Crítica: A forma da água

the-shape-of-water-posterGuillermo del Toro não é nenhum novato em Hollywood. Com um estilo que se aproxima do gótico popularizado por Tim Burton nos anos 80, o cineasta fez carreira com os filmes “Blade I e II”, “Hellboy I e II”, “O labirinto do Fauno”, “Espinha do Diabo” etc. Em todas as obras, o diretor sabia habilmente balancear o tom leve de terror oriundo dos filmes de monstro dos anos 40 e 50 ( com grande influência em sua filmografia)  com alguma crítica social, geralmente destinada ao preconceito com minorias.

Em “A forma da água”, del Toro conta a história de Elisa (Sally Hawkins), uma zeladora muda que trabalha em um laboratório militar em Baltimore nos anos 60, que após se fascinar por uma criatura marinha antropomórfica (Doug Jones) que estava sendo vítima de pesquisa e tortura do agente de segurança Strickland (Michael Shannon) do lugar, desenvolve uma paixão e arrisca a própria vida para retirá-lo de lá.

Repetindo seu estilo de inserir a fantasia em um contexto social crítico, del Toro imerge a trama em pleno período de Guerra Fria, mais precisamente na busca dos americanos em superar os soviéticos na conquista do espaço, aonde a divisão social entre homens e mulheres era extremamente consolidada. É nesse ponto que o roteiro do diretor ganha força e apelo dramático real, aonde cada personagem possui de uma forma ou de outra alguma característica considerada excludente pela sociedade da época. Elementos como o racismo e a homofobia guiam o desenvolvimento de personagens secundários, tornando-os mais do que alívios cômicos e convergindo suas histórias ou problemas pessoais ao foco narrativo central.

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Já na parte central encontra-se o romance entre Elisa e a criatura, que apesar de ser recíproco entre o casal passa a ideia de ser ancorado apenas nos sentimentos de Elisa. Explicando melhor, o fato da criatura não se comunicar verbalmente e depender de uma linguagem de sinais torna-o um elemento passivo no relacionamento que é sempre visivelmente guiado pela vontade de Elisa em sentir-se como parte de algo e como uma pessoa excluída ou subestimada por sua limitação física. A ausência de um dialogo falado entre ambos exibe uma tentativa clara de emular o ar de romance de filmes do cinema mudo, seja pelo casal exótico parecido com o de ” O homem que ri” (1928) ou pelo romance claro ao estilo “Em busca do Ouro” (1925).

Sally Hawkins entrega uma interpretação linda, de uma mulher que começa sem uma perspectiva de futuro e que apenas existe para se tornar alguém capaz de compreender e se entregar a uma criatura e, eventualmente, armar um plano ousado para libertá-lo. Destaque para a sua interpretação construída sem qualquer linha de diálogo, mantendo-se apenas à base da linguagem de sinais e mais a frente para um número de canto e dança que remete aos clássicos musicais da década da primeira metade do século XX, como os filmes de Shirley Temple nos anos 30 ou de Fred Astaire nos anos 40.

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Michael Shannon entrega uma interpretação carregada de raiva velada para contrapor a inocência e o amor do casal protagonista. Carregado de ódio, seu agente Strickland representa todos os defeitos do homem nos anos 60: autoritário, machista, racista, consumista e preconceituoso. Repetindo a construção feita no vilão de ” Labirinto do Fauno”, del Toro não se preocupa em dar uma explicação com base em traumas passados ou alguma característica redentora ao personagem de Shannon, sua presença é cruel por completo, seu interesse pela esposa se baseia no sexo apenas e a única coisa que lhe arranca um sorriso é seu carro novo. Aqui ele é claramente o “verdadeiro monstro da história que existe para mostrar o quanto a humanidade é podre”.

Por fim, ” A forma da água” é basicamente Guillermo del Toro tentando de toda forma voltar ao estilo de narrativa que o consagrou em ” O Labirinto do Fauno”. Jogando no terreno seguro da narrativa fantástica seu foco passa a ser o romance de dois seres que se diferem mas se amam e devem vencer o ódio da sociedade, representado no vilão, para ficarem juntos. As criticas à um mundo regido pela guerra com pouco espaço para o amor, o designer curioso mas não original ( pouco difere de Abe Sapiens em Hellboy) da criatura concentra a magia da história, o vilão unidimensional e a protagonista sonhadora estão todos lá. Entretanto, esse reaproveitamento de um ambiente já conhecido na filmografia do diretor dá margens para indagar o quão profundo ele ainda consegue mergulhar em sua criatividade.


Gustavo Barreto – 7º período

Sem esperar nada em troca, voluntários fazem a diferença

Inovação, responsabilidade, alegria e confiança. Esses são os valores do Viva Rio, que, desde 1993, vem se empenhando em projetos de assistência à saúde e educação em locais que sofrem com tragédias naturais e também trabalha orgulhosamente com o voluntariado.

Não há restrições. Para fazer parte da equipe, basta solidariedade e amor ao próximo. E quem quer seguir esse caminho, vai por atalhos: desde simples buscas na internet, que direcionam o indivíduo ao link do site do Viva Rio, até os turistas sociais, os estrangeiros que chegam ao Rio de Janeiro em busca desse tipo de atividade e são indicados o Viva Rio por meio de hostels ou companhias turísticas parceiras.

A maioria desses ajudantes vem de forma espontânea, como Neusa Emilliano, de 43 anos, que está há cinco meses com o Viva Rio. E já que sua profissão é técnica de enfermagem, tem um carinho especial com projetos em hospitais. “Procurei esse tipo de ação para não me sentir inútil. As pessoas costumam reclamar o tempo todo, mas se acomodam porque só olham para elas mesmas”, diz, emocionada. Conciliar com a correria da vida não é fácil, mas Neusa conta que procura adaptar ao máximo a rotina com o voluntariado.

Diversidade é lei para o Viva Rio. E quem sente a pluralidade na pele é Antônio Januário, de 27 anos, portador da Síndrome de Asperger, um tipo de autismo. O voluntário, que ama atuar em projetos com crianças, conta que a doença nunca foi problema, e que ajuda na interação com quem recebe seu apoio. “Eu passo a minha experiência de trajetória de vida e superação como portador de necessidade especial incentivando as pessoas a ajudarem o próximo e também aprendo a lidar com o sofrimento dos outros”, diz.

O perfil de voluntários não segue nenhum padrão. E quem afirma isso é Sávio Hermano, técnico social da organização. “São pessoas de todos os tipos, de todas as idades, desde adolescentes até idosos”, conta. Todos são bem-vindos, mas vale ressaltar que menores de idade precisam de autorização e acompanhamento do responsável nos projetos.

E o Viva Rio não alcança só asilos, creches e hospitais: está presente também nas empresas. De acordo com Diego Silva, Supervisor de Voluntariado, essa parceria corporativa só traz benefícios. “As portas da ONG estão sempre abertas para doações das companhias, e, ao mesmo tempo, também enviamos grupos de voluntários que possam fazer esse trabalho generoso lá”, conta.

O trabalho altruísta não está ligado somente à fidelização e ao cadastro como voluntário. Qualquer um pode fazer sua doação individualmente juntando brinquedos, roupas, acessórios e até alimentos não perecíveis e deixar na sede. Com isso, os colaboradores selecionam, organizam todo o material e distribuem para aqueles que mais precisam de auxílio.


Rayara Lassance e Maria Gabrielle Gama

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

Haiti Aqui: Projeto integra haitianos à comunidade brasileira

O número de migrantes haitianos no Brasil aumentou 160% nos últimos dez anos, segundo dados da Polícia Federal. Para auxiliá-los, a ONG Viva Rio criou o projeto Haiti Aqui. A organização participa de uma missão de paz no Haiti desde 2004 e, após o aumento no fluxo migratório vindo do país, criou o programa cujo foco principal é a integração dos haitianos à comunidade brasileira, além do auxílio para a obtenção dos documentos oficiais e da promoção da cultura do país em terras tupiniquins.

Francelin Saint-Ilme é um desses migrantes. É com expressão triste que ele mostra o papel carimbado que lhe serve como identidade provisória. Há dois anos tenta tirar o documento oficial, válido por nove anos. Sem conseguir, ele procurou o projeto Haiti Aqui. Ele veio do país em busca de trabalho para que pudesse enviar dinheiro à família, que ficou em sua terra natal, mas como ainda não tem a Cédula de Identidade do Estrangeiro (CIE), nem isso pôde fazer. Ele tem que apelar para amigos haitianos que conseguiram o registro para que possa mandar o dinheiro à família de forma legal.

O jovem de 29 anos desembarcou no Brasil pelo Acre, depois de uma exaustiva viagem pelas fronteiras da América do Sul. “Depois que cheguei em Rio Branco peguei um ônibus para São Paulo. Foram cinco dias de ônibus. Mas não consegui trabalhar e fui para Rio de Janeiro”, conta ele. O haitiano teve dificuldades para encontrar trabalho devido à falta do documento oficial, mas após seis meses foi contratado pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca), em Vila Isabel, como auxiliar de serviços gerais.

Francelin é um dos milhares de haitianos que migraram para o Brasil após o catastrófico terremoto de 2010, que deixou 200 mil mortos e um milhão de desabrigados. Em um país com pouca estrutura, o tremor de magnitude 7 teve efeitos devastadores. A qualidade de vida caiu drasticamente, dando início a um fluxo migratório de pessoas em busca de melhores oportunidades. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Haiti é o menor do continente americano e mais da metade da população vive abaixo da linha de pobreza.

Assim como Francelin, seu conterrâneo Benneus Joseph, 42 anos, veio de Fort-Liberté para o Brasil em busca de trabalho, que também encontrou no Inca. Sua esposa e filho ainda estão no Haiti, e ele espera pelo dia em que obterá o documento oficial que permitirá trazer a família de que tanto sente falta. “Não quero voltar para o Haiti. Não tem trabalho lá. Quero trazer a minha família para morar comigo. Já faz dois anos que não vejo eles, só falo pelo WhatsApp”, conta Benneus.

A realidade dos dois é muito comum entre os haitianos que entram no Brasil clandestinamente e encontram dificuldades para obter a residência oficial. Quando chegaram em Rio Branco, Francelin e Benneus receberam um documento da polícia local. De posse dele, deveria ser simples obter a CIE, mas o processo no Rio de Janeiro se mostrou complicado. Para tentar resolver o problema, pediram ajuda aos amigos com os quais dividem casa e que também emigraram do Haiti. Eles indicaram o projeto realizado pelo Viva Rio.

É quase sem sotaque que Jean Baptiste, 29, coordenador do projeto Haiti Aqui, explica que a maior dificuldade dos haitianos ao chegar no Brasil é o idioma. O português é radicalmente diferente do crioulo haitiano (créole), que tem suas raízes no francês. “O Haiti Aqui é importante para integrar o que os haitianos podem fazer para participar de forma ativa na sociedade brasileira. Ajudamos com documentos, mas também promovemos a cultura por intermédio da rádio e do próprio programa”, explica.

A Viva Rio tem uma rádio própria, na qual há o programa Voz do Haiti. Como o nome indica, ele é voltado para o público do país caribenho e é veiculado principalmente em créole. Além de informar as principais notícias do país e criar um canal de comunicação com os haitianos, a música desempenha um papel fundamental, ao trazer um pouco da terra natal àqueles que sentem falta dela, como o próprio Jean, que, apesar da saudade, não tem planos de voltar.

O Brasil é o país na América do Sul que mais recebeu haitianos, à frente de Chile e Argentina, devido à relativa facilidade de imigração. Depois do desastre ambiental de 2010 e da crise resultante dele, o governo brasileiro abriu uma nova categoria de vistos humanitários para facilitar a entrada desses imigrantes. O processo foi facilitado com a aprovação, em abril, da Lei de Migração, que substitui o Estatuto do Estrangeiro, em vigor desde 1980. A nova lei garante a eles os mesmos direitos que os de um cidadão brasileiro, além de coibir a xenofobia e o racismo.

“O brasileiro tem uma postura preconceituosa com relação aos imigrantes de países pobres. Isso vem muito da nossa herança da escravidão. Temos que repensar a nossa própria verdade, o preconceito e a intolerância, principalmente contra negros e pobres. Um imigrante norte-americano ou francês que vem ao Brasil para trabalhar não é malvisto, mas o que vem de um país menos favorecido é”, explica Karla Gobo, professora de Relações Internacionais da Universidade Veiga de Almeida.

Não é o que pensa Paula Andrade, estudante de História, 21 anos. Para ela, os imigrantes e refugiados são bem-vindos, ainda que ela não conheça nenhum. “Não tenho nada contra a presença deles no país. Acho que quanto mais gente para gerar renda, melhor para a situação econômica. Tenho convicção que eles devem ser bem tratados e respeitados como cidadãos estando em solo brasileiro. Mas aqui tem muita desigualdade, não seria diferente para outros que vêm de fora”, conta.

Assim como Paula, Gabriel Ramalho, estudante de Engenharia, 18, também aprova a vinda dos imigrantes para o Brasil, que tem recebido a maioria das pessoas que sai de seus países de origem em busca de melhores condições de vida.  “Acho incrível a presença de estrangeiros no Brasil, pois, além de termos ainda mais oportunidades de conhecer novas pessoas de culturas diferentes da nossa, estamos ajudando aquele que infelizmente não pode viver no seu próprio território”.

 

Jean Baptiste e colega

Jean Baptiste e seu colega de trabalho na sede do projeto Haiti Aqui, realizado pela ONG Viva Rio.  [foto: Camilla Castilho]


Camilla Castilho e Tainá Valiati 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

Programa do Viva Rio capacita jovens para o mercado de trabalho

Hoje, encontrar um espaço no mercado de trabalho é um desafio cada vez mais presente no Brasil. Para conquistar uma vaga de emprego, as empresas procuram um profissional qualificado que execute diversas funções. Pensando nisso, o Programa Impulsionando Talento (PIT), da Organização Social Viva Rio, desenvolveu um projeto com base na Lei da Aprendizagem, que busca capacitar os jovens do Morro do Cantagalo a se adequarem a essa nova realidade.

O programa tem um período inicial de três semanas e trabalha com diversos mecanismos que auxiliam os alunos a desenvolver habilidades e competências por meio de treinamentos. Entre eles, estão temas ligados ao processo seletivo, como dinâmicas de grupo, técnicas de estudo e concentração, além de técnicas como de apresentação, redação, português e elaboração de currículo.

Formatura contou com a participação de coordenadores e responsáveis pelo programa Foto Amaury Alves Viva Rio

A formatura contou com a participação de coordenadores e responsáveis pelo programa [foto: Amaury Alves/ Viva Rio]

Após a fase de treinamento, os jovens estão aptos a ser inseridos no mercado de trabalho e competir com pessoas já qualificadas. O programa também oferece um diploma que tem como objetivo certificar que todos tenham mérito para participar de qualquer processo seletivo, com base no conhecimento e na capacitação ofertada durante este período.

 

Alunos celebram a conquista do diploma recebido Foto Amaury Alves Viva Rio

Alunos celebram a conquista do diploma [foto: Amaury Alves/ Viva Rio]

A pedagoga do Viva Rio, Aurelita Vieira Rodrigues, ressalta que na última formatura realizada foi possível perceber que todos estão capacitados para o mercado de trabalho. “É uma ótima oportunidade de preparação, além de ser um momento de construção em que eles podem vivenciar esta prática e até mesmo gerar oportunidades”, explica.

Já o coordenador de Educação e Oportunidade do Viva Rio, Francisco Barreto Araujo, afirma que esse programa superou as expectativas e abriu portas para os alunos de diferente maneiras. “O PIT surge também com esse impacto mais subjetivo na autoestima e isso faz com que eles sonhem cada vez mais alto”.

Durante a cerimônia, os alunos se reuniram com a família para registrar o momento Foto Amaury Alves Viva Rio

Durante a cerimônia, os alunos se reuniram com a família para registar o momento [ foto: Amaury Alves/ Viva Rio]

Além de promover a experiência, o programa desenvolveu uma característica que muitos gestores prezam em um profissional: a segurança. A estudante de Relações Humanas Beatriz Freire, de 19 anos, conta que não esperava alcançar essa proeza em um curto prazo. “Lembro que após a minha formatura participei de três processos seletivos e fui contratada por uma empresa como jovem aprendiz. O PIT mudou minha vida”, comemora.


Carlos Brito e Larissa Lopes

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

 

Jovens encontram no futebol um caminho para a vitória

O futebol é uma paixão mundial e vai além de um esporte: ele é um ideal de vida. E é o que a Academia Pérolas Negras proporciona para os jovens imigrantes e refugiados do Haiti que são levados a deixar seus países por questões políticas. A carreira de jogador é um futuro possível e promissor para eles e este projeto criado pelo Viva Rio ajuda na busca da realização do sonho desses meninos.

Criadas para gerar impacto social, as academias, tanto no Haiti quanto no Brasil, são ao mesmo tempo casa, escola e centro de treinamento. O projeto foi se desenvolvendo a partir de 2004, quando o Viva Rio foi convidado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a participar da missão de paz do Haiti. O desafio era atuar em bairros controlados por poderes paralelos, e a instituição foi convidada pelos anos de experiência nas comunidades pobres do Rio de Janeiro. Até hoje no Haiti funciona um centro comunitário aberto na área mais devastada da cidade, onde a ONG mantém programas de esporte e cultura.

O amor pelo futebol uniu esses dois países de realidade distantes e, desde o início, o projeto viu no esporte um caminho para promover o talento e a autoestima dos jovens haitianos. A organização de torneios de rua que fez muito sucesso no país, criou um projeto com o objetivo de estabelecer condições para que os jovens mais talentosos pudessem se transformar em atletas de alta performance, dando assim uma chance para esses meninos haitianos lutarem por seus sonhos e por um futuro melhor.

Um terreno foi comprado no Haiti para o time do Pérolas Negras em 2009, e as obras terminaram em Julho de 2011, após serem temporariamente interrompidas pelo terremoto de 2010. O espaço conta com quatro campos, vestiários, piscina, fitness center, escola, centro de fisioterapia e alojamento para os jovens. A aposta deu certo, a academia firmou uma parceria com a Federação Haitiana de Futebol e se tornou referência esportiva no país.

Em 2016 foram convidados para jogar a edição daquele ano da Copa São Paulo de Futebol Júnior, o principal campeonato sub-20 do Brasil, e despertaram a atenção, a ponto de serem capas dos principais jornais do país. Com isso, em Janeiro do mesmo ano, o Viva Rio inaugurava uma Academia Pérolas Negras em Paty do Alferes, cidade serrana a 120 quilômetros do Rio de Janeiro. Lá os atletas haitianos sub-20 e os profissionais vivem a rotina tranquila da cidade, enquanto estudam e treinam em busca de uma chance em um grande time. O objetivo da empresa social é que esse projeto seja um clube formador.

E, além do esporte, integrantes de todas as categorias recebem educação para a construção de valores e o desenvolvimento humano e intelectual dos alunos. Paula Mello é uma das responsáveis por essa parte educacional, já está nesse trabalho há um ano e meio, mas tem bastante tempo trabalhando com projetos sociais e chegou no Viva Rio com um diferencial: saber falar Francês e Inglês, facilitando assim a comunicação com os atletas. “Muitos deles chegam sem saber falar o Português e o domínio do idioma é determinante para trabalhar com eles, pelo menos no primeiro momento”.

Paula orientando e levando o aprendizado aos atletas da Academia Pérolas Negras

Paula orientando e ensinando os atletas do Pérola Negra

A educadora já viveu momentos marcantes com os atletas e um deles foi quando os jovens entraram para a educação formal e passaram nas provas. “É um trabalho muito enriquecedor para mim, me faz aprender bastante”. O futuro do projeto é ampliar a área de atuação em outros países e manter a inclusão de refugiados. A próxima meta é a Síria. “A nossa visão é o bem-estar do mundo, fazer a diferença como seres humanos, independentemente de fronteiras e países”.

Desde quando foi inaugurada a academia aqui no Brasil, em janeiro de 2016, a empresa social vem abrigando e ajudando esses meninos na busca pela tão sonhada carreira de jogador. O jovem haitiano Jean Louis Anel, de 18 anos, que atua como volante, é um dos atletas do time profissional do Pérolas Negras e, como todos os outros, busca realizar seu grande sonho que é jogar futebol.

Jean segurando o troféu do título da Copa Alterosa Sub20 de 2016

Jean segurando o troféu conquistado na Copa Alterosa sub 20 de 2016

Mas como o projeto também prioriza a educação, ele deseja outras conquistas também. “Além do futebol, quero estudar arquitetura”. A estrutura do projeto se dá tanto na parte de treinamentos nos aspectos do futebol, quanto na educação dos atletas, buscando assim formar cidadãos capazes de dar exemplo e alcançar seus objetivos dentro ou fora do futebol. Com isso, os jogadores se sentem muito bem. “Se o Viva Rio fosse um homem eu poderia falar que ele ‘é o cara’”, diz Jean.


Luhan Santos 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

Conheça a história do Pérolas Negras

O Haiti é um país situado na América Central com pouco mais de dez milhões de habitantes e, ao longo de sua história, sempre marcado por pobreza e uma grave crise humanitária que parece não ter fim. Apesar de ser o país mais pobre da América, foi a primeira República Negra que de fato obteve sucesso em seu processo de independência. Em 12 de janeiro de 2010, um grande terremoto assolou o país com a destruição de prédios e mortes de milhares de pessoas.

Em meio a tanta tristeza, porém, começa a ser contada a história do Pérolas Negras, um time de futebol inicialmente formado por meninos e meninas haitianos que vivem próximo à capital, Porto Príncipe. O projeto foi criado pela ONG Viva Rio, presente no Haiti desde 2004 com outras diversas ações sociais, em áreas de mediação de conflito, saúde, segurança humana, educação e meio ambiente. Além disso, o Viva Rio negociou acordos de paz com grupos armados rivais e encontrou no esporte um elo para que programas de educação e formação profissional fossem introduzidos.

A partir de 2016, os jovens que mais se destacam ao completar 16 anos ganham a oportunidade de vir treinar no Brasil na sede do Pérolas Negras, localizada em Paty do Alferes, região Serrana do estado do Rio de Janeiro. Aqui eles têm a oportunidade de uma maior inserção no mercado do futebol, com a realização de torneios, expandindo a sua visibilidade. E foi assim que o jovem haitiano Badio Stanley, 17 anos e zagueiro da equipe sub-20, ganhou uma outra perspectiva para sua vida. “Quando eu entrei no Pérolas Negras eu vi o meu futuro”, diz Badio, que se encontra há um ano e quatro meses no país.

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Refugiado relata como futebol lhe deu novas oportunidades

Com fala tímida e jeito tranquilo, ele conta que o futebol brasileiro é mais rápido do que o jogado no Haiti, já a igreja e o jeito do povo são semelhantes. “Eu estava atrás da minha mãe”, conta, ao falar de um dos momentos de maior tensão vividos por ele em meio ao terremoto: não encontrar sua família e só ficar tranquilo após achar seus familiares.

O Pérolas vem disputando o Campeonato Carioca profissional da série C, mas Badio não pode jogar por ainda não ter 18 anos completos, e a lei é muito rígida quanto a menores estrangeiros. Eles não podem atuar em ligas profissionais antes de atingir a maioridade. Enquanto isso, ele se permite sonhar e demonstra vontade ao dizer que se espelha no seu ídolo, o também zagueiro David Luiz, do time inglês Chelsea.

Assim como Badio, outros sonham com as mesmas oportunidades, consequência de um país muito carente de tudo. “Muitos meninos perderam muito durante a vida”, diz o técnico da equipe profissional, Rafael Novaes Dias. Ele acrescenta ainda que o projeto abriu um leque para brasileiros também. Vindos de diferentes regiões do país, esses meninos recebem igualmente oportunidade de educação e especialização profissional. E ocupam cerca de 70% a 80% do time.

Um deles é Pedro Thomaz, de 17 anos, de Juiz de Fora-MG. O meio de campo já faz parte da liga profissional, apesar da idade. É estudioso, focado e responsável. Seu principal objetivo é ser jogador profissional, mas conta que tem vontade também de estudar para ser professor de Educação Física. O camisa 8 está há um ano e quatro meses no programa e conta que o mesmo professor que deu aula para ele em uma escolinha em MG lembrou dele quando entrou para o projeto e o chamou.

Pedrinho, carinhosamente chamado assim por seus colegas, diz que quando conheceu os haitianos, o maior obstáculo era a língua. Depois percebeu que os meninos tentavam interagir, eram brincalhões e amigáveis. Aprendeu com o tempo não só um pouco de crioule – língua oficial- como também entendeu algo mais importante: apesar das brincadeiras, o respeito é algo muito cultivado.

Essa questão da língua é um problema apenas no início, conta Paula Martins Melo, analista educacional, uma espécie de mãezona dos meninos. Ela estuda com eles Português, Inglês, Geografia, Cultura Brasileira, História, Biologia, entre outras disciplinas. Explica que aqueles que conseguem ter determinado nível de Português, além da monitoria, frequentam a escola pública da região, têm aulas, grades e boletins normais.

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Ela comparece a todos os conselhos de classe, faz acompanhamentos personalizados e tenta conciliar um calendário conflitante entre jogos e provas. Diz também que o Pérolas procura não uma produção em massa de meninos formados, mas sim gerar oportunidades. Ela tenta sempre trabalhar junto com o projeto a individualidade de cada um. Por exemplo, em oficinas, cada um se inscreve na área de seu interesse e ninguém é obrigado a eleger só um determinado tipo de curso.

As aulas lecionadas por Paula no Pérolas têm duração de quatro horas diárias, cada dia abordando um tipo de matéria. Diz ainda que inclui nos conteúdos  alguma forma de ensinar os meninos a paquerar. E brinca dizendo ser um quesito importante para os garotos. Ela tenta sempre se aproximar deles. Conhecendo eles aos poucos, sabe quem gosta de poesia, música, dança, e, a partir dos gostos deles,  ensina o que precisam saber.

Agora ela está usando o método de mídia training, no qual ela grava os meninos e são feitas algumas perguntas pré elaboradas, com respostas pré decoradas também (porém com verdades) e monta essas entrevistas alternando entre lugares calmos e barulhentos. O entrevistado pode ser tanto um colega ou ela mesma. Isso ajuda não só na evolução para fluência da língua, como também serve de treinamento para quando tiverem que dar entrevistas após jogos cansativos e decisivos.

Falante, bem comunicativo e com um português de dar inveja a qualquer brasileiro, Jean Louis Anel, 18 anos e volante da equipe, está há um ano e seis meses no Brasil. E prova que a língua não é problema para esses refugiados. “Desde o Haiti eu já venho estudando, porque já estava sonhando com o dia em que viria ao Brasil”. Foi assim que Anel mostrou desenvoltura em dar entrevista na sua primeira vinda ao país. Ele conta que morava com sua família em uma cidade próximo da capital e jogava bola todo dia. Assim surgiu a oportunidade de fazer o teste no Viva Rio. Naquele dia ele foi o único escolhido pelo técnico Rafael e desde 2011 joga pelo time.

Ao falar de sua família, ele lembra de seus quatro irmãos, sua irmã, mãe e de seu pai já falecido e de como foi o trágico terremoto. “Eu estava jogando bola”, lembra. O cenário era de vários edifícios, casas, escolas quebradas e muita gente morrendo. Jean Louis conta da importância desse projeto em sua vida, dando uma oportunidade de estudar e jogar futebol, algo que no Haiti seria muito difícil.

O impacto positivo que o projeto levou para esses jovens é impressionante, dando um novo rumo à vida deles, tanto aqueles que vieram ao Brasil quanto os que ficaram no Haiti, com objetivo de, acima de tudo, agregar valores para esses meninos. O esporte não só se faz importante como apenas uma atividade física ou um meio de alcançar qualidade de vida: é uma ferramenta social capaz de ajudar e unir diferentes pessoas em torno de objetivos comuns.


Fernanda Macedo M. Monteiro e Letícia Heffer da C. Manduca 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

Futebol, uma língua universal

“A chuteira veste o pé descalço, o tapete da realeza é verde, olhando para bola vejo o sol, está rolando agora é uma partida de futebol”.  Assim começa uma grande história de solidariedade com a Organização não-Governamental (ONG) Viva Rio, em parceria com a Organização das Nações Unidas (ONU), que tem beneficiado meninos e meninas das periferias do Haiti e os inspirado a mudar completamente o rumo de suas vidas. No ano de 2010, um terremoto atinge o país devastando cada canto dele, mas 18 meses após essa tragédia, um projeto é colocado em prática. Nesse momento, surge o Pérolas Negras, time formado como estratégia de inclusão social dos participantes no mercado de trabalho, mostrando que, a partir do esporte, é possível reconstruir a história de cada um.

Existe uma preocupação com todos os participantes do projeto, pois a cada dia o time dos Pérolas Negras cresce. Por esse motivo, foi gerada a necessidade de ampliar a perspectiva do programa, já que o Haiti é um país com oportunidades escassas, mas repleto de pessoas talentosas e que sentem amor pelo futebol. Para solucionar esse problema, foi pensada e criada a base no Brasil, localizada em Paty do Alferes, região sul do Estado do Rio de Janeiro, que gerou a oportunidade de brasileiros fazerem parte dessa proposta. A intenção é trazer e treinar, a partir dos 16 anos, os jovens que mais se destacam para que tenham a chance de entrar no tão sonhado mercado brasileiro. Ao chegar, eles ganham um visto de refugiado, são acompanhados por profissionais capacitados para melhorarem o desempenho em campo, disputam campeonatos regionais e nacionais que são vitrines para olheiros de grandes clubes.

Conquistar o sonho não é tão fácil. Ao chegar ao time, o passaporte para o sucesso é treinar. A rotina no Brasil é puxada, os jogadores treinam diariamente, em uma estrutura montada para dar suporte a eles, com campo bem cuidado, espaço para atividades físicas, acompanhamento de fisioterapeutas e nutricionistas. Os meninos são tratados como verdadeiras pérolas. O coordenador do time profissional e técnico do sub-20 Wesley Assis, trabalha a parte tática de cada um para as competições, mas nem sempre é tudo tão fácil, começando pelo idioma falado por eles. “A língua do futebol é universal, então a paixão deles por futebol facilita a compreensão”, conta ele.  Ao entrar no projeto em 2015, existiam algumas falhas na comunicação. Como era novo no programa, o jeito era buscar formas de driblar as dificuldades encontradas e transforma-las em formas de aprender algumas palavras no dialeto crioulo.

À direita, Wesley Assis passando instruções a um de seus jogadores

A direita, Wesley Assis instruindo um de seus jogadores

Mas se alguns desses meninos achavam que seria só futebol, estavam enganados. Apesar de, na base, eles terem uma rotina de jogadores profissionais, o que não pode ser deixado de lado são os estudos. A maioria deles está matriculada em escolas  públicas e todos estudam a língua portuguesa. O idioma é considerado a grande dificuldade, porque acrescenta acentuações que eles não estão acostumados a ver normalmente. O dialeto falado por eles é o crioulo, que tem base no francês, entretanto muitos já chegam no Brasil sabendo algumas palavras do português,  o que facilita o cotidiano desses jovens. Mesmo que encontrem obstáculos na aprendizagem, eles conseguem ajuda de pessoas como Larissa Gomes de Mello, 23, que dá suporte na educação, junto com a professora Paula Martinez Mello, 47.

Os meninos vieram em busca de um sonho e encontraram algo mais que isso. No projeto, eles recebem aprendizado e estrutura para levar a vida. Para Paula, o propósito é mostrar o talento dos refugiados e dos brasileiros, mas o Viva Rio não tem um time de futebol comum. O aspecto social é também muito importante. Existe uma imensa preocupação com a educação deles e com a formação como cidadãos, para que possam, durante e depois da carreira, fazer a diferença com consciência social. “Nós procuramos promover atividades que façam eles pensarem e repensarem como vão reverter tudo que ganham em um bem maior”, afirma ela.

Pode ser que, para outros, os estudos básicos sejam suficientes, mas esses meninos querem ir além. Claro que o futebol é o principal na vida deles, mas a vontade de descobrir outras possibilidades não é descartada. Todos chegam ali esperando que o sonho de se tornar profissional seja alcançado e mesmo com todo o tempo de treino e muita dedicação no esporte, eles não deixam de almejar um diploma. O jogador haitiano do time Pérolas Negras, Philogène Jackyto, 19, mais conhecido como Jack, é um desses, que pretende arrumar um tempo para se tornar um diplomata. “Se tudo der certo, continuo com futebol, mas depois que acabar eu penso em fazer outra coisa, faculdade de Relações Internacionais, talvez”, conta ele.

Todo esforço na parte técnica e educacional tem valido a pena. Alguns meninos já estão seguindo suas carreiras, levando o sustento para suas famílias. Os que ainda estão jogando pelo Pérolas Negras já disputam a série C do campeonato carioca com a parceria do Audax, time de futebol federado de São João de Meriti. Um deles está na expectativa para acertar com o Fluminense, a maioria já fez testes em diversos clubes de futebol, como Grêmio, Botafogo, Goiás, Rezende, entre outros. A procura da oportunidade de ser reconhecido nos campos brasileiros e internacionais é grande. O mercado é concorrido, muitos foram contratados, outros não, mas a persistência é algo que eles têm em comum.

E toda garra e vontade de seguir a carreira podem ser encontradas no jogador mineiro com uma bela história de perseverança, Wellington Luiz de Oliveira, 20, que atua como goleiro no time sub-2. “Fiz o teste no ano passado e foi muito difícil, mas eu consegui”, conta o jovem. Está há cinco meses no clube, mas não teve um início fácil. Quando chegou não tinha um grupo em que pudesse jogar, entretanto essa situação não o deixou abalado. Ele seguiu se dedicando aos treinos e se preparando para quando fosse sua hora de entrar em campo.  Não existe uma característica específica para participar do projeto, porém paixão, dedicação e esforço são qualidades em comum encontradas nos jogadores desse time.

O talento do time e a ideia do projeto têm conquistado olhares curiosos para entender mais a fundo essa missão que está nas mãos do Viva Rio. Documentários, matérias para TV e impresso já foram feitas e cada uma delas consegue mostrar a felicidade no olhar dos meninos em poder mostrar seu dom com a bola e a alegria de quem tem a oportunidade de trabalhar na Academia. Hoje, as chances de transmitir para as pessoas o significado desse programa são importantes, pois tudo que existe vem de doações.  Parcerias com empresas e universidades surgem e são formas de expandir cada vez mais essa visão de um mundo mais solidário, além de colaborar na formação de seres humanos melhores.

O Pérolas Negras se tornou, acima de tudo, uma grande família, com belas histórias. Seja voluntário, técnico ou algum trabalhador do local, todos mostram como é apaixonante participar desse projeto. Cada pessoa que convive na Academia sente um prazer inexplicável e cria laços fortes. Muitos deles descrevem o quanto é difícil imaginar estar ali e não ter mais os meninos por perto, como nos momentos em que eles fazem uma viagem temporária para ver suas famílias no Haiti e acabam deixando os brasileiros semanas ou meses, gerando saudades naqueles que aprenderam a amar cada um desses garotos. “A experiência de trabalhar em um projeto como esse é única”, conta Larissa Gomes.


Nilséa Fernandes 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

ONG leva futebol para jovens do Haiti

Uma das paixões dos brasileiros é o futebol. No país caribenho Haiti não é diferente: alguns jogadores brasileiros são exemplos para os jovens haitianos. Por essa paixão toda, o Viva Rio – organização social sem fins lucrativos que contribui para a inclusão social e a cultura da paz – decidiu construir a academia de futebol Pérolas Negras em Porto Príncipe em 2011, para atrair os jovens ao esporte e não a seguirem outros caminhos. Em 1993 foi fundado o órgão que ajudaria os jovens haitianos. Muitas mudanças aconteceram desde então, a iniciativa deu frutos e floresceu aqui no Brasil, com a criação da academia em Paty Do Alferes.

“O Viva Rio foi convidado para fazer uma consultoria no Haiti. O lugar já estava vivendo uma situação muito complicada, tinha havido um terremoto no país, e é um lugar sofrido com crises políticas. O lugar entrou em confusão, era uma guerra diferente, na qual os dois lados usavam armas pesadas. Então a ONU interveio no Haiti “, explica Ronaldo Lapa, coordenador de marketing e comunicação estratégica do Viva Rio.

Por aqui, o projeto funciona desde 2016 e tem uma rotatividade de jogadores anualmente, por volta de 60 por ano, totalizando aproximadamente 300 jogadores aqui no Brasil e lá em Porto Príncipe. E, por meio do esporte, a intenção é lançá-los para o mercado do futebol. No Haiti, o mercado é pequeno, e daí surgiu a ideia de fazer outra academia aqui no Brasil, para que os melhores talentos viessem e pudessem entrar no mercado brasileiro.

Alguns jovens retornam para seus países de origem. Ronaldo Lapa fala que alguns voltam até porque sentem saudade, por falta de adaptação aqui. Recentemente, três pediram para voltar devido à distância da família, porque uma vida de atleta é complicada: acordar cedo, treinar diariamente na parte da manhã e estudar à tarde. Alguns jogadores já foram para times grandes, como Botafogo, Atlético, Grêmio e Goiás, diz Ronaldo.

Jean Schwetze, de 20 anos, haitiano que morava em Porto Príncipe, está no time Pérolas Negras há três anos e diz que gosta muito de jogar. Sua família ficou no Haiti, pois ele veio sozinho para o Brasil. Jean é atacante e meio campo do clube, treina na parte da manhã e estuda à tarde. “ Eu aprendo muito na academia, e gosto de ser jogador de futebol”, diz.

Enquanto isso, aqui no Brasil, a escolha de Paty do Alferes é explicada por Ronaldo Lapa: “Porque é legal arrumar um lugar longe do centro urbano, e Paty é um lugar perto de Miguel Pereira, agradável, lá conseguimos um hotel fazenda, eles têm lá todas as comodidades que não teriam aqui no Rio, na cidade grande. Os atletas haitianos moram na academia e os que são brasileiros moram em suas casas”.

No Haiti, localizada nos arredores de Porto Príncipe, a academia está instalada em uma área de 50 mil metros quadrados, dispõe de quatro campos de futebol, uma piscina, uma área para ginástica e pode acomodar até 96 atletas. Além de uma formação esportiva, os atletas frequentam o programa educacional e têm apoio de fisioterapia, nutricionista e saúde. A parte técnica é composta por profissionais escolhidos por meio de uma parceria com a universidade de Viçosa, em Minas Gerais.

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(Foto divulgação – Viva rio, academia no Haiti)

Rafael Guiduci, fisioterapeuta do Pérolas Negras, entrou para o clube em 14 de fevereiro de 2013. Ele acompanha os treinos e, em paralelo, o consultório de fisioterapia em período integral. Ele viveu por três anos na academia no Haiti e hoje trabalha em Paty do Alferes. “ Os jogadores têm um cronograma de treino semanal, que varia de treinos técnicos, físicos e preventivos. Tenho vários objetivos, mas os principais são conseguir o reconhecimento e o amadurecimento profissional e poder ajudar os atletas e o projeto a atingir o sucesso”, explica Rafael.

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(Foto divulgação Viva Rio- Rafael Guiduci)

O clube já ganhou vários troféus, entre eles, de Campeão Nacional do Haiti (Sub-15\ 2012), Campeão do torneio de três Rios (Rijo\2015) e única equipe estrangeira da Copa de Futebol (São Paulo \ 2016). Hoje, o Viva Rio se mantém com ajuda de patrocínios financeiros, de pessoas físicas, jurídicas e governos. Mas, segundo Ronaldo, eles lutam diariamente para conseguir mais ajuda, porque ainda falta investimento. No início do projeto, houve a ajuda do magnata Joel Sobes, que até hoje contribui para a ONG. Com isso, os jogadores do Pérolas Negras vão atuando em campeonatos, treinando para alcançar o sucesso, pois o time não funciona sem jogadores, mesmo com todas as dificuldades que o Viva Rio vem enfrentando.


Priscilla Fernandes 

*Reportagem realizada para o Projeto Interdisciplinar em Jornalismo I – Impresso.

10 locais para se visitar nas férias

As aulas estão prestes a retornarem, mas ainda dá tempo para curtir o restinho das férias. Preparamos uma lista com opções de lazer com entrada gratuita ou a preços acessíveis. Confira!

1) CCBB ( Centro Cultural Banco do Brasil)

Já tradicional na cidade, o CCBB foi fundado em 1989, quando o Banco do Brasil assumiu a direção do local. Oferece diversas atrações teatrais e exposições exclusivas ao longo das décadas. Nesse período de final de ano o CCBB contará com as seguintes exposições:

 

2) Oficina de Arte do Museu do Ingá

Espaço voltado para a produção de obras de cerâmica, esculturas, papel artesanal e gravuras no Museu do Ingá, em Niterói.

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3) Museu Nacional de Belas Artes

Inaugurado em 1937, o MNBA possui um acervo de 70 mil peças (estátuas, pinturas, gravuras e mais). Aos domingos a entrada é franca e no resto da semana é de R$ 8,00.

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4) Biblioteca Nacional

Considerada uma das mais belas bibliotecas do mundo, a Biblioteca Nacional possui um acervo impressionante de documentos raros, tanto do período republicano pré-ditadura, como do período monárquico português e de cunho estrangeiro. Aberta de segunda a sexta, seu acesso é gratuito ao público.

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5) Parque Lage

Com entrada gratuita e uma vasta área para a realização de piqueniques e atividades, o Parque Laje é a chance dos visitantes tirarem aquela foto marcante ou agendarem um encontro especial.

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6) Floresta da Tijuca

A floresta em questão é considerada a mais vasta floresta urbana do mundo, com uma enorme variedade de opções para aqueles apaixonados por atividades físicas, tais como caminhadas, trilhas, escaladas etc.

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7) Samba do Ouvidor

Para os amantes de samba, a festividade ocorrida na Rua do Ouvidor reúne os melhores grupos musicais da cidade em meio a várias ofertas gastronômicas locais e de cervejas artesanais e conhecidas.

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8) Parque Madureira

Parte das obras olímpicas, o parque localizado no famoso bairro da zona norte oferece um espaço amplo para a realização de diversas atividades físicas. Sua extensão de 450 mil metros quadrados conta com quadras, campos de grama sintética e espaços para apresentações artísticas, sendo um deles voltado para rodas de samba. O Parque Madureira fica aberto de terça à domingo, das 5h até as 22h

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Foto: RioTur

9) Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos

Modelo de autossuficiência devido à instalação de painéis para captação de luz solar e com várias opções para a prática de trilha ou caminhada, O Parque Natural Municipal Penhasco Dois Irmãos conta ainda com quatro mirantes com vistas fantásticas da cidade.

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Foto: William Nascimento da Costa

 

10) Pedra do Arpoador

O charme dessa opção é muito mais pela vista privilegiada do pôr do sol do que propriamente pela opção de trilha. O trajeto no decorrer da pedra do Arpoador garante uma visão privilegiada não só da tradicional salva de palmas para o sol como da vista litorânea da cidade.

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foto: Carlos Ferreira

 


Gustavo Barreto – 6° período

Treinamento funcional atrai quem quer cuidar do corpo e da saúde

Corrida na praia, atividades ao ar livre ou no playground do condomínio, musculação na academia. Onde quer que seja, a hora que for, sempre há um jeito para se exercitar e entrar em forma. Se o retrato da obesidade infantil e adulta é uma realidade estatística no Brasil, cresce também de maneira considerável o número de pessoas que buscam um estilo de vida mais saudável, seja por questões de saúde, estética ou simplesmente para ter qualidade de vida.

No país, a prática de exercício físico é realizado em academias e clubes – onde o atleta pode usufruir de atividades de musculação, aeróbica e dança – e também ao ar livre, em parques e praias, com atividades de caminhadas, corridas, práticas de esportes, entre outros. E uma nova modalidade esportiva vem despontando entre os que buscam se exercitar e estar em forma. É o chamado treinamento funcional ou crossfit.

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Aparelhos usados no treinamento funcional, o crossfit, na praia. Foto: Zahyr Neto

 

Praticado nas ruas, com grupos de alunos organizados por professores e profissionais de educação física, a modalidade chegou também às academias como uma alternativa. A grande procura pelo treinamento tem gerado lucro para as academias. Quem pratica garante que o crossfit é muito eficaz em termos de intensidade e resultados para o corpo.

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Prática do exercício na praia. Foto: reprodução

O professor de atividade física e personal trainer Hugo dos Santos resolveu formar um grupo para treinar crossfit na praia, há aproximadamente dois anos. A sucesso dos treinamentos se espalhou rapidamente na academia e o grupo foi aumentado. Atualmente, a turma tem mais de 30 alunos e  as aulas são realizadas às segundas, quartas, sextas e sábados na Praia do Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio de Janeiro.

O professor realiza atividades de força, resistência e corrida na areia da praia e diz que o retorno dos alunos têm sido muito positivo à nova prática: “Eles têm gostado muito deste novo modelo de exercício. O treinamento funcional está na moda e, graças aos meus contatos como personal trainer, e aos próprios alunos das academias em que trabalho, conseguimos um grupo que de alunos que se alternam semana após semana. Trata-se de uma atividade de força, uma atividade de resistência. Basicamente não usamos pesos, halteres e anilhas como na academia convencional. Aqui eles são substituídos por cordas, bolas e, principalmente, o próprio peso corporal de cada um.”

Não é um exercício para inchar a musculatura, e sim para trabalhar e definir o corpo”.

Cláudia Menezes é uma das alunas. Tem aula na academia do condomínio onde mora e migrou para o treinamento funcional na praia como mais uma forma de se exercitar: “Apesar do horário ser muito cedo, começamos a treinar às 7h, o resultado é muito satisfatório. Realmente muda a qualidade de vida de quem pratica. Na praia, temos o sol batendo direto, diferente do ambiente climatizado da academia, por exemplo. É um exercício mais desgastante. Por isso, é importante o acompanhamento que recebemos durante toda a carga horária das aulas. Hoje, vejo um reflexo direto do treinamento na minha rotina. Minha vida está melhor, minha alimentação está melhor e a autoestima melhorou muito com o meu próprio corpo.

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Zahyr Neto – 8º período