Futuro do Parque Olímpico permanece incerto

Após um ano do fim dos Jogos Olímpicos Rio 2016, os cidadãos ainda se perguntam o que será feito dos centros olímpicos que foram construídos, como o Parque Olímpico da Barra da Tijuca, de Deodoro, o campo de golfe, entre outros. Mas e se essas perguntas fossem ignoradas pelos governantes da cidade do Rio de Janeiro? Apesar de quererem mostra que as Olimpíadas deixaram um legado bom para a cidade, o que se nota é bem diferente disso.

Bem no começo das obras, o ex-prefeito Eduardo Paes alegou que o Parque Olímpico seria utilizado para eventos com escolas públicas e eventos voltados para o esporte, depois das Olimpíadas. No entanto, se você pesquisar no Google “eventos no Parque Olímpico”, vai verificar que a situação é diferente. O Parque Olímpico da Barra virou um espaço para show. Nele já foi realizado o VillaMix, o Rock in Rio e outros eventos do tipo já estão agendados para acontecer lá.

Procurados pela AGÊNCIAUVA, a assessoria de imprensa da Secretaria estadual de Cultura se limitou apenas a dizer que, no caso do Rock in Rio, “a única participação da Secretaria de Cultura no evento foi especificamente em um estande privado que recebeu o auxilio da lei de incentivo, uma renúncia fiscal concedida pela Secretaria”. E, sendo assim, empurrou para a Prefeitura e o Governo a responsabilidade dos eventos que acontecerão e podem acontecer no local.

Entramos em contato com a Prefeitura e, mais uma vez, não tivemos sucesso. Eles também disseram que não tinham ligação com os centros olímpicos, que as únicas instalações que são de responsabilidade deles é a Arena 3 e o Parque de Deodoro. Mas mesmo assim não quiseram divulgar uma possível lista de eventos a serem realizados nessas instalações.

A assessoria da subsecretaria do Esporte foi procurada, mas não retornou o contato. A pergunta que fica é: essas obras foram construídas para deixar que legado para o esporte?


 

Taianne Coelho – 8° período

Aniversário do Centro da Música Carioca Artur da Távola

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Prédio do Centro da Música Carioca Artur da Távola [ foto: Francisco V. Santos\AgênciaUVA]

Dirigido pelo cantor e compositor Rubens Kurin desde 2013, o Centro da Música Carioca Artur da Távola completou em 2017 dez anos de atividade dedicados à música carioca. Durante esse breve período, a instituição foi palco de pelo menos 2 mil shows para um público estimado em mais de 200 mil pessoas.

O espaço em si já é um convite ao deleite cultural. Instalado em um palacete de estilo medieval francês, datado de 1921, está situado à Rua Conde de Bonfim 824, esquina com a Rua Garibaldi, no bairro da Tijuca. Possui um auditório com capacidade para 156 lugares, onde oferece toda semana uma intensa programação musical para adultos e crianças. Possui também espaço para exposições, midiateca, biblioteca, estúdio de gravação e uma escola de música com seis salas de aula.

Mas a maior atração do local é a música. Rubens Kurin, 46 anos, atual diretor artístico da casa e que já trabalhava em projetos parceiros do Centro desde a sua fundação em 2007, cita vários artistas consagrados da música brasileira que mantêm forte relação com o local. Dentre os mais conhecidos, Kurin destaca Moacir Luz, Roberto Menescal, Ivan Lins e Gilson Peranzeta. “Julia Vargas, a cantora que está sendo saudada como a nova estrela da música brasileira, fez os primeiros shows no Centro da Música Carioca”, conta com satisfação.

Além da programação variada de espetáculos musicais, a casa tem projetos culturais em parceria com entidades como o Instituto TIM, que oferece aulas de bateria com Mestre Mangueirinha para até 50 jovens com deficiências ou não; com o coral Palavra Cantada, que atende 80 crianças de 9 a 12 anos; e o projeto Toque e se Toque, do Colégio de Aplicação da UFRJ, que funciona aos sábados com aulas de iniciação musical, canto, violão, cavaco e percussão para 180 jovens e adultos.

Os moradores do entorno aproveitam a programação de qualidade a preços baixos. As atividades acontecem de quarta a domingo, abrangendo especialmente a divulgação de artistas independentes voltados para os ritmos e sons brasileiros. A pedagoga Heloísa Carvalho, 67 anos, frequentadora assídua – pelo menos 3 vezes por semana – declara: “Acho uma pena que as pessoas não procurem conhecer esse espaço maravilhoso da música carioca, que oferece tantas opções de cultura”.

Aliás, o preço dos espetáculos é baixo, se comparado ao circuito de shows da cidade, porque o Centro da Música Carioca Artur da Távola não visa lucro. É um equipamento cultural da Prefeitura do Rio, administrado pela Secretaria Municipal de Cultura.

Oficina de artes para alunos de escolas pública [ foto: Francisco V. Santos\AgênciaUVA]

Neste mês de outubro, além da programação musical e das atividades sociais, o CMCAT apresenta a exposição Querubins da Grota, do artista visual Fernando Braune, que é um ensaio fotográfico realizado com a Orquestra de Cordas da Grota. A orquestra, dirigida pelo maestro Marcio Selles, é o resultado do trabalho desenvolvido no Espaço Cultural da Grota com ações de promoção da cidadania por meio da cultura, da arte e da educação, destinado a crianças e jovens da comunidade Grota do Surucucu, em Niterói. Além das obras expostas, todas as imagens do livro “Querubins da Grota”, que deu origem ao projeto, serão projetadas para que todos tenham acesso ao acervo digital.


Francisco V. Santos – 6ºperíodo

Ministério Público põe em xeque o legado

O procurador Leandro Mitidieri protocolou uma ação no Ministério Público Federal questionando sobre a durabilidade do legado olímpico no dia 30 de maio de 2017, a mais recente de uma serie de questionamentos sobre esse evento. Dentre as instalações agora inutilizadas está o parque olímpico na Barra da Tijuca ( recentemente utilizado para sediar o Rock in Rio), obra que custou 2 bilhões em investimento do governo federal, que se encontra abandonado e sem destino certo.

Toda a área no entorno das instalações precisou ser revitalizada. Exemplo disso é a construção do BRT TransOlímpica, que integra o bairro de Deodoro ao Recreio. No entanto, a durabilidade de tais obras começou a ser questionada ainda antes do evento. Em junho de 2016, o Ministério Público entrou com uma ação civil exigindo a apresentação do plano de legado ( sobre como se daria a utilização das estruturas no pós Olimpíada).

MP põe em xeque o legado

Onde está o legado? [foto: J. P. Engelbrecht/ revista Piauí]

Ainda nesse período, três políticos de peso no cenário carioca foram condenados a pagar uma multa diária individual de R$ 10.000,00 enquanto um planejamento formal do legado olímpico não fosse apresentado. São eles o governador do Estado Luiz Fernando Pezão, o ministro dos esportes Leonardo Picciani e o ex- prefeito do Rio Eduardo Paes.

Em 22 de junho foi criada uma audiência pública por parte do Ministério Público para investigar o investimento de verba federal para o desenvolvimento do evento. Estando a frente do processo, o Grupo de Trabalho (GT) das Olimpíadas vêm atuando na definição do que será feito sobre o legado físico, ambiental e social.

No primeiro, está as construções de centros de treinamento e estádios, o segundo representa os planos para a despoluição da Baía de Guanabara que jamais foram postos em prática e o terceiro diz menção a falta de investimento na educação que deveria ter sido redirecionado e não o foi e da realocação das 70 mil pessoas que foram removidas de suas moradias para a execução das obras.

O GT das Olimpíadas entrou também com um ofício para investigar o destino de verba federal usada para cobrir o déficit de R$ 132 milhões decorrentes dos jogos olímpicos. Dentre os órgãos públicos convocados para esclarecimentos estão o Ministério do Esporte, o comitê dos jogos, a Agencia Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos e a Empresa de Correios e Telégrafos. O autor do ofício e membro do GT das Olimpíadas, o procurador da República Leandro Mitidieri ressalta a importância de se esclarecer o destino do dinheiro. ” Há uma pressão internacional para que esse déficit seja arcado pelo governo brasileiro, mas não há autorização legal para mais destinação do dinheiro público para os jogos”.


 

Gustavo Barreto – 6° período

Crítica: Blade Runner 2049

Blade Runner 2049    Quando Blade Runner ( filme anterior) estreou em 1982, pelas mãos do diretor Ridley Scott, o primeiro sentimento da critica especializada foi o de repúdio ao filme. Sua narrativa lenta e complicada ia na contramão do que até então existia no gênero de ficção cientifica (Star Wars, Alien, Star Trek), ou seja, enredos voltados para cenas de ação frenéticas. A trama noir futurista de ” Blade Runner” só viria a conquistar a critica e público anos depois, com sucessivos novos lançamentos remasterizados ou do diretor.

Não a toa, a confirmação do cineasta canadense Denis Villeneuve na cadeira do diretor atiçou o ânimo dos fãs. Denis vinha de suscetivos sucessos de critica e público, chegando perto de conquistar o Oscar com ” A Chegada”, e criou-se grande expectativa sobre como seria sua visão sobre esse universo. Logo em seguida surgiram os nomes de Ryan Gosling ( La La Land) e Harrison Ford ( protagonista do filme anterior) para estrelar a produção.

A trama segue o agente K (Gosling) na Los Angeles de 2049, aonde sua função é caçar replicantes ( Humanos produzidos em laboratório para trabalho escravo) que não façam parte da nova geração mais fácil de ser controlada. Sua investigação o levará a descobrir o mais bem guardado segredo dos replicantes, além de coloca-lo cara a cara com Deckard ( Harrison Ford).

 

fonte: IMBD

Um fator a se observar é o esforço de Villeneuve em fazer um material que se assemelhe ao que foi mostrado em 1982, seja como forma de tributo ou para pescar os fãs. O peso dessa decisão é visível no ritmo da narrativa, sempre lenta e gradativa. O diretor não mostra qualquer sinal de pressa em concluir sua história colocando os personagens de qualquer maneira. Cada um deles, em sua maioria novos, são inseridos no momento propicio o qual a sua característica ajudará no andamento da trama e mesmo após inseridos seu desenvolvimento não é esquecido. Há muito esmero do diretor em torná-los o mais críveis possível expondo seus objetivos e defeitos.

A trilha sonora, muito marcante no filme anterior, emula em sua maioria o que já foi feito pelo compositor grego Vangelis. Nomes como Jóhann Jóhannsson ( a chegada), Hans Zimmer ( trilogia cavaleiro das trevas) e Benjamin Wallfisch ( estrelas além do tempo) pouco acrescentam ao repertório musical com algo inédito, os momentos de pico narrativo pertecem ao que foi feito pelo Vangelis. A fotografia é um espetáculo a parte, variando entre cores acinzentadas e neon brilhante ela se mostra como uma ferramenta essencial para a narrativa, exaltando principalmente o futuro sujo em que se passa a história.

 

fonte: IMDB

Ryan Gosling continua se mostrando o ator limitado a que sempre foi, principalmente no trabalho de expressar qualquer sentimento que o personagem esteja sentindo. É compreensível que ele não escolha trabalhar com caretas, e até correto, mas sua interpretação visual também é problemática, sempre passando o sentimento de monotonia. Sua disposição para cenas fisicamente desgastantes, entretanto, o colocam com justiça na lista de primeiras escolhas para filmes de ação. Harrison Ford, com metade do tempo de tela, faz o básico do “feijão com arroz” ao trabalhar uma postura de velho rabugento ( parecido com o que fez recentemente em Indiana Jones e Star Wars). No entanto, Jared Leto com ainda menos tempo de tela entrega um vilão interessante e com certo conceito desenvolvido mas que não cresce muito mais devido ao tempo dado.

Por fim, ” Blade Runner 2049″ é uma ótima sequencia por saber como continuar o desenvolvimento de seus personagens e daquele mundo, sem apostar em invenções desnecessárias. Com um CGI muito bom, Villeneuve conseguiu retratar a Los Angeles de Ridley Scott como um mundo tomado pela poluição e propaganda das grandes corporações e essa ambientação influencia diretamente na mentalidade dos personagens, sempre ressaltando a solidão individual do homem em um mundo altamente tecnológico.

Seu ritmo lento pode sim afastar o público mas acostumado a filmes com cortes rápidos mas se o mesmo se concentrar, encontrará em “BR 2049” uma obra contemplativa guiada por uma trilha sonora aguda e quase primal, e principalmente, por uma fotografia que realmente transpõe na tela o que se passa na alma não só dos personagens como também daquele mundo. É a imagem que fala por mil palavras.


Gustavo Barreto – 6° período

 

 

Demissão de técnica da seleção de futebol reacende debate sobre mulheres no esporte

 

A demissão da técnica da seleção de futebol feminino do Brasil Emily Lima e o retorno ao posto do ex-técnico Vadão provocou uma crise no time e uma série de anúncios de desligamento de jogadoras. Cristiane, Rosana, Fran, Andreia Rosa e Marine anunciaram que não jogarão mais na seleção. Primeira mulher a comandar o time feminino, Emily ficou no cargo por apenas 10 meses. Para alguns, ela ser mulher pesou na decisão da troca.

Estudantes do curso de Jornalismo Esportivo da Universidade Veiga de Almeida, Campus Tijuca, tiveram a oportunidade de discutir essa e outras questões relacionadas à presença feminina no futebol e na editoria de esportes na mesa-redonda “Do gramado ao microfone, mulheres no jornalismo esportivo”. Além da apresentação sobre as pioneiras na área, o debate teve como foco discutir sobre preconceitos e perseguições enfrentados por mulheres – jornalistas e atletas – no dia a dia de trabalho.

Com cerca de 20 anos de experiência, a jornalista Carla Matera participou do papo. Uma das grandes referências do jornalismo esportivo, ela teve sua carreira marcada pelo trabalho na Rádio Tupi e na Rádio Globo, entre outras emissoras. Começou a transmitir do campo em 1999, quando ainda era raro ver mulheres cobrindo futebol. As poucas que trabalhavam com o esporte atuavam na TV e tinham um papel secundário, atendendo ligações telefônicas de telespectadores em programas comandados por homens.

Autora da monografia “País do futebol… feminino? A (in)visibilidade das mulheres nas quatro linhas”, a jornalista Gabriella Telles também participou da conversa, que contou ainda com a presença dos alunos da UVA Clara Maria Lino e Marcello Neves. Os dois atuam na BandNews e no portal Vavel Brasil, respectivamente. O debate foi moderado pela professora da disciplina, Patrícia Sá.

Gabriella falou que pesquisou muito para conseguir um bom conteúdo para a monografia. Ao realizar os estudos, comprovou o quanto a jogadora de futebol é vista de uma forma diferenciada e desigual na cobertura da imprensa em relação aos homens. Reportagens com times masculinos são mais frequentes e ocupam muito mais espaço nos jornais e programas de TV e rádio.

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Quando questionada sobre o futuro das mulheres no jornalismo esportivo, Carla disse que tudo depende da força de vontade delas, do quanto pregam igualdade e respeito dentro e fora do campo. Ela afirmou ainda que sempre preferiu passar por cima dos preconceitos, para não atrapalhar no seu trabalho, e que lamenta nunca ter participado da cobertura de uma Copa do Mundo.  Eram sempre os mesmos que eram escolhidos para trabalhar no maior evento esportivo do futebol.

Já Gabriella frisou que o caminho têm sido bom para mulheres na área, porém lento. Para ela, as dificuldades enfrentadas por mulheres não são restritas ao jornalismo; fazem parte de uma sociedade machista, que trata a mulher de forma desigual e que ainda acha que alguns assuntos devem estar restritos ao universo masculino. Por isso, a jornalista afirmou que é importante lutar constantemente para que o espaço seja conquistado e mantido.

A discussão sobre questões enfrentadas por mulheres – sejam elas jornalistas, atletas ou de qualquer outra carreira – se torna cada vez mais necessária e precisa ser levada para todos os campos. Afinal, não é justo desperdiçar talentos por se levar mais em consideração o sexo do que a competência profissional.

Depois do papo sobre mulheres no jornalismo esportivo, Gabriella Telles, Carla Matera, Patrícia Sá, Clara Lino e Marcello Neves fizeram questão de registrar o encontro. Foto: Luis Miguel

Depois do papo sobre mulheres no jornalismo esportivo, Gabriella Telles, Carla Matera, Patrícia Sá, Clara Lino e Marcello Neves registraram o encontro. Foto: Luis Miguel


Roberta Rodrigues Ferreira – 6º período