A maravilhosa redenção da DC

mulher-maravilha1A esperança é a última que morre. Este ditado popular estava na cabeça, e no coração, dos fãs da DC Comics que permaneciam aguardando um filme realmente bom do novo universo heroico da empresa. Bom, ao que parece, a hora finalmente chegou. Depois de decepcionar o grande público com o péssimo “Esquadrão Suicida”, o contestado “Batman vs Superman” e o mediano “Homem de Aço”, chega aos cinemas “Mulher Maravilha”.

Contextualizando, Diana Prince é a princesa do reino das Amazonas e foi treinada para ser uma guerreira imbatível, para proteger sua terra da possível invasão de Ares, o Deus da Guerra. Então, fugindo de uma emboscada, o piloto e espião inglês Steve Trevor (Chris Pine) acaba caindo na ilha mágica onde vive Diana.

A princesa salva o jovem piloto e descobre que fora dos limites da ilha, acontecia a 1ª Guerra Mundial. Depois de ouvir a história sobre as batalhas que estavam sendo travadas, Diana percebe que tamanha crueldade só poderia ter vindo de Ares e decide deixar seu reino para matar o temido Deus. Contudo, ao chegar ao campo de batalha, ela descobre verdades sobre o seu passado e qual a sua real função na terra.

O longa dirigido por Patty Jenkins consegue registrar muito bem a evolução da personagem principal, tanto fisicamente quanto mentalmente. Ver a pequena princesa Amazona se transformando na heroína mais icônica dos quadrinhos, a Mulher-Maravilha, é inspirador e encorajador. O filme carrega uma importante mensagem sobre a força feminina que se encaixa muito bem no cenário social atual. A fotografia e a ambientação localizam o espectador no cenário caótico da Primeira Guerra. Explicando a criação e o uso de armas importantes da época, como os aviões e os gases tóxicos.

A trama do longa gira entorno justamente desses gases. Onde a heroína e seu pequeno grupo de soldados tem que encontrar e destruir o general Ludendorlf (Danny Huston) e Dra. Maru – ou Dra. Veneno (Elena Anaya). Ambos são cientistas nazistas que estão pesquisando a formula do gás mais poderoso de todos os tempos, capaz de corroer máscaras, uniformes e matar um pelotão em poucos segundos.

WONDER WOMANFalando no roteiro, a dosagem de cenas explicando a história e takes de ação foi bem montada. Os dois primeiros atos são ótimos e cativam o público de uma maneira que a DC não consegue fazer há muito tempo, falam, inclusive, sobre a fatídica foto da Mulher Maravilha, encontrada pelo Batman. Mas nem tudo são flores, destoando da maior parte do filme, o final do longa é frenético demais – o que até então estava sendo a história de uma super-heroína que consegue parar balas e destruir casas, virou um episódio do Dragon Ball, onde tanques de guerra são arremessados como peso de papel e socos formam crateras de 10 metros no chão.

Contudo esse pequeno deslize não tira o brilho da obra, que tem no elenco os maiores destaques. A equipe – tanto principal, quanto secundária – de atores está incrível. Com destaque para a Robin Wright, que, estando no auge de seus 51 anos, mostra cada vez mais um vigor físico impressionante, e, é claro, para a personagem principal. Gal Gadot já foi modelo, estudante de direito e até mesmo recruta do exército israelense, mas é nos palcos (e nas telonas) que ela mais se destaca. Quando o estúdio anunciou que a atriz iria dar vida a Mulher-Maravilha, muitas pessoas ficaram receosas por se tratar de uma novata, mas Gal – assim como a personagem que interpreta – provou para todos que ela é, sim, capaz.

O longa, ao que parece, marca uma nova base estética para os filmes da empresa, sem a escuridão exagerada de “Batman vs Superman” e nem a explosão de cores do “Esquadrão Suicida”. O equilíbrio que agrada a todo tipo de público foi encontrado. Agora é esperar e torcer para que o filme da “Liga da Justiça”, e dos longas independentes dos heróis que dela fazem parte, sigam o mesmo caminho.


Iago Moreira – 7º Período

Amor e esclarecimento social

Na manhã da última sexta-feira, dia 26, aconteceu a terceira edição do “O Amor está no ar”, no bosque do campus Tijuca. O evento foi realizado por alunos do curso de Comunicação – englobando Publicidade e Jornalismo – inscritos na disciplina “Inovação e Criatividade”, ministrada pela professora Luciene Aragón, cuja proposta é a criação de formas criativas de esclarecer os temas a cada novo ano. “É uma tentativa de interferência no campus. Para trazer um questionamento às pessoas sobre seu comportamento, a principal ideia é que a partir dos jogos as pessoas façam reflexões a partir de algum tema, o desse ano é a tolerância”, Luciene explicou.

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Professora Luciene Aragón com os alunos [foto: Roani Sento Sé/Agência UVA].

Aparentemente, todos os alunos vestiram a camisa e trouxeram a proposta à tona: questionar a favor da melhor convivência social. Partindo deste ponto, os jogos interativos tiveram participação do público, que parecia buscar reflexões. As brincadeiras tinham que ter alguma finalidade construtiva, por isso não bastava ser apenas uma pescaria, por exemplo. Após pescar, tinha de haver um prêmio que simbolizasse o amor após a reflexão acerca da intolerância. As recompensas eram, em suma doces – seja pirulitos, balas ou bombons. Nenhum jogo era pago e qualquer um poderia participar.

A intolerância é muito ligada ao preconceito, por conta disso os jogos focaram em acabar com essa forma de incompreensão disfarçada de pré-conceitos. Por isso, uma árvore da solidariedade servia para você colocar uma palavra que definisse família. Um mural mostrando fotos de pessoas que você pode defini-las pela aparência, mas na realidade são mais do que os olhos podem ver. A brincadeira que mais chamou a atenção do público era a que dava palavras que explicavam definições de gênero e de sexualidade, coisas que são totalmente distintas.

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Alunos apresentando a música “Última Oração” [foto: Roani Sento Sé/Agência UVA].

Outra presença interessante foi de uma mulher trans cabeleireira, que não foi identificada, com o objetivo de ser um instrumento para medir algum tipo de discriminação por conta do gênero escolhido por ela. Se alguém iria deixar de querer cortar o cabelo com ela por conta disso. Outros jogos faziam com que o público se livrasse de uma intolerância, buscando limites e maior compreensão. No fim do evento os alunos interpretaram a música “Última Oração” da Banda Mais Bonita da Cidade, que fala sobre estar em amor com o próximo.


Roani Sento Sé – 7º Período

Os seguimentos de um escândalo

Muito aconteceu nas últimas semanas. A delação premiada de Joesley Batista, proprietário da JBS ao lado do irmão Wesley, colocou o Congresso Nacional em difícil situação, uma vez que Michel Temer corre risco de sofrer um Impeachment – por sinal, o terceiro no país em 25 anos – e uma forte pressão para uma renúncia do presidente, evitando, assim, a possibilidade de aumentar a crise política por mais um processo de deposição presidencial. Como alternativa, parlamentares da base já começam a se articular para defender viabilidade, no caso do afastamento de Temer, a sucessão por meio de eleições indiretas.  Tal ação é viabilizada pelo artigo 81§1, que afirma que, se ocorrer vacância do cargo de presidente e do vice nos dois últimos anos do período presidencial, a eleição ocorrerá 30 dias após a última vaga pelo Congresso Nacional. Ou seja, este dispositivo trata sobre as eleições indiretas, que é quando o Congresso Nacional, que é o conjunto da Câmara dos Deputados com o Senado Federal, se reunirá e elegerá um novo presidente. Se feito após 30 dias, quem assumiria é Rodrigo Maia (DEM-RJ), tal possibilidade não vem sendo bem quista.

Entretanto, o advogado e professor de Direito Constitucional para o exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Sérgio Assunção Rodrigues Júnior esclarece se o fato de o governo estar em situação adversa não colocaria ela em um risco fazer este tipo de eleição. “Não se trata de o governo arriscar ou não. O estatuto das eleições indiretas está previsto no Artigo 81 §1, logo se baseando em um raciocínio positivista, ou seja, fixado à lei, não há desrespeito para tal”. Porém Sérgio, que também é bacharel em Direito pela Universidade Estácio de Sá, complementa que “é de suma importância trazer ao povo a proposta de emenda à constituição 227/16, que é conhecida como ‘PEC das eleições diretas’, que possibilitaria a realização destas. Se este projeto será aprovado aí serão cenas para os próximos capítulos”.

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Movimento “Diretas Já” na década de 1980 [foto: Reprodução da Internet].

Essa PEC está sendo discutida na câmara. Os deputados e senadores buscam de pratico e imediatos meios para viabiliza-la, mas para aprova-la não depende só deles, já que o STF também precisaria dar seu voto de minerva. A base do governo está à procura de um nome que esteja ligado à economia, os nomes mais fortes; a avaliação é que o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, estejam dentre os nomes mais fortes apesar da ligação com a JBS por serem reconhecidos internacionalmente e ainda terem prestígio junto ao próprio mercado.

Quanto à possibilidade de uma intervenção da Lava Jato no resultado da nova votação, Sérgio afirmou ser inviável isso ocorrer. “Lava Jato, é um processo totalmente independente as eleições indiretas, todavia pode ter sua relevância. O que poderia ocorrer, seria o caso de ingressarem com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) em favor do Artigo 81 §1. Esta é uma ação de controle de constitucionalidade que é manejada somente pelos legitimados previstos no Artigo 103 da Constituição Federal, ou seja, somente estes podem intentar com tal ação, os quais podemos citar: Presidente da República, Mesa do Senado Federal, Mesa da Câmara dos Deputados, Procurador Geral da República, Conselho Federal da OAB, partido político com representação no congresso nacional, dentre outros”. Mas, o advogado também aponta que “existe a possibilidade, no caso de ser proposta uma ADI em sede de controle concentrado, a partir desse vislumbre o Supremo Tribunal Federal poderia analisar o tema eleições indiretas a fundo”

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Protesto contra governo Temer, em 2016 [foto: Reprodução da Internet].

Além disso, se os nomes com propensão a assumir o governo não forem do agrado do povo e alguns fora como o de Sérgio Moro ou o do ex-presidente do STF, Joaquim Barbosa, agradam mais. Contudo, se eles não forem filiados a algum partido, tais nomes sequer serão considerados pelo congresso. “Primeiramente, é importante dizer que só há uma hipótese em que um ministro do Supremo Tribunal Federal possa ser inserido no cargo de presidente da república, que é o que está disposto no Artigo 80 da CF/88, ou seja, quando o presidente e o seu vice forem impedidos ou estiverem com seus cargos vagos. Por isso somente na hipótese de Michel Temer sair e Rodrigo Maia também for inabilitado para o cargo, junto a ele o Senador Eunício Oliveira, e, por fim, a Ministra Carmen Lúcia assumirá interinamente o Cargo de Presidente da República – vale ressaltar que esta é uma hipótese bem difícil de ocorrer”.

Quanto a possibilidade de ser votado sem filiação a algum partido, Sérgio afirma que se deve “remeter o leitor ao tema de que hoje no ordenamento jurídico brasileiro não há possibilidade de alguém se candidatar a cargo político sem partido. Seria uma infração na lei e não sairia positivo e sim como um golpe”. Dando suas considerações finais, o advogado se mostrou otimista. “É importante mencionar que para este tema, devemos ter uma análise crítica sobre todos os aspectos que envolvem o mesmo. É importante estar ciente do que ocorre no mundo político, pois atualmente, apesar de os deputados e senadores estarem lá pelo voto democrático do povo, nada do que ocorre no âmbito da câmara e do senado, chega publicamente à toda população que os elegeram. A única certeza que podemos retirar disso tudo é que só o povo pode revolucionar esta situação”.


Roani Sento Sé – 7º Período

O tabu nas telas de celular

A decisão da empresa de transmitir suicídios e automutilações ao vivo gerou polêmicas e debates.

No último domingo, dia 21, o Facebook adotou uma nova política que permitirá que os usuários façam transmissões ao vivo de tentativas de automutilação e suicídio. De acordo com documentos vazados para o jornal britânico “The Guardian”, a empresa “não quer censurar ou punir pessoas que já estão em perigo” e as filmagens são retiradas do ar a partir do momento em que já não há como ajudá-las.

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Mark Zuckerberg [foto: Reprodução da Internet].

Já faz alguns meses que as redes sociais se tornaram palco de discussões e debates sobre a depressão e o suicídio. Temas delicados e que ganharam ainda mais notoriedade devido à série “13 Reasons Why” – produção da Netflix que retrata o suicídio de uma jovem do ensino médio -. As polêmicas que rondam a série geraram diversos desdobramentos, entre eles, a decisão da empresa de Zuckerberg de destacar para os gerentes sêniores qualquer conteúdo relacionado à obra, por temerem que inspirassem outras pessoas a repetir o comportamento da personagem.

As atuais medidas foram formuladas com orientação de especialistas e refletem o modo como o Facebook vem tentando lidar com os conteúdos que passeiam pela rede social. Um exemplo dos novos métodos de abordagem da empresa é a criação de uma ferramenta de prevenção do suicídio em parceria com o CVV (Centro de Valorização da Vida) para ajudar os usuários a perceberem que há alguém com tendências suicidas. A iniciativa chega em um período em que as taxas de morte por suicídio da população de 15 a 29 anos subiu de 5,1 por 100 mil habitantes em 2002 para 5,6 em 2014 – um aumento de quase 10% – segundo dados do Mapa da Violência 2017 .

Riscos de Contágio

Em relação as automutilações, no último verão os moderadores da rede social encontraram 4.531 casos. E a expectativa é que esse número aumente: serão 5.016 casos a cada duas semanas – um  aumento de 10%. No entanto, há uma preocupação com os riscos de contágio, ou seja, pessoas que assistem os vídeos de suicídio ou automutilação estão mais propensas a considerarem realizar as mesmas ações. Por conta disso, a empresa remove os conteúdos quando não há mais possibilidade de ajuda.

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Casos Recentes

Em abril deste ano, um caso específico perturbou os internautas. Wuttisan Wongtalay, de 20 anos, realizou uma transmissão ao vivo pela rede social, assassinando por enforcamento sua filha, Beta, de 11 meses. As imagens mostravam o bebê com uma corda no pescoço, antes de ser jogada do telhado de um prédio, e ficaram disponíveis por 24 horas. O corpo de ambos foi encontrado no dia seguinte. Estupro e assassinatos também já preencheram as transmissões do site.

No Brasil, o fato mais recente aconteceu em janeiro. O soldado da Polícia Militar Douglas de Jesus, 28 anos, retirou a própria vida com um tiro na cabeça em transmissão ao vivo. Segundo amigos e parentes do policial, a falta de pagamento foi um dos motivos do ato. As controvérsias da decisão levantaram questionamentos pertinentes sobre o que deve ou não ser publicado na rede. A parlamentar britânica Yvette Cooper revelou ao “The Guardian” que os padrões adotados pelo site não podem ser decididos entre quatro paredes, já que afetam 2 bilhões de usuários no mundo.


Thainara Carvalho – 50 Período

HIV: Evolução, esperança e expectativa de vida

Nos últimos anos, as terapias antirretrovirais têm melhorado a qualidade e expectativa de vida dos portadores de HIV. Agora, as chances de cura estão mais perto de se tornarem realidade.

Nas décadas de 80 e 90, o vírus HIV era visto como um tabu – uma vez que a doença estava no auge de disseminação -, e seus portadores sofriam com o estigma da doença e efeitos colaterais das medicações, ainda muito incipientes à época. Muita coisa mudou de lá para cá, e, hoje, a expectativa de vida de pessoas portadoras da AIDS – Síndrome da Imunodeficiência Adquirida – aumentou exponencialmente, chegando aos 78 anos, número similar ao das pessoas que não carregam o vírus, e cerca de uma década a mais do que outrora.

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[foto: Reprodução da Internet].

Segundo um estudo publicado pela revista científica  britânica “The Lancet”, pessoas de 20 que começaram a tomar os coquetéis em 2010 já possuem uma  expectativa de vida maior do que aqueles que iniciaram o tratamento em 1990. Os autores da pesquisa também afirmam que as terapias disponíveis atualmente têm melhores índices na supressão da replicação do vírus e são menos tóxicas. A medicação envolve uma combinação de 3 remédios que impedem o desenvolvimento normal do HIV.

Para os pesquisadores, existe um caráter motivacional no estudo, que auxilia a convencer indivíduos em risco a realizar os testes e os já infectados a iniciar os tratamentos o mais rápido possível. De acordo com os cientistas, as informações divulgadas pela pesquisa também podem ajudar a diminuir a discriminação sofrida pelas pessoas que vivem com a doença, algo que ainda é presente na sociedade e pode provocar o isolamento das vítimas deste preconceito.

Celebridades

Como o cinema e a televisão já retrataram inúmeras vezes, o primeiro grande surto de disseminação do HIV aconteceu nos anos 1980, causando pânico na população, que encarava a doença como “a nova Peste Negra”. E por muito tempo, a infecção pelo vírus era atribuída apenas aos homossexuais, o qual ganhou a denominação “grupo de risco”. No entanto, quando diversas celebridades ao redor do mundo foram à público revelar que também eram portadores do vírus, ficou claro – pelo menos para uma parte da população – que todos estão vulneráveis ao HIV.

Um dos exemplos mais emblemáticos desse período foi o do ator Rock Hudson, um dos maiores galãs de Hollywood durante os anos 50 e 60, que morreu aos 59 anos, em 1985, sendo a primeira grande celebridade vítima de uma das chamadas “doenças oportunistas”. No Brasil, alguns exemplos que chocaram a sociedade foram os de Cazuza – que faleceu em 1990, um ano após revelar ser soropositivo –, Lauro Corona – primo de Cazuza e considerado um dos rostos mais bonitos e um dos atores mais promissores da televisão brasileira durante os anos 70 e 80, morreu em 1989 –, a atriz Sandra Bréa – uma das mulheres mais bonitas do Brasil nas décadas de 70 e 80, falecida em 2000.

Voltando à âmbito internacional, algumas estrelas eternas também se tornaram símbolo da luta contra a Aids. O jogador de basquete Magic Johnson revelou ter o HIV em 1991, um ano antes de integrar o “Dream Team” dos Estados Unidos nas Olimpíadas de Barcelona. Já o astro da música Freddy Mercury, morto em 1991, passou os últimos anos de vida recluso do mundo devido aos problemas em sua aparência causados pelo vírus, sendo um exemplo icônico de vítima do estigma acarretado pela doença.

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Chances de cura

Recentemente, uma outra pesquisa desenvolvida por cientistas do Instituto Irsi Caixa Aids de Pesquisa de Barcelona, na Espanha, indica que pelo menos 5 pacientes já não possuem o vírus há sete meses graças a uma vacina. O novo tratamento faz com que eles não precisem tomar os medicamentos antirretrovirais – fator de incômodo para alguns portadores de HIV. O teste ainda não foi realizado em larga escala, mas há um lampejo de esperança de que a vacina possa ser uma cura. Os resultados obtidos são os primeiros em 30 anos que apontam para uma solução efetiva contra o vírus após tantas pesquisas na área.

No Brasil, as estatísticas ainda precisam melhorar. É o que aponta o Boletim Epidemiológico HIV/AIDS 2016. Estima-se que das 827 mil pessoas que vivem com vírus no país, 372 mil (45%) não estão em tratamento. O documento também destacou que existem 112 mil pessoas vivendo com a doença e não sabem. Os dados indicam um contraste com os avanços alcançados pelo mundo e chamam a atenção para uma necessidade de políticas públicas de saúde que sejam mais efetivas.

Inspirações

A desinformação assume um lugar importante nesses números, pois o imaginário popular ainda é permeado por preconceitos e antigas visões da doença. Isso leva muitas pessoas a se recusarem a fazer testes, seja porque sentem medo de serem desprezadas por amigos e conhecidos, ou porque não possuem compreensão suficiente sobre os tratamentos disponíveis. Foi pensando nisso que Dinorberto Lopez resolveu criar uma forma de levar informação. Ele é administrador da página “HIV – Grupo Amigos Apoio” e conta sobre como iniciativas como a dele vêm ajudando os portadores do vírus.

“Quando criei a página no Facebook, minha intenção era informar as pessoas sobre notícias referentes a novos medicamentos e formas de prevenção. Quando as pessoas começaram a curtir, responder e até dar depoimentos, comecei a postar reportagens sobre diversos temas: relacionamentos, depressão, autoestima e outros”, diz.  Segundo ele, as pessoas precisam desses textos para entenderem melhor o mundo em que vivem .“Comecei a receber mensagens com pedidos de ajuda, orientação e até encaminhando endereços em suas cidades, onde pudessem seguir suas vidas de uma forma mais tranquila. Muitas pessoas sentem-se agradecidas e puderam retornar suas vidas graças a essa página”.

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Dinorberto Lopez [foto: Arquivo Pessoal].

Dino, como é carinhosamente chamado, também falou sobre como esse aumento de expectativa de vida pode afetar os portadores de HIV.  “O aumento na expectativa de vida traz de volta a possibilidade de viver  em todos os seus sentidos. Porém o estigma e o preconceito tornam esses mesmos portadores reféns de problemas de relacionamento, insegurança e consequente perda de autoestima. Vivem presos a remédios que muitas vezes tomam escondidos. Sentem-se amedrontados diante da possibilidade de conhecer alguém e receber um não, por suas condições de portadores.”

O criador da página alertou, ainda, para os efeitos adversos das medicações. “Esses efeitos a longo prazo causam o chamado envelhecimento precoce.. A vida é prolongada por um lado, mas causando danos mais tarde. Isso gera um aumento no aparecimento de doenças antes do seu devido tempo. Exemplos: Mulheres de 45, 50 anos entrando em menopausa. Homens da mesma idade com problemas de ereção. Aumento do número de câncer de todos os tipos. Problemas cardiovasculares, AVC, problemas renais e de fígado. As pessoas que já têm esse conhecimento tornam-se deprimidas e tudo que mais esperam é que realmente haja uma cura o quanto antes.”

Os efeitos psicológicos das conquistas também são uma parte importante na vida dos portadores de HIV. George Gouvea, psicanalista e presidente do “Grupo pela Vida” – que trabalha na luta contra a epidemia da AIDS no país – falou sobre os impactos dessas melhoras no dia-a-dia dos pacientes. “Acredito que o principal impacto psicológico seja a certeza de que as pessoas vivendo com HIV podem ter uma vida normal, podem realizar seus sonhos e ter a certeza que a vida não acaba com o diagnóstico. No campo social ainda esbarramos no preconceito, mas podemos perceber pequenos avanços, contudo, ainda insuficientes para colocar o HIV no seu devido lugar, ou seja, apenas uma patologia a ser controlada. O julgamento moral, as vezes imposto ao soropositivo, dependendo da intensidade, pode causar mais danos que o próprio vírus”, afirmou.


Thainara Carvalho – 50 Período

 

Mais um filme e contando

piratas-do-caribe-5Este título enquadra bem o que significa “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar”. O entretenimento é o que tem de ser colocado como principal motivador do filme, já que não dá para esperar algo inovador. Depois do primeiro filme, os seguintes se tornaram apenas sequências de um sucesso de renda e, consequentemente, de público. O segundo “Piratas” foi importante para dizer que a fantástica primeira experiência no universo da pirataria poderia ser revivida. O terceiro longa serviu como uma espécie de conclusão mediante aos fatos ocorridos na segunda obra, formando assim uma trilogia de respeito.

Entretanto, um quarto filme foi anunciado e muita gente ficou sem entender o por quê disso. Este quarto Piratas do Caribe trouxe uma nova história com a mesma tripulação, uma nova aventura focada em Jack Sparrow, e o personagem tendo mais uma vez o apoio do “anti-herói” — se é que podemos chamá-lo assim –, Capitão Barbossa e todos os elementos que fazem o mundo dos piratas ser mágico como o navio Pérola Negra. Mas o fim desta obra deixou em aberto a possibilidade de um novo filme surgir tendo como chavão a volta de personagens como Will Turner e Elizabeth Swann. Claro que fãs ficaram eufóricos, mas o público em geral desdenhou e não achava que valesse a pena mais um filme.

Bem, o quarto filme não seguia a trilogia, era uma história separada e que, por conta disso, fomentou a ideia de ser mais do mesmo. Essa sugestiva decepção com a última obra, fez com que houvessem dúvidas sobre a necessidade de mais filmes da franquia. Entretanto, o mais novo filme fugiu da obviedade. O fator determinante para a Disney ainda fazer produções dos “Piratas” é, sem dúvidas, a garantia de ter uma marca consolidada e o público alvo, composto em sua maioria por crianças e adolescentes, reagir ao personagem de Johnny Depp com uma automática histeria. Seja por ele ser cativante e engraçado ou por todo conjunto.

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Um dos motivos para esse quinto filme ser diferente é a incorporação dos novos protagonistas — Kaya Scodelario, a atriz anglo-brasileira, e Breton Thwaites dão uma renovada nos ares, a representação de ícones amorosos para os fãs colarem como pôsteres na parede rejuvenesce. Certamente não possuem o mesmo carisma de Orlando Bloom e Keira Knightley, e o foco de muitas das tramas não serem eles, mas conseguem seus minutos de fama com dignidade. “Piratas do Caribe: A Vingança de Salazar” se comparado a seu antecessor, é ao menos justificável sua existência e até, de certa forma, bem-vindo. A fórmula do filme não é um mistério, é a mesma dos anteriores. Um vilão surge logo no começo querendo vingança perante a algo que ocorreu no passado, e o Capitão Jack tem algo que é do interesse deste. A primeira aparição de Sparrow é diante de uma confusão engraçada em que logo se esbarra com a mocinha da história. Logo, ele é colocado na cadeia e, à procura de ajuda, aparece o protagonista. E por aí vai. Só que a forma que é escolhida para fazer a história funcionar que faz a diferença.

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Claro que a aparição de um irreconhecível Paul McCartney também merece destaque. O Beatle faz, talvez, a cena mais engaçada, se for levado em consideração que ele e Johnny Depp são amigos na vida real. Para os mais saudosos da presença do músico no cinema, seu papel soou bem similar ao de “A Hard Day’s Night”, filme de 1964 dos Beatles – divertido e sarcástico. Ele é o segundo grande músico a fazer uma aparição num filme da franquia; o primeiro foi Keith Richards, guitarrista dos Rolling Stones. Keith interpretou o pai de Jack Sparrow em “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, de 2007. Paul, por sua vez, ficou com o papel do tio pirata.

Os efeitos especiais também são necessários para o ar de ilusão ao padrão Disney. Mas a manutenção de personagens chaves para qualquer enredo foi providencial para o fator emocional, Capitão Barbossa e Will Turner ganham pontos nisso. O vilão da vez,  Capitão Salazar, é talvez o elo mais fraco para a liga do filme. Motivações fracas e uma história mal contada para libertação da maldição. Seu antagonismo perante Jack é importante, mas não grandioso. Sua presença serviu apenas para introduzir o jovem Jack Sparrow. Ademais, a nova empreitada da franquia “Piratas do Caribe” serve para compararmos com as antigas e tentar deduzir qual é a melhor. O que se tem garantido é muitas risadas e diversão. Pode levar sua família sem medo aos cinemas.


Roani Sento Sé – 7º Período

A voz em cena

Encontro de alunos e ex-alunos de fonoaudiologia da UVA contou  com apresentação de trabalhos e performance de música erudita.

Na última quinta-feira (18), o auditório do Campus Tijuca da Universidade Veiga de Almeida recebeu o X  Encontro Científico de Alunos e Ex-Alunos. O evento, que foi organizado pela professora Isabela Poli (UVA), teve como objetivo apresentar os trabalhos de conclusão de curso dos alunos de Fonoaudiologia que foram bem avaliados pela banca. As atividades começaram na parte da tarde, pouco antes das 14h, com o tema “Saúde vocal de estudantes universitários de canto erudito de uma Universidade do Município do Rio De Janeiro: analisar informações para prevenir problemas”, de Amanda Mãra Rizzoto. O trabalho da recém formada foi feito a partir do acompanhamento de 37 alunos de canto erudito e de como eles cuidavam de suas vozes.

Segundo Amanda, muitos cantores não tinham a devida preocupação com a voz. “Observamos que alguns alunos bebem água gelada antes do ensaio, outros se deitam logo após as refeições. Esses fatores levam ao refluxo, que podem gerar problemas na garganta”, afirmou. Outros hábitos prejudiciais, como falar alto, também foram observados pela pesquisa, mostrando que apenas 22% dos estudantes não costumam praticá-los. Depois, a Fonoaudióloga alertou para o consumo de bebidas alcoólicas. Cerca de 35% dos cantores que responderam ao questionário da ex-aluna bebem aos finais de semana, fator que prejudica o desempenho nas aulas.  “Muitas vezes, a falta de hidratação provocada pela bebida resseca a voz, e algumas pessoas não têm esse cuidado com a própria voz”.

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Amanda Mãra [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Ainda na parte das análises realizadas pelo trabalho, foi concluído que  35% dos alunos sofrem de dores de garganta pelo menos 3 vezes ao ano – um índice bastante alto para quem trabalha com a voz. “O problema acontece porque a maioria das pessoas só busca ajuda quando a garganta está comprometida, e não procuram métodos de prevenção”, ressaltou.  A proposta de Amanda para resolver os problemas encontrados no estudo se dá pela implementação de disciplinas e palestras preventivas de cuidado com as cordas vocais. “Dessa forma, os estudantes e cantores podem ter maiores informações sobre o que deve ou não ser feito.”, concluiu. No fim de sua apresentação, ela performou uma canção erudita para o público, que se emocionou e a aplaudiu de pé.

Logo após a chuva de aplausos, foi a vez dos temas “Reabilitação vestibular como ferramenta na mudança do equilíbrio do idoso” de Isabela Rodrigues Cabral  e “Avaliação do equilíbrio de idosos após um programa de Reabilitação Vestibular”  de Taís Cristine Fernandes.  O trabalho de ambas se propõe a ajudar idosos com problemas de tonturas e vertigens através das análises e terapias para evitar eventuais quedas. “Nós queremos que a população envelheça com saúde e qualidade de vida”. Os métodos utilizados foram os questionários e os resultados do teste TUG (Time Up and Go), que se baseia em observar o equilíbrio e a estabilidade dos pacientes a partir do cálculo tempo. “Basicamente, o idoso se levanta, caminha 3 metros e retorna para a cadeira. Até os 20 segundos, a pessoa possui baixo risco de queda. Acima disso, o risco já é alto”, afirmou Isabela. “Os resultados obtidos com as terapias e testes realizados com os idosos foram satisfatórios e muitos apresentaram melhora significativa das tonturas”, completou Taís.

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Isabela Rodrigues [foto: Thainara Carvalho/Agência UVA].

Em seguida, às 15h30min, teve inicio a apresentação de Yasmin D’Águila, com o tema “Uso da nomenclatura das consistências alimentares utilizadas pelos fonoaudiólogos nos serviços do Rio de Janeiro.  O objetivo é analisar se existe concordância na nomenclatura usada pelos fonoaudiólogos. A convidada analisou os processos de deglutição, saudáveis ou não, e a relação com os alimentos. Segundo ela, a alimentação possui aspectos biopsicossociais. “O ato de se alimentar, que vem desde a amamentação, pode produzir efeitos psicológicos, como é o caso da anorexia, biológicos, que surgem a partir da nutrição e sociais, gerando sensação de proximidade ou isolamento através da comida”. Ela avaliou que, em alguns casos, os profissionais de fonoaudiologia não estão atentos a consistência dos alimentos de pacientes com problemas de deglutição. “É um fato  que pode gerar diversos danos, como, por exemplo, o aparecimento de pneumonias e até mesmo levar a óbito”, alertou.

A organizadora do evento, Isabela Poli, falou sobre a importância dos trabalhos apresentados. “É uma oportunidade de dar voz  e mostrar valor aos alunos e ex-alunos do curso. Já para quem veio assistir, é uma chance de ter contato que temas que podem ser trabalhados no fim do curso”. Segundo ela, a desmistificação também é um passo importante. “Nós queremos que os estudantes saibam o que é uma boa apresentação e que tenham vontade de estar aqui exibindo bons trabalhos, mas para isso é preciso “quebrar o gelo”, e colocá-los em contato com eventos desse tipo”.


Thainara Carvalho – 50 período

Nova onde ataques

Novos ataques cibernéticos afetaram milhares de usuários, mas os desdobramentos parecem que estão longe de ter fim.

O que poderia ser o trailer de uma nova temporada da série  americana “Mr. Robot”,  acabou acontecendo na vida real. Na última sexta-feira (12) um ataque cibernético tomou conta dos computadores com sistema Windows pelo mundo. O malware, que ficou conhecido como WannaCry, afetou os sistemas públicos de pelo menos 150 países, incluindo o Brasil. Ao todo, foram registrados cerca de 200 mil ataques. O vírus inutiliza o sistema e seus dados, até que seja paga uma quantia em dinheiro. Os hackers, para não serem descobertos, utilizam os bitcoins (moedas virtuais). O golpe foi realizado através do e-mail e funciona da seguinte maneira: um anexo é enviado aos usuários e, ao clicar, o computador é infectado, criptografando todos os arquivos e dados. O resgate só pode ser feito através do pagamento de uma quantia que chegava a custar R$ 1 mil.

A tecnologia utilizada para o ataque foi desenvolvida pelo governo americano através da NSA (Agência Nacional de Segurança). O país, que é conhecido por suas corridas armamentistas e bombas, possui também um poderoso arsenal de armas de guerras virtuais, que são usadas para espionar governos. Porém, esses recursos foram roubados por hackers no ano passado e utilizados no ataque da última semana. Felizmente, após a turbulência, o dia foi salvo por um jovem britânico de 22 anos, que, em um ato heroico, conseguiu frear o vilão do dia, através da análise do comportamento do vírus.

Agora, segundo informações do Correio Braziliense, após o ataque da última sexta-feira, especialistas em segurança cibernética descobriram a existência de um outro vírus ligado ao WannaCry, o Adylkuzz. De acordo com Robert Holmes à AFP, representante da empresa de segurança cibernética Proofpoint, a magnitude pode ser muito maior que o WannaCry. “Ainda desconhecemos o alcance, mas centenas de milhares de computadores podem ter sido infectados”. Holmes ainda destaca a proporção das ações deste malware. “Já aconteceram ataques deste tipo, com programas que criam moeda criptográfica, mas nunca nesta escala”.

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[foto: Reprodução da Internet].

Recentemente, especialistas de segurança indicaram que a Coreia do Norte esteja ligada aos ataques. Os indícios são de que o WannaCry possua o mesmo código de vírus criados pelo Lazarus Group – grupo de hackers financiado pelo regime de Pyongyang. Outro fator analisado foi o fuso horário dos ataques, que corresponde ao do país. Apesar de a situação estar controlada por enquanto, há sinais de que um outro ciber ataque esteja a caminho, segundo a empresa de segurança online Proofpoint. O novo malware pode ser ainda mais destrutivo do que seu irmão mais velho WannaCry, se proliferando em maior escala e gerando danos muito piores, como o roubo de dados e o recebimento de pagamento em moeda virtual sem que o usuário tenha conhecimento.

O panorama, que parece ser o de um filme de terror com toques de ficção científica, elevam as discussões a um outro patamar. Quão realmente a salvo  estariam os nossos dados na web? Essa é uma daquelas perguntas que servem de alerta para a necessidade de maior atenção, tanto por parte dos usuários, quanto pelas empresas de segurança da internet. Em um período tecnologicamente delicado como esse, se proteger de novos ataques é crucial. Ao que tudo indica, a utilização de um HD externo pode se tornar um item indispensável aos internautas.


Thainara Carvalho – 50 período

Expectativas superadas

Cartaz - O Rastro_0Já não é de hoje que a qualidade das produções brasileiras vem ganhando cada vez mais notoriedade no cinema e, consequentemente, despertando o interesse do público. Em “O Rastro”, longa dirigido por J.C Feyer, um hospital abandonado, a corrupção médica e a obsessão se misturam, trazendo à telona uma combinação pouco explorada por diretores nacionais.

 A trama conta a história de João Rocha (Rafael Cardoso), um talentosos médico que tem como missão coordenar a retirada dos pacientes de um hospital decadente que está prestes a ser desativado por falta de verba. Na noite das transferências, João se depara com inúmeros percalços. Protestos, desentendimentos com colegas e o sumiço da pequena Julia (Natalia Guedes), paciente mais nova do local, começam a desviar o foco do jovem doutor.

Com isso, ele embarca em uma jornada obscura para conseguir chegar até a verdade e desvendar os mistérios que habitam nas paredes da antiga casa de saúde, ao mesmo tempo que tenta cuidar da gravidez da esposa, Leila (Leandra Leal). A busca pela paciente desaparecida e a ambientação soturna da obra, mesclada com uma trilha sonora bem elaborada, criam um clima propício para diversos momentos de tensão durante o filme – fator que faz com que as expectativas sejam superadas.

A obstinação do médico é tamanha que chega a beirar a loucura. Ele se vê cada vez mais cercado por algo ainda desconhecido, mas aterrorizante, que o persegue através de gritos e choros. Nesse momento, João começa a duvidar de sua própria sanidade e os esforços de Leila para tentar ajuda-lo são todos em vão. Uma falha do longa está presente no desenvolvimento da história: a personagem de Leandra Leal fica “apagada” durante metade do filme, voltando a ter maior relevância no terceiro ato, deixando uma sensação de talento desperdiçado.

Casal_0Mesmo com um bom ritmo e desenvolvimento, o roteiro de André Pereira e Beatriz Manela deixa algumas falhas e pontas soltas – como, por exemplo, o aparecimento desnecessário e aleatório de personagens em algumas cenas de conflito. Além disso, apesar de provocar sustos, alguns efeitos especiais utilizados no filme também deixaram a desejar.

No geral, a obra cumpre o seu papel ao oferecer um tipo de suspense inovador para as produções brasileiras. A fotografia consegue se equiparar ao que é visto em filmes estrangeiros e o final da trama acerta em oferecer mais perguntas do que respostas, fazendo com que o espectador permaneça curioso e com diversos “pontos de interrogação”. O longa de J.C Feyer é um daqueles filmes do qual não se espera grande coisa, mas supera as expectativas pela boa história.


Thainara Carvalho – 50 Período

Todos contra a LGBTfobia

No dia da luta mundial contra a LGBTfobia, a resistência e a união se mostram cada vez mais necessárias

Indecisão, má influência ou até mesmo “falta de porrada quando criança”. Essas palavras e frases, tão presentes no nosso vocabulário cotidiano, são também fios condutores do preconceito. No dia 17 de maio, é comemorado o Dia Mundial da Luta Contra a LGBTfobia e, apesar de muitos direitos terem sido conquistados ao longo do tempo, há ainda grandes batalhas pela frente.

Segundo dados do Grupo Gay da Bahia (GGB), a homofobia mata uma pessoa a cada 25 horas devido à orientação sexual. A situação se agrava pela falta de registros desses casos no Brasil, principalmente no Norte. Em 2016, por exemplo, foram computados 3,02 homicídios de pessoas LGBT a cada um milhão de habitantes na região.

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[foto: Reprodução da Internet].

O GGB também apontou que no ano passado foram totalizadas 340 mortes de gays, lésbicas, bissexuais, travestis e transexuais – o maior índice até então. Esses, entre outros dados, colocam o Brasil em liderança no ranking de países mais homofóbicos do mundo. O doloroso panorama é parte da história e constitui as vivências de milhões de jovens. Um deles é Pedro Bandoli, 21, estudante de Ciências da Computação na Universidade Federal Fluminense (UFF). A experiência de Pedro é, infelizmente, um retrato cruel de uma sociedade que ainda engatinha rumo à igualdade.

 Ele, que se assumiu aos 14 anos, conta como se deu esse processo e as dificuldades que enfrentou. “Meus pais são católicos e por conta dessa doutrina, tiveram uma  má reação. Fui expulso de casa e tirado da escola. Eles achavam que era só uma fase”, diz. Contudo, as ofensas que o estudante sofreu não se restringiam apenas ao ambiente familiar. “Na escola, era ainda pior. Ouvia todos os clichês homofóbicos e, por isso, tentava me auto afirmar, me encaixar de alguma forma. Mas era exaustivo e extremamente solitário.”

Depois de longos meses, Pedro deixou o lar dos seus tios  e voltou para casa. No entanto, a aceitação ainda parecia um objeto distante da sua realidade. “Voltei a morar com meus pais porque me sentia um visitante indesejado morando com meus tios. Quando minha mãe perguntou se eu já era hétero, respondi com um “sim”, pois era o que ela queria ouvir e eu já não aguentava mais a situação.”

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Pedro Bandoli [foto: Arquivo Pessoal].

Mesmo após seu retorno, a situação conflituosa do estudante se estendeu. “Eu era privado de  quase tudo. Não podia sair de casa ou encontrar com os amigos.   Mas, depois de um tempo, minha mãe tentou buscar ajuda e procurou um psicólogo. A partir daí, nossa relação foi melhorando”, afirma.

Já para Marcos Vinicius Rabelo, estudante de Medicina na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),  a homofobia  também está presente no contexto universitário, só que de forma velada. Porém, um episódio em particular resultou em agressão física. “Um rapaz do meu curso  sempre demonstrava comportamentos homofóbicos, e eu conversava para tentar mostrar que ele estava sendo preconceituoso. No dia de uma choppada na faculdade, ele veio até mim, para tentar me agredir, mas o soco acabou pegando no rosto do meu companheiro”, conta.

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Marcos Vinicius Rabelo [foto: Arquivo Pessoal].

Na casa do estudante, o tema sexualidade é ignorado. “Acredito que meus pais não queiram ter um filho gay, então evitam tocar no assunto por medo de descobrirem o que não querem saber. Isso gera muito desconforto, porque não posso ser quem eu sou com a minha família, que são as pessoas que deveriam me proteger.” Marcos  observa, ainda, que a homofobia é uma ferida histórica. “É um problema que deixa enormes sequelas na sociedade. O nosso papel é tentar fazer com que essas sequelas se tornem menos dolorosas a partir da educação, da tolerância e do respeito à diversidade”.

O ódio que mata

O caminho de Pedro e Marcos para se tornarem quem hoje são foi tudo, menos fácil. Assim como eles, outras pessoas passaram pelas etapas e as dores da autodescoberta. Todavia, algumas dessas pessoas se tornaram vítimas fatais de um crime de ódio ao que ê visto como diferente. Um exemplo recente ocorreu em Janeiro deste ano. Itaberli  Lozano, 17, foi espancado e morto a facadas pela própria mãe, que não aceitava a homossexualidade do filho. O corpo do estudante foi encontrado incinerado no interior de São Paulo.

Em países como a Chechênia, campos de concentração foram formados para prender e torturar a população LGBT do país. O líder checheno, Razman Kadyrov, informou, por meio de um porta-voz, que a informação é falsa, pois não existem homossexuais na Chechênia e, se existissem, “não haveria necessidade de leis punitivas porque os próprios parentes ficariam responsáveis por mandá-los a um lugar de onde não retornariam.” O quadro sangrento que se forma tanto em terras tupiniquins, quanto lá fora, permite constatar  a importância da união de forças para impedir mais assassinatos.

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[foto: Reprodução/Facebook: @eprafalardegenerosim].

Apesar dos relatos de experiências cruéis vividas por estes e tantos outros jovens, há motivos para se ter esperança, ao menos por aqui. Na última quarta-feira (10), o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu equiparar os direitos de uma união estável homossexual à de um casamento civil. Sendo assim, um indivíduo que estava em uma união estável com outro já falecido terá direito à metade de seus bens, como no casamento, e não apenas a um terço, como consta no Código Civil.

A decisão é um passo pequeno, mas crucial para a construção de um país igualitário. Os grupos LGBT, por sua vez, vêm se tornando mais presentes, ocupando espaços e oferecendo resistência frente aos desafios impostos pelo preconceito. As batalhas enfrentadas pela comunidade são, sem dúvidas, grandes, mas necessárias. Só assim os muitos Itaberlis, Pedros e Marcos espalhados pelo Brasil e pelo mundo poderão exercer sua liberdade, sem ter o medo como o denominador comum de suas existências.


Thainara Carvalho – 50 Período