Raphael Muniz. Foto: acervo pessoal

O preconceito social leva à não abordagem sobre a questão e a classificar o suicídio como um assunto tabu – algo que não deve ser falado ou discutido. Durante séculos, por motivos religiosos e morais, o suicídio foi considerado um dos piores pecados que o ser humano poderia cometer. “Esse tabu virou um problema e mascarou uma triste realidade: ele pode afetar qualquer pessoa em qualquer momento da vida, independentemente do nível socioeconômico, idade ou raça”, declara Antônio Geraldo da Silva, superintendente técnico da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), coordenador nacional da campanha Setembro Amarelo e presidente eleito da Associação Psiquiátrica da América Latina (APAL).

Por muito tempo, o tema do suicídio não foi tratado abertamente por medo do “Efeito Werther”, que se refere ao livro “Os Sofrimentos do Jovem Werther” (“Die Leiden des jungen Werthers”, título original em alemão) do autor Johann Wolfgang von Goethe, de 1774. No romance, o personagem Werther se mata com uma pistola após ser rejeitado pela mulher que amava. Logo após sua publicação, houve relatos de outros jovens utilizando o mesmo método para tirarem a própria vida em um ato semelhante à desesperança. Tal acontecimento resultou no banimento do livro em diversos países. Em Milão, o Arcebispo ordenou a compra de todos os exemplares e os queimou em praça pública. Assim, o termo “Efeito Werther”, criado pelo pesquisador David Phillips, em 1974, passou a ser usado na literatura técnica para se referir a uma onda de suicídios copiados.

Contudo, a medida de abafar o ocorrido não foi a melhor solução. “Estima-se que 90% dos suicídios poderiam ser prevenidos. Isso faz pensar que esse preconceito histórico em falar sobre suicídio não ajudou a prevenir essas mortes”, diz a psiquiatra Ana Beatriz Silva, Autora de “Mentes Depressivas – As Três Dimensões da Doença do Século”, citando estimativa da Organização Mundial de Saúde, em contraponto ao “Efeito Werther” e à proibição de falar sobre suicídio com medo de que incitasse a prática. Quanto mais se cria silêncio e segredo sobre o tema, pior fica a situação das pessoas que sofrem e lidam com ele. Não há para elas segurança e oportunidade de falar sem que haja discriminação ou sem que sejam ignoradas. “Poder falar e contar a história pode ter um efeito curativo em quem lê e em quem escreve”, defende a psicóloga Karen Scavacini.

Luana Sousa, 19 anos, que participa de um curso de teatro do projeto “MovimentArte”, tentou o suicídio uma vez. Ela conta que, na época, não procurou ajuda ou falou do assunto por medo e vergonha, mas reconhece que por mais que seja um pouco mais debatido atualmente, ainda há um desconforto com a questão e um preconceito por parte das outras pessoas. Diz que é muito importante se trocar o ponto de vista sobre tema para uma intervenção. Para que as pessoas se sintam mais abertas a falar e entendam que não precisam passar por tudo sozinhas.

Luana Sousa (personagem)

Luana Souza. Foto: acervo pessoal

Renata Borher, 20 anos, ex-aluna do Instituto Nossa Senhora Auxiliadora (INSA), que perdeu um amigo do colégio por ele ter cometido o suicídio, afirma: “Para a vítima, não existe graça ou prazer em viver. E isso é algo horrível. É uma coisa que qualquer um pode sentir. E nós devemos estar preparados para dar total suporte a essa pessoa e incentivar a buscar o prazer na vida, mostrar onde ela vai encontrar esse prazer de novo na vida”.

A chave para se debater o tema é focar na outra face do problema: a solução. Ao se abordar o suicídio, deve-se sempre levantar o incentivo para a vítima buscar ajuda. Dizer que a vida dela é importante e que, sim, ela fará falta neste mundo e para as pessoas de seu convívio social. Pensamentos suicidas, depressão e outros transtornos têm tratamento. Há como mudar a situação para melhor. O medo do “Efeito Werther” e o preconceito da sociedade não são mais importantes do que estender a mão a quem precisa.

A psicóloga Mônica Romana salienta que os profissionais de saúde atualmente buscam captar a atenção das pessoas para atitudes que propiciem uma melhor qualidade de vida. “Se o relato indica, no fim, onde a pessoa pode receber ajuda, isso se transforma numa rede de cuidado. Muitas pessoas estão tão perdidas e impactadas que mesmo uma sugestão de caminho a seguir faz grande diferença”, orienta a psicóloga Karen Scavacini. Portanto, deve-se reconstruir os pensamentos sobre a questão, eliminando o preconceito e adotando uma postura de empatia e altruísmo.


Reportagem de Jamile Darlen de Barros para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

Mayara Cardoso conta sua história de sucesso

Ela é a jovem que tem várias formas de levar seu talento ao público. Com 23 anos, Mayara Cardoso tem uma desenvoltura em frente às câmeras, consegue entreter e ensinar meninas de todas as idades a se maquiar sem precisar sair de casa. O mundo da beleza a levou a lugares inimagináveis. Hoje, com sua própria empresa, trabalha com a plataforma digital YouTube e mantém seu blog, Canal Mayara Cardoso, repleto de informações que fazem o número de inscritos aumentar cada vez mais.

Com o surgimento da nova profissão de influenciador digital, portas se abriram, mesmo que ela não esperasse que esse fosse seu caminho. Mayara começou no mundo digital quando estava no Ensino Médio, criou um site com suas amigas de escola que falava sobre dicas de beleza, porém a única que resolveu dar continuidade foi ela. Ao longo do tempo, outras pessoas foram se interessando por suas postagens e se juntando ao grupo de “Mayaravilhosas”, como são chamadas as suas leitoras. “Fiz o blog, mas ele era um hobby, nunca pensei que chegaria onde estou”.

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Mayara Cardoso é ícone de beleza e moda nas redes sociais. Foto: Mayara Cardoso / acervo pessoal

Há cinco anos ela nem poderia imaginar quantas mudanças estavam prestes a acontecer. No seu canal no YouTube, os vídeos alcançavam pessoas de todos os lugares do Brasil, ao sair pelas ruas ela era reconhecida, marcas importantes viram o potencial da blogueira e a procuravam para fechar parcerias. “A partir do momento em que eu vi que me conheciam, percebi que o blog tinha crescido mais do que eu imaginava”. Com toda essa reviravolta na vida dela, surgiram outros planos que a capacitam para exercer sua profissão.

As mudanças são necessárias para o crescimento e ela souber aproveitá-las. Hoje Mayara é formada como maquiadora e é empresária no ramo da comunicação e beleza, mas antes era uma estudante de Engenharia de Produção na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ). Com o passar do tempo, ela percebeu que o que cursava não seria o melhor para essa nova profissão que ela encontrou. Foi então que começou tudo mais uma vez, só que dessa vez no Jornalismo na Universidade Veiga de Almeida. “Eu queria fazer uma faculdade que estivesse relacionada ao que faço no blog e consegui encontrar”.

Para Mayara, ser jornalista é o encaixe perfeito entre o trabalho dela e o estudo. Hoje, esses dois juntos e seu talento a levam a viver sonhos: oportunidades como trabalhar e se divertir nos Estados Unidos com suas amigas, ter em mãos sua tão esperada placa de 100 mil inscritos no dia do seu aniversário e explorar desejos que estavam guardados. A blogueira está investindo em um novo projeto, que era uma vontade guardada só para ela, mas agora os preparativos para sua web série estão a todo vapor e em breve será possível acompanhar mais uma conquista. “Desde criança sonhava em atuar, não imaginava que seria difícil”.

Todo esse trabalho fez com que ela crescesse e descobrisse mais sobre quem é. Mayara se dedica a tudo que faz, gosta de passar a verdade para seu público e está sempre mostrando diferentes versões dela. Mesmo com a fama, consegue mostrar que é possível seguir seus sonhos, estar ligada nas redes, ser conhecida e continuar sendo uma menina normal. “Posso me descrever como uma eterna aprendiz, sempre quero ser melhor do que antes e passar o que sei adiante”.


Reportagem de Stella Rodrigues Gomes para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso

 

 

 

Crossfit: o esporte que está fazendo sucesso no Brasil

Música alta, correria, agitação e box cheio. O ciclo da liberação de endorfina diária começou. A melhor forma de se livrar do estresse e melhorar o humor em uma hora. De segunda a sábado, o designer gráfico Rodrigo Nascimento, de 28 anos, sai ansioso do trabalho sabendo que vai suar e curioso para saber quais serão os exercícios do dia, mas em sua consciência tem a certeza que vai acordar na manhã seguinte com alguma dor muscular. Acha que isso é problema? Nada disso! “Tem dia que acho que vou morrer, mas quando termino e vejo que sobrevivi, me sinto tipo um Chuck Norris”, diz ele, adepto da tão falada modalidade de exercício físico do momento: o CrossFit.

Criado na década de 1990, na Califórnia (EUA), pelo ex-atleta e treinador de polícia, Greg Glassman, esse esporte é um treinamento com exercícios funcionais de alta intensidade com potencial para melhorar o condicionamento físico geral, sem focar apenas na especialização de uma determinada habilidade, como acontece nos treinos tradicionais. A marca foi registrada em 2000, se popularizou no Brasil nos últimos tempos e tem feito muito sucesso no Rio de Janeiro.

No CrossFit, o corpo bonito é a consequência, e não o objetivo principal da atividade. O foco de toda a performance desse esporte é superar os próprios limites. Durante o aquecimento, são estabelecidos cinco exercícios que devem ser feitos em um determinado período de tempo, o maior número possível de vezes. Já no treino do dia (o word), o aluno tem que praticar uma quantidade certa de exercícios no menor período de tempo possível. Muitos são executados ao ar livre e essa modalidade é indicada para todas as pessoas, o importante é ter vontade de se vencer a cada dia.

Como o bancário João Marcos da Silva Santos, de 26 anos, que começou a treinar faz seis meses e a partir do Cross começou se interessar por outros esportes. Hoje não consegue mais ficar parado. “O CrossFit agora faz parte da minha rotina, meu corpo briga comigo toda vez que deixo de ir um dia. Minha vida se transformou: agora tenho disposição, não sou mais sedentário, meu humor mudou e a vontade de me superar em todos os sentido da vida só cresce”, comenta ele, que está a cada dia mais focado em manter seu novo estilo de vida.

Esse esporte gera um ciclo enorme de auto superação. Todo dia tem alguém aprendendo um novo exercício ou conseguindo fazer o movimento correto pela primeira vez. Muitos dizem que o cross causa lesões e que não é bom participar desse tipo de atividade, mas, na maioria das vezes, isso é falado por quem só o conhece de fora, nunca estudou sobre a modalidade ou a praticou.

A coach de CrossFit da Monster Cross MMT, Lilian Miranda da Silva, de 29 anos, diz que a lesão pode acontecer, pois é uma atividade física e o corpo está em movimento. “Mas classificar como esporte que lesiona é injusto, visto que o Cross não fica entre os cinco esportes que causam lesão. Está muito longe dos demais em número e por horas praticadas. No primeiro momento pode ser assustador ver pessoas virando pneus gigantes e levantando cargas super pesadas, mas não é tão monstruoso assim. E a lesão é algo que acompanha todo e qualquer esporte”. Existem artigos de universidades importantíssimas e respeitadas no mundo inteiro que afirmam que o futebol lesiona muito e de forma mais grave que o CrossFit.

Família Monster Cross MMT Nova Iguaçu. Foto: arquivo pessoal

Família Monster Cross MMT Nova Iguaçu. Foto: arquivo pessoal

Essa modalidade prende mais ainda quem sempre teve o esporte presente na vida, pois o crossfit mistura movimentos de modalidades olímpicas, ginástica, levantamento de peso com técnicas de musculação funcional. O Crossfitter Rafael da Silva, de 25 anos, sempre praticou diferentes tipos de atividades. Quando criança fez Judô, com 16 para 17 anos praticou Muay Thai. Conheceu o CrossFit na internet, fez uma aula experimental a convite de um amigo e nunca mais saiu. “A prática do Cross se tornou viciante para mim, com o passar do tempo comecei a notar a minha evolução no esporte e a evolução do meu corpo, e é realmente incrível. Eu não consigo imaginar minha vida sem o CrossFit”.

Muitos hoje não vivem sem essa modalidade. A cultura desse esporte não nasceu de forma instantânea, mas cresce de forma orgânica. O diferencial do Cross não são só os exercícios variados. As pessoas torcem umas pelas outras e quando um consegue alcançar o objetivo, a galera bate palmas e faz a maior festa. O box é construído em um espaço sem espelhos instalados nas paredes, de modo que estimule o olhar e, consequentemente, a atenção aos colegas. CrossFit não é só competir: é se sentir parte de algo, como uma família.

 

CROSSFIT X ACADEMIA

 

O crossfit para muitos é uma filosofia de vida, tem uma carga de treinos variada todos os dias, nada se repete dentro do box, só quantas vezes deve ser feito os exercícios, é claro, mas rotina não existe. Já na academia sim, tem gente que faz o mesmo treino regular todos os dias, as sessões desse tipo de atividade costumeiramente são curtas e de alta intensidade.

Além da academia ser utilizada como preparação física para a prática de esportes, as pessoas que fazem musculação geralmente tem o objetivo de ganhar massa muscular, definir a sua musculatura, reduzir o nível de gordura de seu corpo. A Coach da Monster Cross MMT, Mariana de Carvalho Vasconcellos, de 34 anos, comenta que o cross é um treino visado no bem estar físico, as aulas são constantemente diferenciadas e bem montadas, modificando sempre a intensidade e o tempo. “A diferença do CrossFit para outras modalidades é a diversidade, a aula sempre dinâmica. Todo dia um treino diferente, que não deixa o aluno cair na rotina. O Cross foca em melhorar a qualidade de vida, trabalhando equilíbrio, força, precisão, velocidade, flexibilidade, resistência e coordenação.

Logo se você é daqueles que enjoa facilmente de um tipo de exercício e fica desanimado ao ter que repetir a mesma série várias vezes na semana ou não gosta de malhar sozinho, a variação e a filosofia do CrossFit o colocam na frente da musculação nessa disputa, como foi com a comerciante Joyce Reis, de 21 anos. Ela pratica o Cross há nove meses, mas antes fazia musculação, substituiu pelo CrossFit, pois estava cansada de fazer os mesmos exercícios todos os dias. “A academia é limitada em relação aos aparelhos e, dependendo do espaço, temos que revezá-los com outras pessoas. No Cross, as atividades são livres, temos aulas diferenciadas diariamente e não ficamos presos a um só exercício. Além de nós dar força, resistência e ajudar a encontrar o nosso limite. Esse esporte é viciante, eu sinto falta quando não vou, minha vida mudou em muitos aspectos, tudo ficou melhor”.

Isso também aconteceu com a estudante de nutrição Mayla Carlinda Possati, de 22 anos, que está no cross há sete meses. Ela comenta que a maior parte de sua infância foi fazendo esportes, como vôlei, natação e dança, e com o tempo começou a frequentar a academia, mas não conseguia se encontrar, pois sempre amou participar de esporte coletivo. Mas quando uma amiga a apresentou ao crossfit, se apaixonou. “Fiz a aula experimental e de cara eu já fiquei. Quando não vou me sinto péssima, meu corpo sente falta do cross, esse esporte é viciante”.

treinamento de LPO Treinamento de levantamento de peso Foto Karine Barcellos

Treinamento de LPO. Foto: divulgação

O comerciante João Paulo de Souza, de 23 anos, que está nesse esporte há quatro meses, acha que é um pouco complicado falar sobre a diferença entre a academia e o crossfit, mas tem praticamente o mesmo pensamento. “A academia é o treino baseado em série e se torna aquela coisa repetitiva. Já no crossfit não, você sai de casa para treinar e não sabe o que está por vir, é todos os dias ultrapassar o seu limite e literalmente quebrar barreiras”.

Tanto o crossfit quanto a academia estão voltados para o bem estar do corpo, da mente e da alma. Praticar exercícios é bom para a vida, ajuda no dia a dia, diminui o estresse, muda o humor para melhor, diminui o risco de doenças, regula o sono, melhora a disposição física, fortalece os ossos, aumenta o condicionamento físico e a autoestima e o, principal: faz bem à saúde.


Reportagem de Karine Barcellos para a disciplina Projeto Interdisciplinar de Jornalismo Impresso