Biblioteca permanece desativada

Inaugurada em 29 de março de 2014, a Biblioteca Parque Estadual, principal unidade do novo programa de bibliotecas do Estado do Rio de Janeiro, teve vida curta.
Reformada durante seis anos, desde março de 2008, visava oferecer à população um novo modelo de serviço público baseado na Bibliothèque Publique d’Information, de Paris.

Biblioteca Parque Estadual [foto: Francisco Valdemir dos Santos/Agência UVA]

A nova biblioteca foi projetada para ser um polo de atividades culturais, informação e lazer, acessível a todos, sem restrição de idade, região de domicílio ou nível escolar. O projeto se caracterizava por oferecer espaços amplos e funcionais, nos quais o acesso a informação podia ser feito nas mais diversas linguagens: livros, vídeos, músicas, teatro e artes. O programa contemplava mais três unidades: Manguinhos e Rocinha na cidade do Rio de Janeiro e a Biblioteca Parque de Niterói.

Tudo parecia bom demais. Quando a população se rejubilava com as qualidades do serviço cultural, veio a realidade: em dezembro de 2016 a crise financeira do Estado atingiu o símbolo maior da cultura e a rede de bibliotecas parque foi fechada. Seis meses depois, em junho de 2017, mediante convênio com a Secretaria de Cultura do município, a Biblioteca Parque de Niterói foi reaberta. Até a presente data não há previsão para reabertura das unidades situadas no município do Rio de Janeiro.

 

Francisco Valdemir dos Santos – 6°período

(Publicado no “Diário da Província”, parceiro da Agência UVA)

 

Critica: Os Guardiões

image003Pode-se definir o gênero de “super heróis” com um antes e depois do estabelecimento do UCM ( Universo Cinematográfico da Marvel). O período anterior seria definido como filmes do gênero sem qualquer ligação entre si, funcionando como histórias fechadas em seus próprios mundos. O após se categoriza como o surgimento de diversos universos compartilhados aonde todo filme seria peça de um enredo maior. Foi justamente nessa leva, que surgiu o filme ” Os Vingadores” aonde vários heróis da Marvel se uniriam em prol de um objetivo em comum.

Entretanto, o nicho das adaptações de quadrinhos sempre foi muito restrito ao mercado norte-americano no que concerne à produção. Portanto, o anúncio de que um filme voltado para esse gênero, mesmo não sendo uma adaptação, estava sendo produzido pela Russia gerou certa curiosidade sobre como seria. A trama desenvolvida pelo diretor e co-roteirista, Sarik Andreasyan, acompanha um grupo de super humanos que devem se unir para impedir uma catástrofe mundial.

Talvez seja pela pouca experiência do mercado russo em produzir obras de grande orçamento ou de um possível objetivo de se produzir uma paródia aos grandes Blockbusters americanos, fato é que todo a estrutura narrativa da produção é disforme. Em outras palavras, todos os clichês imaginados são usados exaustivamente durante o filme.

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Frases de efeito vazias, desenvolvimento estabanado de personagens (suas motivações só são reveladas de maneira rasa quando o momento pede), efeitos especiais datados ( dignos do filme ” Van Helsing” de 2004), uma trilha sonora compostas por músicas que são simplesmente lançadas na cena sem qualquer objetivo narrativo e todas em inglês, um vilão que não transmite nenhum sentimento de perigo e uma dublagem mal sincronizada com os movimentos dos lábios do elenco.

O ritmo do filme também é problemático, pois diferentemente de outras obras ele não possui produções prévias que sirvam de introdução para seus protagonistas, logo ele depende muito de apresentações individuais rápidas e de uma desculpa para unir todos eles em um inevitável encontro. O roteiro falha nesse elemento também pois a presença dos personagens torna-se motivo de indiferença para o espectador, consequentemente as cenas em que ocorrem a formação da equipe perdem o peso dramático necessário e, somado aos defeitos anteriores, tornam-se cômicas.

Por fim, ” Os Guardiões” se mostra como uma produção com muitos mais pontos negativos do que positivos por justamente se apoiar em todos os clichês que o cinema americano tenta evitar. Na ânsia de entrar no mercado de adaptações, o diretor e os roteiristas lançam mão de uma trama maçante, um elenco pouco inspirado, uma trama acelerada e a falta de um esmero maior na combinação de construção da história com detalhes técnicos ( como trilha sonora ou fotografia) acabam por produzir um resultado final vergonhoso. O que é uma pena, pois seria muito interessante ver uma produção desse nicho que fugisse da influencia dos EUA.

 

Gustavo Barreto – 6° período

 

 

Palestra sobre bambu como matéria-prima conquista plateia na Semana de Engenharia Civil

A palestra “A utilização do bambu na construção civil” chamou a atenção dos participantes da 3ª Semana de Engenharia Civil, na última quinta-feira (24). Até mesmo estudantes do curso se mostraram surpresos e curiosos em relação à diversidade do uso do bambu, durante a apresentação do professor e secretário de Urbanismo do Município de Japeri, Vinicius Oliveira de Araújo. O evento aconteceu no Campus Tijuca, entre os dias 21 e 25 de agosto, e ofereceu diversas palestras, minicursos e workshops para os estudantes da Universidade Veiga de Almeida (UVA).
“O palestrante mostrou construções que jamais imaginava que poderiam ter sido feitas com o bambu. Não tinha ideia de que fosse tão resistente”, afirmou a estudante de Engenharia Civil Nathalia Dias, de 21 anos, que ficou impressionada com as possibilidades que o material oferece. E acrescentou: “Foi o tema que mais gostei”.
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Secretário de Urbanismo do Município de Japeri, Vinicius de Araújo

Vinicius de Araújo explicou que a planta é uma matéria pouco utilizada no Brasil, porém muito usada em outros países da América Latina, como Peru e Colômbia: “O bambu é um material versátil. É importante destacar que sua maior vantagem é a preservação do meio ambiente. Inclusive, é um elemento que recupera o pH do solo”.

As vantagens ambientais com o uso do bambu despertaram o interesse da Caroline Fernandes, de 20 anos. Ela pensa em utilizar futuramente a planta nos seus trabalhos como engenheira. “Esse é um elemento vantajoso não apenas por ser reutilizável, mas também por ser barato”, afirmou a estudante.
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Alunos de Engenharia Civil no auditório da UVA

Quem também gostou do tema foi o formando Rodrigo Guedes, de 26 anos. Ele disse que a Semana de Engenharia Civil foi uma ótima oportunidade para conhecer mais o mercado de trabalho, embora queira seguir a área de incêndio.

Apesar de ser novidade para os alunos, a utilização dessa matéria-prima não é recente. Uma das curiosidades contadas na palestra foi a da utilização do bambu na obra de uma das sete maravilhas do mundo, o Taj Mhal, na Índia. Nas construções civis, o bambu pode substituir perfeitamente o aço, entretanto, o professor deixa bem claro que “deve-se aprimorar os estudos para potencializar seus benefícios e para se aprender a lidar com seus pontos fracos”.

Repórteres: Jefferson Alves e Taianne Vitorino, Agência UVA

Jout Jout e gerente do LinkedIn falam do empreendedorismo jovem

youtuber Julia Tolezano (Jout Jout) foi uma das convidadas do “Extra Conect@”, evento organizado pelo jornal “Extra”, com o patrocínio da Universidade Veiga de Almeida, na última quinta-feira (25), no campus Tijuca. Alguns dos mais conhecidos influenciadores digitais da atualidade debateram sobre o empreendedorismo do jovem. O escritor Affonso Solano e a gerente do LinkedIn Erika Tabacniks também participaram do debate.

O medo do jovem para dar o primeiro passo na conquista de uma vida independente e a pressão para ser “bem-sucedido” foram abordados pelos participantes do evento. Solano contou como foi o início da trajetória dele no mercado literário brasileiro. O escritor também falou sobre a dificuldade de conseguir promover sua obra. “Para que eu chegasse no momento em que a editora me notasse como escritor, eu demorei uns 10 anos. Trabalhei como ilustrador, publicitário e podcaster e escrevi para vários veículos. Foram 10 anos construindo minha carreira”, afirmou.

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influenciadores relembram suas trajetórias [foto: Daniel Deroza/ Agência UVA]

Com um canal com mais de um milhão de inscritos no Youtube, a influenciadora Jout Jout era uma das presenças mais esperadas no evento. Ela disse que possui um público alvo misto no canal, que facilmente “abraça” a linguagem dos seus vídeos. Para Jout Jout, não deve ser feita distinção de linguagem entre as faixas etárias do público: “Eu não penso muito nisso. Vou falando do jeito que eu falo. Acho que condicionar sua fala pode acabar subestimando seu público”.

Jout Jout ressaltou que, durante o período da faculdade, o maior desejo dela era o de trabalhar em uma grande editora. Apesar de ter alcançado o sonho, a youtuber contou que não se sentia feliz e que a ideia de criar um canal veio por acidente: “Depois que eu realizei meu sonho, eu parei e me perguntei: ‘e agora?’ Um dia, eu peguei uma câmera e, sem qualquer super produção, comecei a falar tudo o que eu pensava sobre vários assuntos”.

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Jout Jout define sua trajetória no Youtube [foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

Mas para inovar, deve-se arriscar. O risco dos jovens para construir carreiras e a independência foi abordado por Erika Tabacniks. Falando da experiência própria de ter se aventurado fora do Brasil e da posição de gerente do LinkedIn da América Latina, ela afirmou que o atual momento do país pode ser uma oportunidade para o jovem empreender e mostrar vocação para liderar. “O momento cria mais oportunidades para empreender, pois se questiona o que pode ser feito de diferente. Como a liderança é uma característica situacional, ela pode surgir no ambiente universitário como a figura que inspira e demonstra proatividade”.


Gustavo Barreto – 6° período

Identidade de gênero e transexualidade são tema de seminário na UVA

A Universidade Veiga de Almeida (UVA) será palco de um evento voltado para a conscientização a respeito do tema das transexualidades no campus Barra da Tijuca, no dia 2 de setembro, de 8h30 às 16h30. No seminário, transexualidades e identidade de gênero serão abordados a parir do ponto de vista da psicanálise. A presença de profissionais renomados na área também está confirmada, como a psicóloga argentina Mirta La Tessa.

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Arte de divulgação do evento

Serviço

Data: 2/9/2017 ( sábado)

Horário:  08h30 às 16h30

local: Campus Barra

Entrada: R$ 70,00 ( profissionais) / R$ 35,00 ( estudantes de graduação)

 

Blogando aborda papel dos influenciadores digitais em debate

Inovação, influenciadores digitais, criatividade em tempos de crise e representatividade social foram alguns dos temas debatidos no Blogando, que aconteceu no último sábado (19), na Universidade Veiga de Almeida, na Tijuca. Esta foi a primeira vez que o Rio de Janeiro sediou uma edição do evento, que promove o debate e a troca de ideias de profissionais de diversas áreas para falar de mídias sociais e de como elas se refletem na vida das pessoas.

“Mesmo com diversos pedidos, ainda não tínhamos conseguido montar uma estrutura para realizar o evento no Rio de Janeiro, mas a Veiga nos deu a oportunidade de estarmos aqui. O fato de haver muitos alunos de comunicação com interesse nessa área, de mídias digitais, pesou na nossa decisão”, disse Marcelo Bueno, um dos organizadores do Blogando.

Em uma das mesas de debate, a blogueira Flu Ferreira falou sobre a responsabilidade dos produtores de conteúdo. Para ela, não basta mais apenas chamar celebridades para divulgar alguma marca. É preciso que eles realmente acrescentem algo para o consumidor: “No Brasil, criou-se uma imagem divina dos influenciadores. Não adianta chamar nomes famosos para divulgar determinado produto, se não há um conteúdo para se passar”.

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Palestrantes discutem a imagem do influenciador. [foto: Gustavo Barreto\Agência UVA]

Já na palestra “Ciência de dados para Comunicação: um bate-papo híbrido”, a engenheira de computação Fernanda Alves abordou o tema da privacidade na internet e trouxe a seguinte questão: até que ponto a privacidade é respeitada em detrimento do quando algum produto é vendido? A engenheira usou como exemplo os sites de compras, que armazenam informações dos visitantes para mapear o perfil do usuário. Depois de o internauta realizar uma busca por determinado produto, a informação fica arquivada e o usuário é exposto repetidamente a anúncios do mesmo produto.

Para estudantes que já possuem sites para divulgar seus próprios trabalhos, o evento foi uma forma de aprender mais sobre o assunto. Estudante do curso de Publicidade na UVA, Fábio Eduardo, 21, avaliou o Blogando: “O evento me interessou pela disciplina que estou cursando no meu período atual e também porque tenho páginas na internet, onde trabalho com um nicho de fotografias. Além de me trazer experiência e agregar ao meu conhecimento”.

 

Gustavo Barreto – 6° período

Falha no medo

Annabelle-2-Teaser-posterQuando a saga ” Invocação do Mal” estreou em 2013, dirigida por James Wan, não se esperava o retorno em folego do gênero de terror. A boa recepção do publico gerou um spin off chamado ” Annabelle”, focado na boneca possuída que marcou a primeira fita, apesar da pequena participação.

O sucesso financeiro garantiu uma sequencia para a sinistra boneca, desta vez ambientada antes dos eventos do projeto anterior. Com a direção de David Sandberg ( Quando as luzes se apagam), a história segue um grupo de órfãs que, ao ter o orfanado transferido para uma casa distante passam a sofrer com uma presença demoníaca, que se concentra na famosa boneca.

Um filme de terror, qualquer que seja ele, tem a missão de incomodar ou, em casos mais raros nos dias atuais, assustar. Ao falhar nessa empreitada ele perde seu significado e se compromete como obra. ” Annabelle 2″ falha em construir o clima necessário ao cometer o mesmo erro de seu antecessor, a aposta em jump scares ( sustos repentinos ) em excesso. Com a dependência dessa opção o espectador acaba por se acostumar com a inevitabilidade do susto.

O elenco e personagens dificilmente trazem algo até então não visto. Mesmo apostando na escalação de atores mirins, tradicionalmente eficaz no gênero, o espectador pouco se importa com as mesmas, muito pelo roteiro que reproduz frases batidas ou não se aprofundo na personalidade das crianças, focando apenas nas duas protagonistas.

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A boneca Annabelle em si também é mal utilizada, suas aparições são manjadamente em ambientes escuros aonde objetos se movem sozinhos. Na altura em que o conjunto da obra não assusta, tais ações vindas de um objeto que é ( ou deveria) ser inanimado produz um sensação de comicidade. Somado a isso, vem o designer apelativo do brinquedo que tenta impor medo mas é apenas feio, ao contrario de sua versão real de pano.

Por fim, ” Annabelle 2″ falha em tudo que se propõe, que é apenas dar susto pelo susto. Não há uma construção de tensão, o que atrapalha os momentos de jump scare pelo longa não ter preparado o espectador para tais situações. Consequentemente o elenco também é prejudicado por esse despreparo, pois seus personagens não se tornam nada além algo passivo nos acontecimentos. A impressão passada, ao fim da exibição, é que a franquia ” Invocação do Mal” está sendo cada vez mais exprimida para gerar frutos, mas que não possui material para tanto.

 

Gustavo Barreto- 6° período

Lei Maria da Penha completa 11 anos

Apesar das mudanças e conquistas, a lei ainda apresenta falhas quanto à defesa do direito das mulheres.

Há onze anos, no dia 7 de agosto de 2006, foi sancionada a lei que prevê punições a qualquer tipo de agressão há mulher, e é por isso que esta data é conhecida como o Dia Estadual da Lei Maria da Penha. A sanção instituiu instrumentos jurídicos com o objetivo de tentar garantir proteção para mulheres brasileiras vítimas de violência doméstica. A “Lei Maria da Penha” ou Lei N0 11.340 determina que os agressores sejam presos em flagrante ou tenham prisão preventiva decretada. A criação da lei se deu a partir da luta de Maria da Penha Maia Fernandes, uma farmacêutica bioquímica que foi vítima de violência doméstica durante os 23 anos em que esteve casada com Marco Ântonio Herredia Viveros. Em 1983, Maria sofreu duas tentativas de assassinato – a primeira a deixou paraplégica, e na segunda quase foi eletrocutada. Após anos de sofrimento e agressões, ela decidiu transformar sua existência em sinônimo de defesa aos direitos das mulheres.

Herredia foi finalmente condenado em 2002, após anos de brigas na justiça. O Estado brasileiro também sofreu consequências devido à omissão, negligência e tolerância em relação à violência doméstica. A partir daí, foi recomendada a adoção de políticas públicas voltadas à prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher, resultando, em 2006, na criação da Lei Maria da Penha. De acordo com dados de 2015 do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), a Lei Maria da Penha contribuiu para uma diminuição de cerca de 10% na taxa de homicídios contra mulheres praticados dentro das residência das vítimas. Além disso, a lei protege mulheres vítimas de outras agressões, como violência sexual, psicológica – quando a mulher sofre insultos, constrangimentos e isolamento –  e patrimonial. As estatísticas mostram cada vez mais a necessidade de uma lei eficaz para proteger mulheres em situações vulneráveis. Em 2010,  uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo mostrou que cinco mulheres são espancadas a cada dois minutos no país, uma em cada cinco mulheres afirmaram que já sofreram algum tipo de violência de um homem, conhecido ou não. O parceiro é responsável por 80% dos casos denunciados de agressão.

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Maria da Penha [foto: Reprodução da Internet].

A história da família de Rebeca Chrystine, 20 anos, estudante de Comunicação Social, é uma entre muitas outras atravessadas e manchadas pela violência doméstica. Ela conta que perdeu a irmã aos 31 anos de idade, em 2013. “Ela tinha sonhos, vontades e histórias engraçadas para contar. Muitos sorrisos para dar, bem como amor e carinho que sempre fez parte de sua vida. Ela se foi deixando uma família sozinha e com um vazio eterno. Rosimeire Rita da Silva, esse era o nome dela. De uma mulher que levantava todos os dias para trabalhar no que gostava de fazer.” Rosimeire, ou “Meirinha”, como era carinhosamente chamada pelos familiares, foi vítima de inúmeras agressões pelo parceiro. Tudo começou quando ela conheceu Hélio, seu chefe na época. Divorciado do segundo casamento, três filhos e 23 anos mais velho. “Nós nunca soubemos de nada que ele fizesse, pois ela sofria calada. Quando ela finalmente disse, já não conseguia ter mais paz. Descobrimos que ela apanhava, era humilhada, xingada, agredida verbal e fisicamente”, afirma.

Pouco depois começaram as ameaças de morte, campanas na frente de casa, na empresa e mensagens ameaçadoras. Rebeca conta que a irmã fez vários boletins de ocorrência, mudou de endereço, de carro e trocou de horário na empresa onde trabalhava, mas não adiantou. No dia 3 de abril de 2013, ela foi morta. Estava indo trabalhar quando Hélio a abordou na rua dizendo que queria conversar e Rosimeire avisou que chamaria a polícia. Nesse momento, ele sacou a arma e ela tentou correr, mas caiu no chão. “Minha Meirinha morreu no hospital após levar 4 disparos de um revólver, dados pelas costas. Todos me perguntam se ele está preso quando conto o que aconteceu, mas o assassino se matou em seguida, no mesmo lugar”, relata.

O caso da irmã de Rebeca é aprova de que, mesmo após enorme avanço alcançado desde sua implementação, há 11 anos, a lei ainda apresenta brechas e falhas. Thaís Justen, advogada e administradora da página “Advocacia Especializada em Maria da Penha RJ” explica como a lei pode se tornar mais eficaz. “A melhor aplicação da lei depende de uma conscientização maior dos profissionais que lidam com ela diariamente. O profissional que atende a mulher vítima de violência não pode julgá-la. E principalmente precisa entender como a violência funciona, entender o ciclo da violência”. Thaís afirma que quando uma mulher é vítima de violência doméstica e continua o relacionamento com o agressor isso não significa que “ela goste de apanhar”, mas sim que ela não consegue romper com o ciclo, que a estrutura da violência é muito mais complexa do que se imagina.

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Violência doméstica [foto: Reprodução da Internet].

Além disso, segundo a advogada, a falta de compreensão dos profissionais acerca do mecanismo da violência se transforma rapidamente numa culpabilização da mulher. “É importante que os juizados de violência doméstica apliquem a lei não apenas no seu caráter penal mas na sua totalidade. A mulher que busca a ajuda da justiça o faz não simplesmente porque quer o agressor preso, mas principalmente porque quer o fim da violência. A lei Maria da penha prevê uma série de medidas protetivas que raramente são aplicadas, e isso deve mudar.” Thaís também fala sobre como a sociedade pode ajudar na desnaturalização da violência contra a mulher. “Não é normal que mulheres apanhem. Não é natural que homens ajam com violência contra suas companheiras, mães, filhas, quando estão estressados. Não é verdade que uma mulher dedicada e paciente muda um homem agressor, a mulher não precisa passar por isso e a mudança do homem pode ocorrer, mas não é responsabilidade da mulher”. Aliás, a advogada afirma que as pessoas precisam parar de romantizar ciúmes e possessividade. “Não é bonito um homem que não deixa a esposa sair sozinha. Não é amor se ele te afasta de sua família e amigos. Não é ‘só preocupação’ e cuidado se ele invade sua privacidade e controla com quem você fala e com que roupa você sai. Só quando a sociedade parar de romantizar e naturalizar a violência doméstica poderemos erradicá-la”.

*Denúncias de violência contra a mulher podem ser feitas na Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência, por meio do número 180.


Thainara Carvalho – 50 período

Uma noite para a reflexão

O auditório do campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida (UVA), sediou na noite de terça feira (08) uma palestra sobre a desmistificação de preconceitos sobre os direitos humanos, promovido pelo curso de Relações Internacionais. Dentre os convidados, destacava-se o Deputado Estadual e professor Marcelo Freixo, que não só demonstrou todos os seus conhecimentos na área em questão como serviu para chamar a atenção para o evento. O clima interno do local caminhava de encontro do externo.

Em uma noite aonde o assunto eram causas sociais, centenas de estudantes se aglomeraram na entrada do auditório lotado, cujo o numero limite é de duzentas pessoas, tentando encontrar um jeito de assistir as palestras e se manifestando quando o acesso não era mais possível. Alguns entraram e muitos outros ficaram de fora. Na parte interna do local, coube à presidente do Conselho Estadual dos Direitos Humanos, Célia Regina de Paula, introduzir uma breve história sobre como surgiu a necessidade de se criar proteções legais ao ser humano.

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Convidados escutam à perguntas da plateia [foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

Em seguida, o advogado de Direitos Humanos, Felipe Coelho, contextualizou o tema à prisão do morador de rua Rafael Braga nas manifestações de 2013. Na época, o jovem foi acusado de portar equipamento inflamável e, sem provas contundentes, foi detido. “Rafael era morador de rua e foi preso por protesto violento. Contra o que ele iria lutar se ele não tem base nenhuma? Como se rebelar sem saber contra o que está se rebelando? Por ser negro e morador de rua, ele foi tido como culpado”.

A estudante do curso de direito, Isabel Ribeiro, apoiou a presença de nomes como Flavio Coelho e Marcelo Freixo no debate. “Isso é ótimo, ter alguém como eles aqui ajuda a compreendermos melhor o papel dos Direitos Humanos, tanto na área social quanto no campo do Direito”.

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Marcelo Freixo participando do debate [foto: Daniel Deroza/Agência UVA]

A ótica da situação internacional veio por meio das palavras da professora de direito da UVA, Roberta Lussac, que trouxe a discussão sobre a repressão a movimentos LGBT’s na Rússia e Chechênia. Com observações pontuais, Marcelo Freixo apontou, após o fim da palestra, como está a situação desse grupo no Brasil. “O grande debate de gênero ainda é ruim em qualquer lugar, é péssimo nas universidades e escolas públicas\privadas. Muito devido a esse setor mais conservador da sociedade que tem no diálogo sobre uma batalha quase campal em nome de uma ideologia”.

Por fim, após o término do debate, Freixo categorizou a vitória do Presidente Donald Trump como um alerta do quão perigosas as corridas eleitorais podem ser para os avanços na área dos Direitos Humanos. “A eleição do Trump nos deixa uma lição: a barbárie não pode ser tratada como piada. A lição para o Brasil, em 2018, é não tratar nenhuma coisa esdruxula como piada, porque essa piada pode virar presidente”.


Gustavo Barreto – 6º Período

 

Empreendedorismo social marca manhã na UVA

Na manhã do ultimo dia 7 de agosto a Universidade Veiga de Almeida (UVA) recebeu o gestor de inovação e educação do Viva Rio, Francisco Barreto Araujo, para dissertar sobre os tempos de constantes mudanças pelo qual o mundo atravessa e como ainda é possível inovar de maneira que não se ignore o ponto de vista das necessidades sociais, ou sobre como a tecnologia pode reprogramar as relações entre o individuo e instituições.

Cecilia Seabra trabalha como gerente de comunicação institucional do grupo Ilumno e concorda com a visão social de Francisco. ” O Francisco traz essa visão de como pôr em prática um projeto, não pelo simples ‘ pôr em pratica’, mas também pelo impacto na sociedade. O ponto que ele aborda sobre o uso da tecnologia também é interessante pois mostra como o avanço tecnológico é gigantesco, graças a ela nunca se produziu tanto e ao mesmo tempo nunca tantos consumiram tão pouco”.

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Francisco Barreto palestrando [ foto: Gustavo Barreto/Agencia UVA]

A presença de palestrantes gabaritados realça a importância de um maior contato entre o profissional de mercado que possua uma visão diferenciada e o estudante. Ainda mais especificamente, a consciência do impacto que as novas tecnologias terão sobre o cotidiano. Um exemplo de como essa modernização está presente na vida da população é a disponibilidade do celular, de acordo com dados publicados pela Agencia Nacional de Telecomunicações (ANATEL) atualizados em 2017, existem 242,1 milhões de linhas moveis ainda em operação no Brasil, muitos deles concentrados na região Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

O próprio Francisco da embasamento a essa ideia ao afirmar sobre a necessidade de se adaptar a um modelo de inovação mais equilibrado. “Com as novas tecnologias temos impactos que nunca tivemos antes na historia, assim como problemas também. Hoje, quem trabalha na área de assistência social ou da ajuda humanitária deve usar a tecnologia como um vetor de alteração nas condições sociais que podem facilitar na resolução de diversos problemas”.


Gustavo Barreto – 6° período